Projetos de Pesquisa

 

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Sara Raquel Fernandes Queiroz de Medeiros

Ciências Sociais Aplicadas

Planejamento Urbano e Regional
  • habitação social no rio grande do norte: do banco nacional de habitação ao programa minha casa minha vida
  • Os estudos sobre política habitacional tiveram larga repercussão na produção acadêmica dos anos 1970 e meados de 1980. Com o desmonte da política habitacional do BNH no final da década dos anos 1980, foi vivenciado um esvaziamento desse debate. A partir de 2009, com a institucionalização do Programa Minha Casa Minha Vida, a temática da habitação retorna às agendas de pesquisa. No entanto, o recorte espacial, notadamente nas grandes cidades e regiões metropolitanas, onde se insere o maior número de unidades habitacionais, persiste em figurar majoritariamente nos focos dos trabalhos. Trata-se de uma escala analítica que, por um lado, é válida em virtude da sua representatividade, mas que, por outro, deixa de fora muito do que foi produzido em pequenas e médias cidades. Se esta produção não é tão impactante para os grandes números, por certo é significativa para os territórios abrangidos. Assim, para compreender o fenômeno em sua totalidade, é importante que haja estudos em outras escalas, incluindo a perspectiva dos municípios não inseridos em regiões metropolitanas. Nesse sentido, cabe, aqui, a proposta de trabalhar na escala da unidade da federação, Rio Grande do Norte (RN), em um resgate da produção no âmbito da política habitacional para as faixas de menor rendimento, com apreciação dos conjuntos habitacionais frutos do Banco Nacional da Habitação (1964 a 1986) e do Programa Minha Casa Minha Vida) – 2009 a 2017. A relevância e o impacto do projeto consistem, principalmente, em incluir as dinâmicas das pequenas e médias cidades no cenário instituído pela promoção pública de habitação. Na perspectiva territorial, explora os conjuntos habitacionais e a cidade, considerando a inserção urbana; a oferta de serviços e infraestrutura; o uso e ocupação do conjunto e a valorização imobiliária. Destaca-se, ainda, a perspectiva de uma análise comparativa entre a produção no período militar e no período democrático, identificando continuidades, avanços e retrocessos da produção pública na habitação social. A pesquisa engloba os estudos já realizados para Natal e para a região metropolitana, onde se concentram não apenas as estruturas de apoio organizacional dos negócios e suas elites, como também o aparato do poder estadual, e é onde a produção habitacional ocorreu e dá-se em maior intensidade. No RN, grosso modo, figuram dois mundos: um que se beneficia do turismo, da fruticultura irrigada e de todo um aparato de modernização; e outro que, à margem desse crescimento econômico, sobrevive nas favelas, vilas e loteamentos irregulares – notadamente de Natal e entorno – e nas áreas desprovidas de recursos hídricos e desassistidas de políticas públicas estratégicas. Esse contraste entre “dois mundos” define o que se denomina gestão do território neste que é um dos estados mais pobres do país e que, há muito tempo, foi relegado a papel secundário pelas tradicionais oligarquias nacionais e locais. Antes, o RN era apenas um espaço para a produção agroexportadora (em particular, do algodão), para isso tendo sido necessária apenas alguma infraestrutura hídrica e de transporte. As persistentes secas do semiárido, que ainda predominam em porção considerável do território estadual, assim o requeriam. Nos tempos áureos da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), o esforço para dotar o estado com algum desenvolvimento urbano-industrial impulsionou investimentos em eletrificação, sistema viário, telecomunicações e habitação. Ressalta-se, ainda, que a concentração da produção habitacional em Natal e Mossoró reflete a política implementada no estado. O Plano de Ação do Governo (1976 – 1979), em sua Estratégia de Integração Espacial, destaca que as regiões Litoral Oriental (com sede em Natal) e dos Vales Ocidentais (sediada em Mossoró) devem constituir-se em entidades espaciais compensadoras e estruturantes do espaço estadual. A habitação foi inserida no eixo de Integração Social, convergente com a estratégia de crescimento econômico, buscando cumprir as funções de melhoria das condições habitacionais e o emprego de mão-de-obra. Essa era uma estratégia adotada desde o governo de Walfredo Gurgel (1966 a 1971), quando a atuação da COHAB/RN no interior do estado esteve condicionada à institucionalização de projetos de apoio ao desenvolvimento econômico, nomeados a partir das microrregiões, tais como: Projeto Seridó e Projeto Alto Oeste. A forma como é estabelecida essa articulação com os diferentes produtores do espaço urbano dá-se com estratégicas específicas, a depender do desenho da política. No período do Banco Nacional da Habitação, o papel das Companhias de Habitação era o de exercer um controle e um planejamento das obras realizadas. No que se refere ao Programa Minha Casa Minha Vida, essa política é esvaziada de um planejamento mais estratégico e da atuação dos estados e municípios, ficando a cargo das construtoras (e da CAIXA) grande parte das decisões. Os desenhos das políticas têm influência direta nas tipologias, qualidade construtiva e inserções urbanas dos empreendimentos realizados. O pequeno número de habitantes, a inserção próxima ao tecido urbano consolidado e o poder aquisitivo da população geram diferenças significativas na apropriação e uso da moradia pelos beneficiados dos pequenos (e médios) municípios no RN. A equipe conta com pesquisadores que dedicaram grande parte da sua formação na compreensão e análise da política habitacional e do desenvolvimento urbano e que têm produção científica estabelecida nacional e internacionalmente. Os procedimentos metodológicos apresentam estratégias variadas para coleta, sistematização e apreciação dos dados e informações. A pesquisa possui a capacidade de inovar nos estudos sobre habitação, em diferentes escalas e temporalidades, e os produtos serão ferramentas importantes para os estudos sobre habitação e como suporte para a gestão de políticas públicas urbanas e regionais.
  • Universidade Federal do Rio Grande do Norte - RN - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022
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Sarah Alves Auharek

Ciências da Saúde

Farmácia
  • avaliação dos efeitos do ácido tereftálico na modulação da função testicular em camundongos expostos in útero e durante a lactação
  • Sabendo que o epitélio seminífero é muito susceptível a alterações causadas por desreguladores endócrinos e que, no período de desenvolvimento testicular, existe uma janela susceptível a estes agentes, a principal contribuição científica do presente projeto é investigar a ação do ácido tereftálico na função testicular, nos períodos gestacional e lactacional. Estudos prévios de nosso grupo de pesquisa obtidos durante do mestrado do aluno Gustavo Nazareno (dados não publicados) demonstraram que camundongos expostos a alta dose de TPA no período gestacional apresentam redução do peso testicular. Contudo, de maneira interessante, existe uma recuperação compensatória deste parâmetro quando os animais são avaliados aos 70 dias (maturidade sexual). Assim, partindo do conhecimento que o ácido tereftálico representa um dos três isômeros de posição do ácido ftálico, e que os ftalatos são notavelmente conhecidos como desreguladores endócrinos, faz-se necessário o estudo da função testicular de animais expostos ao TPA com o objetivo de compreender se este monômero contribui para a síndrome da disgenesia testicular, contribuindo assim para o surgimento do câncer testicular e consequentemente do comprometimento da qualidade do material genético e da morfogênese dos espermatozoides. Sabendo que a sobrevivência da espécie está intimamente relacionada a sua habilidade de transmitir o genoma, o estudo do papel do ácido tereftálico na modulação da função testicular é um dos focos do presente projeto de pesquisa que pretende investiga-lo como um potencial desregulador endócrino.
  • Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - Campus JK - MG - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022
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Sarita Albagli

Ciências Sociais Aplicadas

Ciência da Informação
  • ciência aberta e cidadã e os desafios da mudança climática
  • O projeto tem como objetivo geral prospectar, caracterizar e debater formas e práticas emergentes de articulação entre dados abertos de pesquisa e ciência cidadã -- duas vertentes do movimento pela ciência aberta que vêm ganhando crescente evidência --, suas possibilidades e limites, com foco em ações e experimentações orientadas para mitigação e adaptação aos processos atuais de mudança climática. Especificamente visa-se a: a) situar, nos eixos temáticos pertinentes, o estado da arte sobre as principais linhas interpretativas que ajudam a compreender as relações entre o atual regime do clima e o regime de informação e conhecimento em ciência e tecnologia, a partir das novas questões postas pela e à ciência aberta e cidadã; b) explorar e confrontar experiências demonstrativas de distintos formatos e abordagens de ciência aberta e cidadã, especialmente aquelas orientadas para lidar com os desafios da mudança climática, bem os aprendizados com as inovações sociais daí decorrentes; c) investigar, com base em estudo de caso, em que medida o Brasil desenvolve ou tem condições de desenvolver estratégias e iniciativas dessa natureza, observando suas especificidades, capacidades e obstáculos, e extraindo seus ensinamentos para a formulação de agendas de pesquisa e políticas públicas nesse campo. O projeto envolve: (1) construção do quadro teórico-conceitual e sócio-histórico, composto por uma reconstituição da formação do atual regime do clima, seus atores-chave, perspectivas e interesses em jogo, do ponto de vista das questões de informação e conhecimento em ciência e tecnologia que atravessam esse processo; bem como reconhecimento, sistematização e discussão de diferentes correntes de pensamento no campo da Ciência da Informação em diálogo com Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia, os Estudos “Decoloniais” e Estudos “Subalternos” e áreas adjacentes; (2) identificação e tipificação de experiências e práticas demonstrativas distintos formatos de ciência cidadã e dados abertos, particularmente em estratégias de mitigação e adaptação à mudança climática, caracterizando e tipificando seus principais traços.; (3) desenvolvimento de estudo de caso na forma de pesquisa-ação; (4) sínteses interpretativas.
  • Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - DF - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022