Projetos de Pesquisa

 

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Abelardo Silva Júnior

Ciências Agrárias

Medicina Veterinária
  • genótipos emergentes de pcv2 no brasil e expressão heteróloga da proteína do capsídeo de pcv3 para aplicações biotecnológicas
  • A suinocultura é um setor agropecuário de grande importância para a economia brasileira. Existe uma elevada relevância pelas doenças virais emergentes na suinocultura devido os mecanismos genéticos de evolução viral, por conseguinte, maior risco de escape imunológico do hospedeiro e surgimento de novas doenças. Portanto, pesquisas que visem melhorar sanidade de suínos, principalmente relacionados com vírus emergentes devem ser prioritárias. Diante desse contexto, os problemas relacionados as infecções por circovirus vem causando problemas na suinocultura mundial. Dentre os circovirus, o Porcine circovirus 2 (PCV2) está relacionado a PCVADs, sendo responsável por causar grandes perdas econômicas a indústria suinícola em todo o mundo. Até o momento, foram identificados seis genótipos de PCV2, sendo estes PCV2a, PCV2b, PCV2c, PCV2d, PCV2e e PCV2f. As vacinais comerciais utilizadas no Brasil contra PCV2 são baseadas no genótipo PCV2a, fato que pode ajudar a explicar casos de escape vacinal, uma vez que que não se conhece a prevalência dos genótipos desse vírus no país. Nesse contexto, o primeiro objetivo da proposta visa realizar a caracterização genética dos genótipos de PCV2 no Brasil, visando conhecer os genótipos mais frequentes, o que pode ajudar entender os casos de granjas vacinadas apresentando a doença clínica. Recentemente, um novo circovirus foi descoberto e denominado Porcine circovirus 3 (PCV3). A suspeita que PCV3 esteja relacionado a diversos problemas sanitários, incluindo transtornos na reprodução dos animais. As falhas reprodutivas associadas ao PCV3 ainda não estão totalmente esclarecidas, necessitando de estudos adicionais. A baixa identidade (30%) entre as proteínas do capsídeo (cap) de PCV2 e PCV3 indica que as vacinas contra PCV2 baseadas na proteína cap não protegem os animais contra PCV3, o que que ressalta a importância de desenvolver de uma vacina contra PCV3 e testes sorológicos específicos contra PCV3 para avaliar rebanhos infectados. Considerando o exposto, esta proposta está dividida em 2 plano de ações: (1) identificar os genótipos de PCV2 mais frequentes no Brasil. (2) expressar a proteína do capsídeo do PCV3 em E. coli, utilizar a proteína como antígeno para um teste de ELISA sorológico, empregar o teste de ELISA e ensaios de PCR em tempo real (qPCR) para estudar a relação entre a infecção pelo PCV3 e falhas reprodutivas. Finalmente, a proteína recombinante será estudada quanto a formação de virus-like particles, que poderá ser empregada como promissor candidato vacinal. Espera-se com esse projeto entender mecanismos de evolução genética do PCV2, bem como avançar nos conhecimentos em relação a infecção por PCV3 no Brasil e possíveis formas de controle.
  • Universidade Federal de Viçosa - MG - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022
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Abelmon da Silva Gesteira

Ciências Biológicas

Genética
  • estudos de alterações epigenéticas induzidas pelo déficit hídrico em citros
  • O cultivo dos citros no Brasil se dá predominantemente sem irrigação e por isso é desejável que se usem combinações copa/porta-enxerto que mostrem, entre outras características de interesse agronômico, a tolerância à seca, devido à ocorrência de déficits hídricos temporários em várias regiões citrícolas. As plantas cítricas apresentam uma série de adaptações morfológicas e fisiológicas à deficiência hídrica, entre as quais se citam a conformação de copa e a morfologia foliar. Estes atributos são influenciados pela combinação copa/porta-enxerto, sendo que a tolerância à seca é também uma das características para seleção e melhoramento de porta-enxertos, existindo grande variação desta resposta, determinada especialmente pela condutividade hidráulica do sistema radicular. Recentemente submetemos dois porta-enxertos de citros Citrus limonia Osb (Limoeiro ‘Cravo Santa Cruz’) (RL) e Citrus sunki (Tangerineira ‘Sunki Maravilha’) (SM), bem como suas combinações invertidas (SM/RL e RL/SM), e estes sob duas copas comerciais Citrus sinensis (L.) Osb (Laranjeira ‘Valencia’)(VO) e Citrus latifolia Tanaka (Lima ácida ‘Tahiti’) (ALT), ao déficit hídrico por redução gradual da água no solo. Para verificar as diferentes respostas destas combinações, foram avaliadas as alterações nos potenciais hídrico e osmótico da folha, potencial matricial do solo, bem como nas trocas gasosas e perfis de hormônios (ABA, AIA e SA) e de açucares (rafinose, trealose, galactose, frutose, glicose e sacarose), para cada combinação em três situações diferentes (controle, severo e reidratado 48h). Os resultados encontrados demonstram que todas as combinações analisadas sofreram alterações nas respostas fisiológicas nas situações avaliadas, além de evidenciar que o RL adota a estratégia de evitar a desidratação, mantendo o crescimento, ao passo que a SM adota a tática de tolerar a desidratação, focando na sobrevivência da planta. A SM apresentou altos níveis em folhas e raízes de hormônios – que induzem a tolerância ao déficit hídrico como ABA e SA – e açúcares – como trealose e rafinose, que são relatadas como importantes sequestradores de espécies reativas de oxigênio (ROS) – quando comparada ao RL. Vale ainda ressaltar que os resultados demonstraram que SM tende a induzir as copas enxertadas – RL, VO e ALT – a adotar a estratégia de tolerar o déficit hídrico, assim como ela em situação pé franco. Já o RL, quando sob a copa de ALT – que possui crescimento vigoroso – produziu muito mais ABA quando comparado a este em condição pé franco, mostrando assim a influência que a copa exerce no porta-enxerto, por ter exigido do RL a produção de mais ABA para controlar a transpiração na parte aérea (ALT). O RL é um porta-enxerto com grande aceitação pelos citricultores brasileiros, enquanto que a Sunki e suas derivações podem ser uma alternativa de diversificação genética. Entretanto, em uma estiagem prolongada, como as previstas para os próximos anos, a SM, devido à estratégia de sobrevivência adotada, tende a superar este período de forma mais eficiente que o RL, pois este último entrará primeiro em murcha irreversível (Santana-Vieira et al, submetido). Ainda em trabalhos desenvolvidos por nosso grupo, Neves et al. (2013) e Oliveira et al (2015) com os porta-enxertos RL e SM em condições de vaso - onde foram avaliados alguns parâmetros fisiológico, perfil de ABA e expressão gênica desta via, bem como o perfil protéico destes materiais sob déficit hídrico - foi demonstrado que eles apresentam padrão de comportamento diferentes em resposta ao estresse por seca. A SM apresentou uma maior quantidade de ABA e um maior número de proteínas diferentemente expressas quando comparada ao RL nestas condições. Além disso, proteínas encontradas exclusivamente na SM foram caracterizadas por serem responsáveis pelo reparo e processamento dos ácidos nucléicos (Oliveira et al, 2015), enquanto que o RL apresentou proteínas up-reguladas que são responsáveis pelo transporte, metabolismo de proteínas, resposta ao estresse e proteólises (Santana-Vieira et al, submetido). Diante do exposto, e sabendo também que as plantas desenvolvem mecanismos de memória para melhor se adaptarem as condições adversas, o presente trabalho tem como objetivo estudar alterações epigenéticas de dois porta-enxertos, tangerineira ‘Sunki Maravilha’ e o limoeiro ‘Cravo’ em combinação com laranjeira ‘Valencia’, induzidas por sucessivos déficits hídricos. Com base no mecanismo SM de assegurar a sobrevivência da planta, conforme mostramos que copas enxertadas (ALT e VO) no referido porta-enxerto apresentaram altos níveis nas folhas de hormônios – que induzem a tolerância ao déficit hídrico como ABA e SA – e açúcares – como trealose e rafinose, que são relatadas como importantes sequestradores de ROS – quando comparada ao RL, espera-se que SM induza a formação de mais marcas epigenéticas em copas nele enxertadas que o porta-enxerto RL. Cabe destacar que a presente proposta é inovadora e sem relatos na literatura, além de apresentar potencial para o desenvolvimento de uma técnica de manejo com aplicação direta na cadeia citrícola. Vale ressaltar que, caso seja comprovado que plantas cítricas submetidas a déficits hídricos sucessivos apresentam adaptações que resultam em uma maior tolerância à seca, as plantas matrizes, doadoras das borbulhas para enxertia, poderão ser submetidas a déficits hídricos prévios, visando aumentar o nível de tolerância ao estresse em questão.
  • Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - BA - Brasil
  • 01/06/2017-31/05/2020