Projetos de Pesquisa

 

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William de Castro Borges

Ciências Biológicas

Parasitologia
  • o trato digestivo do schistosoma mansoni como interface parasito hospedeiro – fonte de novas moléculas alvo para o diagnóstico da esquistossomose?
  • A esquistossomose é uma doença tropical negligenciada que acomete cerca de 240 milhões de pessoas em 78 países ao redor do mundo, incluindo o Brasil. Aqui, a doença causada pela espécie Schistosoma mansoni acomete cerca de 1% da população brasileira (cerca de 2.130.000), segundo dados recentes da Fundação Oswaldo Cruz. Além de ser responsável por cerca de 500 mortes anuais somente no Brasil a esquistossomose encontra-se atrelada à uma alta morbidade. Um fator importante que contribui para a alta incidência da doença refere-se aos testes de diagnóstico existentes que ainda carecem de sensibilidade e especificidade, particularmente na detecção de casos de baixa parasitemia. Estima-se que 20 a 30% das infecções ativas passem despercebidas em exames rotineiros para detecção de ovos nas fezes, levando ao diagnóstico tardio da doença com consequente comprometimento visceral para o paciente. Um melhor entendimento dos mecanismos envolvidos na interação parasito-hospedeiro poderia apontar moléculas de interesse para o diagnóstico da infecção. Nos últimos anos nosso grupo de pesquisa vem concentrando esforços para a caracterização da glândula esofagiana de S. mansoni e S. japonicum. Como parte integrante do tubo digestivo desses vermes o lúmen esofágico constitui uma importante interface parasito-hospedeiro devido à demonstrada acessibilidade a anticorpos circulantes. De particular interesse para essa proposta é o fato dele ainda representar um sítio onde complexas interações entre as secreções esofagianas e células sanguíneas são conduzidas, dando início ao processamento sanguíneo. Neste contexto, esse projeto pretende por meio de uma abordagem proteômica em larga escala, identificar secreções esofagianas como possíveis biomarcadores de infecção por S. mansoni em soro e urina durante a ocorrência da esquistossomose humana. Dados recentes do nosso laboratório demonstraram por meio de quantificação absoluta que algumas proteínas da glândula esofagiana, particularmente as de menor massa molecular, apresentaram alta taxa de síntese e secreção atingindo cerca de 475 milhões de cópias por célula. Devido à essa magnitude de síntese tais moléculas foram passíveis de serem identificadas no sobrenadante de cultura de vermes após eventos de regurgitação constantemente realizados pelo parasito. A identificação de tais proteínas em fluidos como sangue e urina poderá revelar novos biomarcadores específicos de infecção ativa e dessa forma contribuir sobremaneira no aperfeiçoamento de testes diagnósticos para a esquistossomose.
  • Universidade Federal de Ouro Preto - MG - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022