Projetos de Pesquisa

 

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Solange Maria Leder

Ciências Sociais Aplicadas

Arquitetura e Urbanismo
  • percepção e sensação de conforto térmico e lumínico em grupos vulneráveis: estudo com crianças do ensino fundamental
  • O bem estar dos indivíduos, mais do que uma condição desejável, é um aspecto indispensável à saúde das populações, sobretudo considerando a definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), na qual, a saúde não é somente a ausência de afecções e enfermidades, mas um estado de completo bem-estar físico, mental e social. Globalmente, 23% das mortes em geral deve-se a fatores ambientais (PRUESS-UESTUN, 2016), incluindo-se nesse percentual as condições ambientais desfavoráveis ao bem estar dos seres humanos, como situações de desconforto térmico, falta de contato com a ventilação e luz natural, entre outros. Assim, o conforto térmico não é apenas uma estado de satisfação do individuo, mas uma condição indissoluvelmente relacionada com a saúde (Ormandy e Ezratty, 2012). Em relação à iluminação, sabe-se que o bem estar das populações depende também do contato com a luz natural. A luz natural influencia diretamente na saúde humana, sua importância extrapola os limites da visão: funções biológicas, hormonais e psicológicas cruciais para a vida são coordenadas por ciclos regulados pela luz do dia (VEITCH e GALASIU, 2012; ARIES et al., 2015). Crianças, adultos e idosos apresentam limites de tolerância térmica e lumínica distintos (NOVIETO;ZHANG, 2010). As pesquisas sobre conforto tem tido, normalmente, como objeto de estudo populações adultas, com poucas contribuições considerando a população infantil, embora seja sabido que a idade, o nível de educação e a bagagem cultural diferem significativamente entre adultos e crianças, assim como, há diferenças na taxa metabólica de adultos e crianças (JIANG et al., 2018). Segundo a definição da OMS (WHO, 2018) indivíduos até 19 anos de idade são considerados crianças, sendo a faixa entre 10 a 19 anos atribuída aos adolescentes. Como indivíduos ainda não fisiologicamente e psicologicamente maduros, as crianças possuem poucas possibilidades de regulação e adaptação às variações da temperatura do ar, sendo consideradas populações vulneráveis pela OMS e, por isso, merecem atenção especial, já que possuem necessidades especificas. Tendo em vista que informações sobre as sensações de conforto coletadas de estudos com adultos não podem ser generalizadas, já que na infância o organismo apresenta um comportamento diferenciado do adulto, é importante a realização de estudos que compreendam a sensação e percepção de conforto e bem estar desse público. Assim, este estudo pretende investigar o conforto térmico e lumínico de crianças com idade entre 8 e 12 anos, alunos de ensino fundamental. O objetivo principal é identificar as condições térmicas e lumínicas em que ocorre a sensação e a percepção de conforto e, especialmente, procurar identificar os limites, frente às oscilações climáticas, nos quais usuários adaptados ao clima quente-úmido e semiárido relatam a sensação de conforto. Como justificativa dessa pesquisa destacam-se o bem estar como condição indissoluvelmente relacionada à saúde das populações. Nesse contexto, destaca-se a carência de dados, normas e ferramentas específicas para analisar o conforto térmico e lumínico de indivíduos com idade infantil, assim como, a precariedade de dados dessa natureza focados em ambientes localizados no clima quente e úmido e semiárido. Também se destaca o consumo de energia das edificações, que é fortemente impactado pela necessidade de conforto térmico e lumínico. O método adotado para esta pesquisa integra observações in loco com levantamento de campo, obtendo variáveis subjetivas, individuais e microclimáticas, associada posteriormente à modelagem e inferência estatística. A principal característica dos procedimentos metodológicos a serem adotados é a simultaneidade (no tempo e no espaço) na concretização da coleta de dados – tanto os quantitativos (provenientes do monitoramento e registro das condições físicas e ambientais) quanto os qualitativos (provenientes das respostas dos ocupantes ao questionário). Na análise e modelagem dos dados, serão adotados múltiplos métodos e técnicas estatísticas, a fim de possibilitar inferências representativas para a população. O desenvolvimento da pesquisa é constituído pelas seguintes etapas: a) Revisão da literatura sobre conforto térmico e lumínico considerando estudos com foco em indivíduos em idade infantil, objetivando situar o estágio de conhecimento já desenvolvido e identificar lacunas e focos a serem investigados. Assim como, identificar e refinar os procedimentos operacionais adotados na coleta dos dados das variáveis ambientais e na aplicação de questionários; b) Escolha das variáveis a serem obtidas e caracterização do objeto empírico, formulação dos questionários e estudo piloto; c) Pesquisa de campo: registro e monitoramento das variáveis ambientais térmicas e lumínicas e aplicação de questionários com os indivíduos em estudo para a identificação dos votos de sensação e preferência térmica e lumínica, além de outras informações a respeito das características pessoais e comportamentais (de adaptação); d) Tabulação dos dados coletados na pesquisa de campo. Análise estatística, apoiada em testes e formulações estatísticas baseados na Teoria Inferencial; e) Análise dos dados, correlacionando modelos preditivos de conforto térmico e parâmetros de conforto lumínico, com a percepção do usuário, bem como outras variáveis quantitativas e qualitativas levantadas no estudo; f) Discussão e conclusão.
  • Universidade Federal da Paraíba - PB - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022