Projetos de Pesquisa

 

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Sara Marchesan de Oliveira

Ciências Biológicas

Fisiologia
  • envolvimento das cininas em um modelo de dor associada à fibromialgia em camundongos
  • A fibromialgia é uma doença crônica classificada como dor primária crônica, a qual é caracterizada por dor crônica generalizada, sensibilidade à estímulos como o tato, e desordens afetivas como a depressão. Pacientes com fibromialgia apresentam sintomas semelhantes aos pacientes com dor neuropática como dor espontânea, alodínia mecânica e hiperalgesia térmica, e evidencias clínicas demonstram uma estreita relação entre neuropatia periférica e fibromialgia. Entre os mecanismos envolvidos na neuropatia sensorial periférica estão as cininas, as quais possuem um importante papel na regulação e manutenção da dor e alodínia, desencadeando as suas ações através da ativação dos receptores B1 e B2. Além disso, a sinalização destes receptores pode ser aumentada por inibidores da enzima conversora de angiotensina I (ECA) que inibem a degradação de cininas. As cininas são formadas à partir de cininogênios plasmáticos ou teciduais por ação das enzimas calicreínas. A calicreína plasmática origina a bradicinina, enquanto a calicreína tecidual sintetiza calidina (lis-bradicinina), ambas capazes de ativar o receptor B2 das cininas. As cininases I convertem bradicinina e calidina nos metabólitos ativos des-Arg9-bradicinina e des-Arg10-calidina, respectivamente, capazes de ativar os receptores B1 das cininas. A bradicinina também pode ser inativada pela enzima conversora de angiotensina I (ECA; uma cininases do tipo II) em um metabólito inativo. Dados prévios demonstram que os antagonistas dos receptores B1 e B2, des-Arg9-Leu8-bradicinina (DALBK) e Icatibant, respectivamente, são efetivos em reduzir diferentes processos dolorosos e inflamatórios em modelos de dor persistente. Até o momento não há estudos demonstrando o envolvimento das cininas e seus receptores na dor que ocorre na fibromialgia e não se conhece a relação entre os receptores de cininas e a dor da fibromialgia durante a inibição da ECA, a qual é de grande relevância, uma vez que a hipertensão é uma co-morbidade comum que afeta pacientes com fibromialgia e o seu tratamento com inibidores da ECA poderia potencializar esta condição dolorosa. Assim, o objetivo do presente estudo será investigar o envolvimento das cininas e dos seus receptores B1 e B2 em um modelo de dor associada à fibromialgia induzido por reserpina bem como avaliar a possível potencialização da dor associada à fibromialgia pelos inibidores da ECA, enalapril e captopril em camundongos. Para a indução da dor associada à fibromialgia, camundongos adultos machos receberão injeções subcutâneas (s.c.) de reserpina (depleta aminas biogênicas-serotonina, dopamina e noradrenalina; 1 mg/kg, s.c.) uma vez ao dia por 3 dias consecutivos. Primeiramente será avaliado o desenvolvimento da alodínia mecânica (usando filamentos de Von Frey) induzida pela administração de reserpina bem como o comportamento de dor espontânea induzida por doses submáximas dos agonistas dos receptores B1 (DABk) ou B2 (Bradicinina) administrados por via intraplantar (i.pl.). O papel dos receptores de cininas será investigado utilizando antagonistas destes receptores e camundongos com deleção gênica dos receptores B1 ou B2. Para investigar o efeito dos antagonistas dos receptores B1 e B2 sobre a alodínia mecânica induzida por reserpina um grupo de animais será tratado com os antagonistas peptídicos do receptor B1 (DALBk) ou B2 (Icatibant) ou com antagonistas não peptídicos do receptor B1 (SSR240612) ou B2 (FR173657), bem como será avaliado se os antagonistas dos receptores B1 e B2 serão capazes de prevenir o desenvolvimento de dor espontânea induzidas pelos agonistas dos receptores B1 e B2 para cininas em animais previamente tratados com reserpina. Ainda, será avaliado se os inibidores da enzima conversora de angiotensina I (Enalapril e Captopril) serão capazes de potencializar a alodínia mecânica induzida pela reserpina. Será analisada a atividade da enzima cininase I e da ECA no nervo ciático, medula espinhal e córtex cerebral dos animais um dia após a última injeção da reserpina e a atividade da ECA 1 h após a administração dos inibidores da ECA (Enalapril e Captopril) ou do inibidor da cininase I (Mergepta) em animais previamente administrados com reserpina. Será realizada a dosagem de peptídeos relacionados à bradicinina no nervo ciático, medula espinhal, e córtex cerebral dos animais após a administração de reserpina ou reserpina plus inibidores da ECA, assim como a expressão dos receptores B1 e B2 para cininas. Os níveis de dopamina, noradrenalina e serotonina serão analisados no homogenato da medula espinhal e córtex cerebral após a administração de reserpina. O comportamento de tigmotaxia, comportamento de cavar (burrowing), nado forçado e atividade locomotora dos animais serão avaliados após a administração de reserpina. Espera-se com este estudo não somente conhecer melhor os mecanismos patofisiológicos, bioquímicos e moleculares envolvidos na fibromialgia, como também apontar o potencial dos antagonistas dos receptores B1 e B2 das cininas para o tratamento da dor em pacientes com fibromialgia, evidenciar também o efeito da inibição da ECA como forte potencializador desta condição dolorosa e dar suporte pré-clínico para o desenvolvimento de novos fármacos analgésicos mais efetivos e seguros.
  • Universidade Federal de Santa Maria - RS - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022