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Washington Soares Ferreira Júnior

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Ciências Ambientais
  • quais fatores influenciam no conhecimento e na seleção de estratégias de tratamento ao longo do curso da doença em um grupo humano?
  • O que leva as pessoas na busca por tratamentos e a adotar estratégias de prevenção de doenças em sistemas médicos locais? Algumas evidências mostram que doenças percebidas pelas pessoas com alta frequência de ocorrência tendem a apresentar muitas plantas e animais medicinais para o seu tratamento. Uma explicação para isso pode estar ligada à experiência prévia que as pessoas possuem com essas doenças frequentes. O papel da experiência prévia tem sido destacado nos estudos de percepção de risco das pessoas sobre desastres ambientais. Isso sugere que o fato de uma pessoa não apresentar experiência prévia com a doença levaria a pessoa a adotar menos comportamentos preventivos e apresentar um menor conhecimento sobre as estratégias de tratamento (plantas medicinais e medicamentos de origem biomédica). Além disso, a busca por tratamentos pode ser bastante variada ao longo do curso de uma doença. Nesse caso, é também importante verificar se a frequência de ocorrência da doença, além de outros fatores ligados às características das doenças e dos moradores locais, afeta a seleção de tratamentos à medida que a doença avança. Para avaliar o papel da experiência prévia em sistemas médicos locais, e os fatores que afetam as decisões terapêuticas ao longo da doença, realizaremos um estudo em um grupo humano no nordeste brasileiro. Serão realizadas entrevistas individuais em que os participantes serão convidados a listar as plantas medicinais, os medicamentos de origem biomédica e as estratégias de prevenção que utilizam para cada doença indicada. Os participantes também serão convidados a informar a probabilidade de adquirir a doença no próximo ano após a realização da entrevista, a percepção de gravidade e o grau de preocupação em relação à doença. Será realizado um itinerário terapêutico para acompanhar famílias da comunidade ao longo de dois anos, registrando os eventos de doenças e as decisões terapêuticas tomadas em cada episódio. Também será realizada uma oficina participativa para obter informações sobre a percepção da frequência de ocorrência da doença. Esperamos que a experiência prévia com a doença seja o principal preditor do número de plantas, medicamentos conhecidos e do número de estratégias adotadas para prevenir a doença. Esperamos também que a frequência da doença seja importante em predizer o número de estratégias tomadas ao longo do curso da doença. Esse achado indicaria um importante mecanismo pelo qual as pessoas em um sistema médico direcionam suas estratégias de prevenção e tratamento de doenças e explicaria por que há uma grande riqueza de tratamentos para doenças com alta frequência de ocorrência em grupos humanos.
  • Universidade de Pernambuco - PE - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022