Projetos de Pesquisa

 

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Ryzia de Cássia Vieira Cardoso

Ciências da Saúde

Nutrição
  • a gestão politica da pesca artesanal e o uso do pescado na alimentação escolar: cenários em países latinos e a realidade no brasil
  • A pesca artesanal compreende importante cadeia produtiva, contribuindo com a oferta de mais da metade do pescado consumido em todo o mundo, e exercendo também papel importante na segurança alimentar, por auxiliar na redução da pobreza. Todavia, a atividade tem enfrentado vários desafios, incluindo a redução dos estoques pesqueiros, a disputa por territórios, desigualdades nas relações de poder, com limitada participação social e políticas desfavoráveis que, em geral, limitam o apoio necessário. Assim, o setor tem sido caracterizado como trabalho rústico e precário, com perda de qualidade das espécies comercializadas. Embora o pescado seja um alimento de destacada contribuição nutricional e tenha papel preventivo para doenças cardiovasculares e neurodegenerativas, registra-se, no Brasil, um baixo consumo pela população, bem como no âmbito do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Assim, este estudo objetiva analisar comparativamente a gestão da pesca artesanal e a utilização dos seus produtos no Programa de Alimentação Escolar, na realidade de três países latinos- Brasil, Colômbia e Chile. Trata-se de estudo descritivo, com abordagem qualitativa e quantitativa, organizado em quatro eixos: i. a avaliação da gestão política da pesca artesanal nos três países; i.i. a sistematização de estudos sobre a inserção do pescado no programa de alimentação escolar, com ênfase na América Latina e no Brasil; i.i.i. a avaliação da condução de uma estratégia para inserção de produtos da pesca artesanal na alimentação escolar em município da região Nordeste, em comparação com experiências no Sudeste e Sul do Brasil; e i.v. a geração de subsídios para tomada de decisão política em apoio à pesca artesanal e à inserção do pescado artesanal no Programa Nacional de Alimentação escolar. No primeiro eixo, planeja-se o estudo comparativo do marco legal sobre pesca artesanal, nos três países, bem como a condução de entrevistas com gestores públicos federais e representantes de organizações da sociedade civil organizada, de modo permitir a análise das políticas na perspectiva histórica, quanto à estrutura governamental, do marco legal vigente e dos avanços e desafios no fortalecimento da cadeia produtiva e para promoção da segurança alimentar. No segundo eixo, far-se-á um levantamento de estudos que descrevam experiências de inserção de pescado na alimentação escolar, buscando identificar metodologias para maior uso deste alimento junto aos escolares. No terceiro eixo, tem-se um estudo de intervenção, em continuidade a projetos anteriores, a ser comparado com outras experiências. O estudo contempla três percursos metodológicos, compreendendo: fortalecimento da formação em Boas Práticas de Produção, para comunidades já treinadas e comunidades não treinadas; a avaliação da composição nutritiva e de indicadores físico químicos de espécies nativas, ainda não registradas na literatura; levantamento, seleção e padronização de preparações culinárias à base de pescado, para introdução junto ao PNAE, junto às comunidades pesqueiras, com avaliação do impacto das estratégias de intervenção. Fechando essas atividades, pretende-se elaborar um livro (digital), a ser usado como material de divulgação para o PNAE. No último eixo, espera-se a geração novos conhecimentos e a elaboração de produtos científicos e técnicos, com potencial contribuição para a tomada de decisão, em diferentes níveis de gestão pública, e para fomentar a integração da pesca artesanal em cadeias formais de suprimento de alimentos, favorecendo o desenvolvimento local. Pelo escopo, o estudo projeta contribuições nas dimensões científica, tecnológica, social e econômica.
  • Universidade Federal da Bahia - BA - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022
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Sabrina Deise Finamori

Ciências Humanas

Antropologia
  • “maternidade solo”: parentalidades, conjugalidades e noções de família
  • Este projeto tem por objetivo analisar a relação entre parentalidades e conjugalidades a partir dos movimentos atuais em torno do que vem sendo nominado como maternidade solo. Tendo em vista a carga histórica associada ao termo “mãe solteira”, muitas mulheres que cuidam sozinhas de seus filhos, por opção ou não, aderiram à expressão “mãe solo” desvinculando a relação parental da conjugalidade à qual usualmente aparecia vinculada. Reunidas em torno de coletivos feministas ou grupos virtuais, essas mulheres têm produzido, a partir de suas próprias experiências parentais, reflexões em torno dos sentidos sociais da maternidade e de suas práticas cotidianas, feito reivindicações de direitos e denunciado discriminações sofridas por elas ou seus filhos. Ao trazerem esse debate à tona, têm colocado em pauta questões mais amplas que dizem respeito a direitos e deveres maternos e paternos bem como a definições sobre o que constitui o cuidado de crianças e como a noção de família pode ser (re)definida nestes contextos particulares. Assim, por meio de uma pesquisa qualitativa, baseada em levantamento de reportagens sobre a temática, análise da produção audiovisual em torno da questão, como livros, ilustrações e vídeos; mapeamento de fóruns de discussão ou coletivos de apoio (presenciais ou virtuais), etnografia em encontros desses grupos, entrevistas com propositoras ou participantes desses coletivos e fóruns e elaboração de narrativas de vida com mulheres que se autodenominam “mães solo”, a pesquisa visa analisar o quadro valorativo-moral que informa como os conceitos de conjugalidade e parentalidade tem sido articulados e desarticulados nas experiências contemporâneas autodenominadas “maternidade solo”. Ao mesmo tempo, visa compreender em que medida a noção de família é revista e as responsabilidades e os direitos maternos e paternos são reconfigurados neste processo.
  • Universidade Federal de Minas Gerais - MG - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022
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Sabrina Epiphanio

Ciências Biológicas

Parasitologia
  • o aumento da permeabilidade vascular pulmonar como alvo no combate à síndrome do desconforto respiratório agudo associada à malária
  • Presente em 97 países, a malária é uma doença infecciosa parasitária, que coloca em risco 40% da população mundial. Infecções por Plasmodium spp. podem levar a um quadro respiratório grave, com complicações pulmonares como a síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA). Esta síndrome é caracterizada por inflamação aguda, lesão do endotélio alveolar e do parênquima pulmonar, disfunção e aumento da permeabilidade da barreira alvéolo-capilar pulmonar e, consequente formação de edema. Os mecanismos de regulação da permeabilidade das células endoteliais que envolvem interações dinâmicas e alterações estruturais dos componentes do citoesqueleto possuem papel crítico na modulação da resposta inflamatória e na manutenção do endotélio pulmonar. Assim, face ao desconhecimento de muitos dos elementos determinantes da patogênese da SDRA associada à malária, este projeto tem como objetivo identificar mecanismos de aumento da permeabilidade vascular, com ênfase no estudo das junções interendoteliais, das alterações do citoesqueleto e de suas vias de sinalização, além de métodos de diagnóstico precoce e intervenções terapêuticas. A compreensão desses aspectos é crucial para o desenvolvimento de estratégias profiláticas e para o tratamento da SDRA associada a malária.
  • Universidade de São Paulo - SP - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022
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Sabrina Francesca de Souza Lisboa

Ciências Biológicas

Farmacologia
  • estudo do envolvimento de células da micróglia no encéfalo e receptores de imunidade inata tipo toll 4 da micróglia após exposição a estresse homotípico: possível participação do sistema endocanabinoide.
  • Atualmente, o tratamento farmacológico de primeira escolha para o tratamento de transtornos psiquiátricos como ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático são os antidepressivos inibidores da recaptação de serotonina. Porém eles possuem uma baixa eficácia clínica e muitos indivíduos desistem do tratamento por causa dos efeitos colaterais. Por esse motivo, a pesquisa básica tem buscado um melhor entendimento de mecanismos encefálicos alterados em animais submetidos a situações de estresse, como alterações em mecanismos neuroimunológicos e no sistema endocanabinoide (ECB), a fim de encontrar possíveis novos alvos para o desenvolvimento de fármacos que poderiam representar um tratamento mais efetivo. Nas últimas décadas, vários trabalhos têm apontando para uma íntima relação entre transtornos psiquiátricos e alterações do sistema imune, inclusive no encéfalo. Observa-se que pacientes com transtornos que envolvem exposição ao estresse apresentam sinais de ativação imune e inflamação, enquanto modelos animais de exposição ao estresse têm demonstrado esta mesma relação. A exposição ao estresse homotípico, mas não heterotípico, pode resultar em ativação persistente de células da micróglia e neuroinflamação, com indução, por exemplo, da expressão do receptor de imunidade inata do tipo toll 4 (TLR4) no córtex pré-frontal medial (CPFm). É desconhecido, entretanto, se as células da micróglia e os receptores TLR4 nestas células em estruturas encefálicas importantes para o controle da resposta ao estresse (particularmente o CPFm e o hipocampo) exercem papel-chave no desenvolvimento das consequências comportamentais relacionadas à ansiedade induzidas por estresse. Em situações de estresse há também ativação do sistema ECB, a fim de limitar as consequências do estresse, inclusive ativação de mecanismos neuroimunes e disfunção em mecanismos de plasticidade sináptica. A ausência de ECBs poderia, portanto, facilitar mecanismos neuroimunes via TLR4, enquanto a inibição da via do TLR4 poderia facilitar a sinalização ECB, favorecendo a recuperação do efeito do estresse. A hipótese deste projeto é testar se o estresse homotípico induzirá ativação das células da micróglia e, particularmente, ativação da via do TLR4 e disfunção do sistema ECB nestas células, contribuindo para o desenvolvimento das consequências comportamentais e plásticas do estresse. Ainda, testar se a inibição de TLR4 nas células da micróglia prevenirá os efeitos do estresse e se este possível efeito envolve receptores para ECBs.
  • Universidade de São Paulo - SP - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022
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Sabrina Neves Casarotti

Ciências Agrárias

Ciência e Tecnologia de Alimentos
  • subprodutos de frutos do cerrado: caracterização, avaliação da combinação com cepas probióticas e efeito em ratos alimentados com dieta hiperlipídica
  • A elevada prevalência de obesidade é um importante problema de saúde pública mundial. A disbiose intestinal é uma das alterações observadas em indivíduos obesos, e pesquisas apontam que alguns alimentos, como os subprodutos de frutas, são capazes de restaurar o equilíbrio da microbiota e reduzir os sintomas da obesidade. Os subprodutos de frutos do cerrado, mais especificamente araticum, mangaba e pequi, foram pouco explorados em relação ao seu potencial funcional e prebiótico. O objetivo desse trabalho será avaliar, in vitro e in vivo, o potencial prebiótico e simbiótico de subprodutos de frutos do cerrado. Para atender a esse objetivo, o trabalho será dividido em três etapas. Na etapa 1, os subprodutos de araticum, mangaba e pequi serão obtidos por secagem e caracterizados quanto à composição centesimal, teor de fibras solúveis e insolúveis, carotenoides e compostos fenólicos e atividade antioxidante. Na etapa 2, serão avaliados o crescimento de cepas probióticas comerciais e cepas patogênicas na presença dos subprodutos e o efeito dos subprodutos na resistência dessas cepas probióticas às condições simuladas do trato gastrointestinal. A combinação de subproduto e cepa probiótica que apresentar os resultados mais promissores, será utilizada na etapa 3, que irá avaliar o efeito do consumo, durante dez semanas, de subproduto e probiótico, isolados e associados (simbiótico), em animais alimentados com dieta rica em lipídeos. O peso corporal será monitorado ao longo do período experimental e ao final serão determinados: tolerância à glicose e à insulina, concentrações séricas de glicose, albumina, proteínas totais, transaminase oxalacética, transaminase pirúvica, ureia, colesterol total, HDL-colesterol e triacilglicerol, insulina sérica, lipopolissacarídeos, teores de gordura no fígado e nos tecidos adiposos branco e marrom e composição da microbiota intestinal por meio do sequenciamento do gene 16S RNA ribossomal. A caracterização dos subprodutos de frutos do cerrado, a avaliação da sua interação com cepas probióticas e a determinação de seu efeito em animais alimentados com dieta hiperlipídica, contribuirão para entender o potencial prebiótico destes subprodutos e os potenciais efeitos benéficos na saúde. Assim, será possível planejar futuras aplicações do subproduto e da cepa probiótica selecionados em alimentos simbióticos ou suplementos alimentares. O projeto também pretende com a redução do desperdício de subprodutos e contribuir com conhecimentos de Ciência de Alimentos e Nutrição pelo entendimento da relação entre os subprodutos, probióticos e a saúde.
  • Universidade Federal de Mato Grosso - MT - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022
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Sabrina Soares da Silva

Ciências Sociais Aplicadas

Administração
  • discursos sobre sustentabilidade e questões socioambientais em prefeituras municipais de minas gerais
  • A sustentabilidade vem sendo apontada, nos últimos anos, como uma solução para os diferentes problemas ambientais vivenciados, despontando como uma promessa de tornar o relacionamento entre o homem e a natureza mais harmônico e menos invasivo. Contudo, como esse conceito é apresentado de maneira ampla e vaga, são favorecidas sua apropriação e utilização nos mais diferentes discursos. Hoje, praticamente todas as correntes de pensamento concordam com a ideia de que a sustentabilidade deve orientar as decisões envolvendo a natureza e ser um preceito básico para nortear as ações dos indivíduos. O termo sustentabilidade também tem estado presente em diversos discursos nas esferas públicas, na busca por justificar seus impactos sobre o ambiente e legitimar sua atuação frente à sociedade. Apesar disso, a maior parte das mudanças ainda é observada apenas nos discursos, sem grande alterações nos seus processos decisórios ou prioridades. Esse estudo tem como objetivo compreender como a sustentabilidade é conceituada e inserida dos discursos das prefeituras dos municípios da microrregião de Lavras, Minas Gerais, descrevendo como os conteúdos socioambientais são inserido em seus discursos e processos decisórios. Para tanto, será adotado um modelo de análise de comprometimento com a sustentabilidade, proposto por Silva (2014). Nesse modelo, considera-se que uma maior aproximação com a sustentabilidade acontece quando são consideradas as necessidades humanas e a conservação e preservação ambiental, porém, não em uma perspectiva individualista, mas em uma perspectiva coletivista, como proposta por Leis e D`Amato (1998). Para isso, pretende-se analisar os discursos sobre sustentabilidade e questões socioambientais nas prefeituras municipais dos municípios da microrregião de Lavras, Minas Gerais. Espera-se que os resultados possam contribuir para uma maior compreensão de como os municípios têm buscado considerar a sustentabilidade em suas decisões e se estes conseguem equilibrar necessidades humanas e restrições ambientais, de modo a atender a humanidade e o ambiente como um todo.
  • Universidade Federal de Lavras - MG - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022
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Salete Linhares Queiroz

Ciências Humanas

Educação
  • atualização da experimentoteca do cdcc/usp: parceria colaborativa universidade-escola pública
  • Vide projeto anexo
  • Universidade de São Paulo - SP - Brasil
  • 12/08/2019-30/11/2021
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Salete Linhares Queiroz

Ciências Humanas

Educação
  • letramento gráfico: foco no ensino superior de química
  • A linguagem científica é multimodal, isto é, faz uso de diversos modos de comunicação para transmissão do conhecimento científico. Dentre eles, e de particular interesse para esta pesquisa, estão os modos visuais de comunicação, que incluem as inscrições, definidas como representações visuais materiais elaboradas inerentemente durante o fazer científico, tais como gráficos, fotografias, tabelas, equações, mapas, esquemas etc. Dada a importância das inscrições, tanto para a comunicação científica quanto para o ensino de ciências, e a sua forte presença em livros didáticos e na sala de aula, o fato de diversos estudantes apresentarem dificuldades no seu uso e interpretação é preocupante. É nesse contexto que estudos veem sendo desenvolvidos, tendo em vista o entendimento sobre aspectos que interferem na leitura de inscrições, assim como o delineamento de sequências didáticas potencialmente capazes de promover o letramento gráfico dos estudantes. Este se caracteriza como sendo o conhecimento para lidar com os modos visuais de comunicação, em especial as inscrições. Nessa perspectiva, o presente projeto tem como objetivo investigar como as habilidades de letramento gráfico de estudantes de um curso de bacharelado em química se manifestam durante a interação dos mesmos com inscrições em práticas culturais científicas autênticas, que neste trabalho se configuram como exposições orais. Para tanto, duas sequências didáticas serão elaboradas e levadas a cabo de modo a fomentar tais habilidades. A aplicação de duas sequências didáticas distintas não busca a comparação entre a eficácia das mesmas, mas sim a compreensão sobre as potencialidades de cada uma delas frente ao alcance do propósito traçado, que é o desenvolvimento do letramento gráfico dos estudantes. A base teórica para a realização das análises fundamenta-se em trabalhos reportados na literatura sobre leituras de inscrições. O corpus da investigação será constituído das exposições orais produzidas pelos graduandos no contexto de cada uma das sequências didáticas. Pretende-se, dessa forma, contribuir para a reflexão sobre o que permite e/ou o que dificulta o letramento gráfico no âmbito do ensino superior de química.
  • Universidade de São Paulo - SP - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022
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Salomao Antonio Mufarrej Hage

Ciências Humanas

Educação
  • trabalho, natureza e cultura como referências para a construção da escola pública do campo na amazônia
  • Este projeto se propõe investigar as realidades, os conflitos e os desafios que envolvem a Natureza, o Trabalho e a Cultura na Amazônia e utilizá-los como referências para refletir e analisar a Escola, a Educação e as Políticas Educacionais nos territórios do campo, considerando a complexidade, diversidade e inserção da Amazônia no cenário nacional e mundial contemporâneo. Ele toma como fundamentação os estudos e as ações que o nosso grupo de pesquisa vem acumulando através do diálogo com os movimentos sociais representativos dos povos tradicionais e camponeses e com os educadores e educadoras que participam das ações e estudos promovidos pelo grupo, desde sua criação em 2002. A Amazônia é formada por um conjunto de ecossistemas, que vão dos florestais aos não florestais, constituindo complexas e ricas teias de biodiversidade, que possui a maior área preservada de floresta tropical do planeta e de diversidade biológica, que abriga 1/5 da disponibilidade de água potável do mundo. São 250 milhões de hectares de floresta, onde é possível encontrar cerca de 30 milhões de espécies vegetais e animais, e 20 mil quilômetros de via fluvial que abriga cerca de 1.700 espécies de peixes e outras espécies que compõem a diversidade biológica marinha. A Amazônia apresenta uma estrutura produtiva complexa e peculiar, ao abrigar em seu território atividades econômicas de base familiar, cooperadas e solidárias que envolvem tecnologias simples; e processos de produção capitalistas, caracterizados por médios e grandes empreendimentos que usam sofisticadas e complexas tecnologias; desenhando uma matriz geográfica conflitual de usos e de significados de seu território e dos recursos naturais que abriga, expressando-se em lógicas e práticas de trabalho, produção e intervenção diferentes, opostas e/ou antagônicas. A Amazônia possui 13% da população nacional, 72% se concentra em áreas urbanas e nos territórios rurais vivem as populações tradicionais e camponesas, que constitui uma das maiores diversidades étnicas e culturais do mundo. Essas populações convivem em meio a teia complexa de relações, mobilizações e movimentos sociais que são diversas e singulares, resultantes de conflitos e alianças em função das disputas pela afirmação das diversas identidades culturais e de interesses e demandas advindas dos processos de territorialização, desterritorialização e reterritorialização dos grupos e povos, em meio às relações de poder desiguais existentes. Diante de situações existenciais tão ricas que compõem o manancial de saberes, valores, símbolos, crenças, experiências e tecnologias produzidas pelas populações da Amazônia, do campo e da cidade, nas situações próprias de trabalho e produção, na relação com os diversos ambientes, e nas práticas de formação pessoal e coletiva que vivenciam e acumulam; apresentamos esse projeto com a intenção de refletir sobre a Escola, a Educação e as Políticas Educacionais nos territórios do campo na Amazônia tomando como referência as contribuições do Bem Viver, da Agroecologia e da interculturalidade crítica. Pretendemos com esse estudo e com essas referências contrapor à visão hegemônica que tem se apropriado da Escola, da Educação e das Políticas Educacionais para fortalecer a mercantilização da vida e da sociedade, o individualismo, a competitividade e o consumismo, que hierarquiza, privilegia e reconhece os grupos com maior poder, apresentando suas culturas e saberes como padrão de sociabilidade; ao mesmo tempo em que exclui, silencia, invisibiliza, discrimina e estigmatiza os modos de vida próprios dos povos e comunidades tradicionais e camponesas da Amazônia, tratando-os como primitivos, arcaicos, atrasados, conservadores, sem história, sem cultura, incivilizados, alienados e sem perspectivas de futuro. Nossa aposta é de que a Escola, a Educação e as Políticas Educacionais, assentadas em relações de reciprocidade e complementaridade entre ser humano e natureza expressas por meio do Bem Viver, no trabalho cooperado e diversificado com enfoque agroecológico, e na dialogicidade e eticidade como princípios de afirmação da Interculturalidade; possam se configurar enquanto territórios de reconhecimento da diversidade sociocultural, racial, étnica, de gênero, religiosa e de fortalecimento da esfera pública na Amazônia, assumindo a responsabilidade com a formação de sujeitos críticos, a partir de seu lugar, e, ao mesmo tempo, capazes de colocar-se e entender-se em relação e interação com outros sujeitos e espaços sócio-políticos e culturais, em escala local e global. Em tempos de insegurança e de tensões que configuram a realidade brasileira na atualidade, precisamos de serenidade e ousadia para traçar estratégias que apontem caminhos e possibilidades que não nos permitam enveredar pelo ceticismo e retroceder nas conquistas já asseguradas. A luta por uma Sociedade de Direitos Humanos e Sociais garantidos, efetivados e universalizados é o nosso horizonte, e continua sendo a nossa meta e a nossa utopia. Na Sociedade de Direitos que estamos construindo e queremos fortalecer, a Escola, a Educação e as Políticas Educacionais, tomando como referência a discussão sobre a Natureza, o Trabalho e a Cultura na Amazônia são centrais para a formação humana dos sujeitos, e para a edificação de uma cultura política participativa e protagonista neste território e de um projeto emancipatório, soberano e sustentável de sociedade.
  • Universidade Federal do Pará - PA - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022
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Salomão Barros Ximenes

Ciências Humanas

Educação
  • efeitos do desenvolvimento institucional do ministério público na judicialização das políticas públicas de educação básica no brasil
  • O Ministério Público (MP) é o principal agente no processo de judicialização da política educacional no País, e ganhou maior relevância à medida que o órgão se desenvolvia, com destaque para as reformas institucionais ocorridas em meados dos anos 2000, a partir da aprovação da Reforma do Judiciário e da criação do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Da análise desse processo partimos da premissa de que há, na atualidade, a convergência de dois processos de reestruturação institucional do MP com grande potencial de impacto na atuação desse órgão em relação a direitos e políticas públicas educacionais. Tais processos são a centralização administrativa, que tem como marco a criação do CNMP, e a especialização funcional, demonstrada pela criação de centros de apoio operacional e promotorias especializadas. Nossa principal hipótese é que a conjugação desses processos é o principal fator explicativo a influenciar a judicialização da política de educação básica em todo o País, através de medidas judiciais e extrajudiciais. Essa relação entre evolução institucional do MP, judicialização da educação e influência em políticas educacionais ainda não foi estudada de forma ampla, o que justifica a proposta apresentada. Para tal, apresentaremos um diagnóstico do quadro de institucionalização de órgãos e funções especializados do MP no controle externo de políticas públicas de educação básica, bem como de iniciativas de articulação interinstitucional decorrentes desse processo. Em seguida, analisaremos as proposições de agendas de judicialização da educação centralmente definidas, estudando as ações nesse sentido desenvolvidas no âmbito do Conselho Nacional do Ministério Público - CNMP, do Colégio Nacional de Procuradores Gerais de Justiça - CNPG e da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão - PFDC. Por fim, estudaremos o impacto do desenvolvimento institucional em órgãos específicos do MP – promotorias especializadas, centros de apoio, câmaras temáticas etc –, bem como no trabalho destes em relação às políticas educacionais, objetivando-se compreender e analisar seu desenho administrativo-funcional e jurídico, suas competências, o impacto das determinações e orientações centralmente emanadas, a capacidade de produção de agendas próprias, a influência externa de atores políticos e da sociedade civil organizada e o fluxo de demandas de judicialização da educação. Este projeto integra um esforço interinstitucional e colaborativo voltado ao aprofundamento dos estudos sobre o fenômeno da judicialização da educação, esforço coordenado pelo autor desta proposta e pelas professoras Adriana Aparecida Dragone Silveira (UFPR) e Vanessa Elias de Oliveira (UFABC), ambas com ativas pesquisas nesse campo, às quais esperamos que venha a se somar a presente proposta. Entendemos que a convergência de esforços e de projetos de pesquisa, com a consequente articulação de pesquisadores em formação vinculados aos respectivos programas de pós-graduação da UFABC e da UFPR, é condição para o estudo de um fenômeno social tão amplo como a judicialização da educação, sobretudo se o que se pretende é ir além do estudo do conteúdo das decisões judiciais em determinado tribunal, buscando compreender a fundo tanto os impactos das decisões nas políticas públicas como as razões que levam à disseminação do fenômeno.
  • Universidade Federal do ABC - SP - Brasil
  • 01/06/2017-28/02/2022