Projetos de Pesquisa

 

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Silvia Morales de Queiroz Caleman

Ciências Sociais Aplicadas

Administração
  • resiliência e sustentabilidade do modelo cooperativo: uma análise da emergência e ciclo de vida de cooperativas agropecuárias do estado de mato grosso do sul
  • Cooperativas são formas de ação coletiva em que as pessoas, de forma conjunta, buscam executar ações que seriam custosas ou inconcebíveis de se executar individualmente (STAATZ, 1984). De acordo com a OCB (2017), a cooperativa é uma organização mútua, gerida de forma democrática e participativa, com objetivos econômicos e sociais comuns cujos aspectos legais e doutrinários são distintos de outras sociedades. As cooperativas têm sua essência pautada nos princípios historicamente constituídos de Rochdale. Porém, ao longo dos anos, foi necessária adaptação por parte dessas organizações a fim de sobreviverem ao mercado cada vez mais competitivo. Essa adaptação fez com que muitas cooperativas buscassem um modelo alternativo, sem perder sua base tradicional, mas que pudesse torná-las mais competitivas. Esses novos modelos de cooperação são observados no Centro-Oeste do Brasil, especialmente no Mato Grosso, como atestado por Chaddad (2017), sendo denominadas de “cooperativas de nova geração”. A emergência de novos modelos de cooperativas em áreas de fronteira do agronegócio apresenta algumas particularidades. Ao contrário do sul do Brasil, região onde as cooperativas são de grande porte e formadas por pequenos produtores, no Centro-Oeste observa-se a criação de cooperativas de menor porte que são constituídas por grandes produtores. Essa dinâmica é também observada em Mato Grosso do Sul, cujo cenário de cooperativas agropecuárias apresentou mudanças nos últimos anos. Constata-se a entrada no Estado de cooperativas tradicionais da região Sul-Sudeste do país e a emergência de novos modelos de cooperativas nos moldes do que se observa no Mato Grosso. Como resultado, é natural esperar que cooperativas locais estejam sendo forçadas a rever suas estratégias, de modo a garantir sua participação no mercado. No entanto, algumas cooperativas não são bem-sucedidas e acabam por finalizar suas atividades, enfrentando a dissolução e liquidação da sociedade. Esses fenômenos fazem parte do ciclo de vida das cooperativas, o qual apresenta particularidades em comparação com o ciclo de vida das empresas mercantis, merecendo um olhar atento da academia (COOK, 1995; COOK; BURRESS, 2009). Frente a esta realidade, o tema “resiliência e sustentabilidade do modelo cooperativo” faz-se pertinente (ROELANTS et al., 2012; BIRCHALL; KETILSON, 2009). A capacidade de resiliência envolve questões relacionadas à inovação, porém quando se fala em inovação, a perspectiva de análise é comumente centrada nos aspectos tecnológicos. Esta pesquisa, por sua vez, investiga as inovações de ordem organizacional que as cooperativas empreendem em prol de sua resiliência e sustentabilidade. Em síntese, busca-se responder à questão sobre como a inovação organizacional contribui para a resiliência e sustentabilidade do modelo cooperativo. Para isso, objetiva-se identificar o papel da inovação organizacional para a resiliência e sustentabilidade do modelo cooperativo agropecuário. Especificamente, busca-se: i) identificar e caracterizar o ciclo de vida de cooperativas agropecuárias; ii) caracterizar os novos modelos de cooperativas agropecuárias no Estado de Mato Grosso do Sul sob a ótica da separação do direito de propriedade, de decisão e de controle e iii) realizar análise comparativa entre os novos modelos emergentes de cooperativas com cooperativas tradicionais. O ciclo de vida das cooperativas, a emergência de novos modelos cooperativos e as estruturas de governança adotadas (relacionadas à alocação dos direitos de propriedade, de decisão e de controle) são as principais dimensões teóricas e analíticas que norteiam este trabalho. Nesse contexto, a pesquisa inova ao fomentar o estudo das inovações organizacionais em sociedades cooperativas. Para tal, esta pesquisa enquadra-se como exploratória, sob uma abordagem qualitativa, desenvolvendo uma análise institucional comparativa. Quanto ao método de procedimento, a pesquisa será operacionalizada sob a forma de estudo multicaso, com foco na governança de seis cooperativas em Mato Grosso do Sul. Este projeto contará com a participação de docentes de instituições parceiras como FEARP (Observatório do Cooperativismo) e RSM/Erasmus University (Roterdã). Com isso, objetiva-se fortalecer parcerias interinstitucionais e internacionais, fomentando novos projetos de pesquisa científica, a formação de mestres e doutores e ampliar a participação do Estado na Rede Brasileira de Pesquisadores do Cooperativismo.
  • Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - MS - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022
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Silvia Moreira Ayub Ferreira

Ciências da Saúde

Medicina
  • estudo duplo-cego randomizado comparativo do sildenafil no remodelamento reverso do ventrículo direito na insuficiência cardíaca crônica
  • A insuficiência cardíaca (IC) crônica por disfunção sistólica do ventrículo esquerdo (VE) moderada a avançada associa-se à hipertensão pulmonar (HP) secundária em até 70% dos pacientes. Este aumento crônico da resistência vascular pulmonar pode levar a progressiva disfunção do ventrículo direito (VD). A HP correlaciona-se com pior prognóstico da IC, piores desfechos após implante de dispositivos de assistência ventricular esquerda (DAVE) e o transplante cardíaco (TX). Adicionalmente, a disfunção do VD se correlaciona com pior capacidade funcional, sendo um preditor prognóstico independente melhor que o VO2 de pico. O Sildenafil é um inibidor específico da fosfodiesterase-5, que tem alta especificidade de vasodilatação das arteríolas pulmonares, não reduzindo significativamente a resistência vascular sistêmica. Do ponto de vista clínico-terapêutico, melhora a capacidade funcional e, consequentemente, a qualidade de vida dos pacientes com insuficiência cardíaca. Ainda, seu uso no pós-operatório imediato de pacientes com HP submetidos a implante de DAVE parece reduzir a ocorrência de disfunção de VD precoce. Em nosso estudo serão incluídos pacientes com IC crônica e HP com disfunção biventricular não-isquêmica/não-chagásica e tratamento farmacológico otimizado e estável por 01 mês prévio à inclusão. Pacientes elegíveis serão submetidos a ecocardiograma bidimensional com Doppler colorido transtorácico (ECO) e avaliação hemodinâmica por cateter de Swan-Ganz com prova de vasorreatividade pulmonar. Caso verificada presença de hipertensão pulmonar com gradiente diastólico pulmonar >7 e responsividade vascular pulmonar, serão submetidos a ressonância nuclear magnética (RNM) cardíaca para avaliação de função e massa do ventrículo direito e randomizados para o uso de Sildenafil ou placebo na titulado até uma dose máxima de 150mg ao dia e terão seguimento por 06 meses após o que serão repetidos as medidas hemodinâmicas com Swan-Ganz e a RNM cardíaca. O objetivo primário deste estudo é estudar o efeito do Sildenafil no aumento do VO2 de pico e no remodelamento reverso do VD à partir da redução do índice de massa ventricular direita (IMVD) calculada pela RNM cardíaca em pacientes com disfunção biventricular com HP secundária. Os objetivos secundários são estudar o efeito da estratégia terapêutica empregada em relação à função ventricular direita pelo ECO, medidas hemodinâmicas e os níveis de biomarcadores (BNP, troponina e acetona exalada e micro RNAs) após 06 meses do uso do fármaco. Um tratamento farmacológico que possa reverter total ou parcialmente a disfunção do VD tem potencial de aumento de sobrevida, melhora dos desfechos de TX e de implante de DAVE de longa permanência. Até o presente momento, não temos conhecimento de estudos que tenham avaliado a melhora da função do VD após intervenção com Sildenafil no cenário da IC.
  • Universidade de São Paulo - SP - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022
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Silvia Nogueira Chaves

Ciências Humanas

Educação
  • tecendo composições entre autobiografia, formação, docência e arte na escola
  • O Projeto Tecendo composições entre autobiografia, formação, docência e arte na escola, consiste em uma proposta de pesquisa-intervenção, que inova nos modos de pensar formação e docência como devir, processos cambiantes que não se deixam aprisionar por um conjunto de regras a serem seguidas, mas que carecem de inventividade para manter o viço, a vitalidade na impermanência do mundo. Tal proposta vem sendo pensada a partir de estudos desenvolvidos em algumas universidades (dentre elas a própria UFPA e a UFSC com quem temos estabelecido parcerias) no campo da formação docente que articulam linguagem, cultura e produção de subjetividade tomando como base narrativas autobiográficas que transversalizam modos de pensar a formação como um processo estético de criação através da arte. A integração/discussão dessas temáticas trazem possibilidades de avanços científicos para a pesquisa no âmbito da formação docente e, por certo, contribuirão para repensar as ideias e ações para a Educação em nosso país. As questões que orientam a investigação que propomos podem ser assim sintetizadas: Que práticas educativas inventivas estão presentes (e talvez marginais) no cotidiano escolar e em seu entorno social? Que contribuições práticas de formação e docência inventivas podem reunir para pensar e enfrentar os desafios sociais, ambientais, culturais e políticos que nos chegam no tempo presente afetando os modos de educar? Como pela arte se pode sacudir a quietude de práticas educativas acomodadas, potencializando a docência como campo de experimentação, reinvenção e não de regulação pedagógica? Atentos a essas indagações objetivamos: Cartografar práticas pedagógicas inventivas presentes no cotidiano da escola básica e seu entorno social instaurando e ampliando permutas entre escola e comunidade, valorizando a cultura local; Experimentar vivências e produções artístico-pedagógicas em processos de formação inicial e continuada de professores da Educação Básica, particularmente dos anos iniciais de escolarização e de Ciências e Biologia, uma vez que parcela significativa dos pesquisadores envolvidos nessa proposta lida com estes segmentos de formação; Investigar como formação e docência atravessadas por vivências artísticas podem contribuir para pensar e viver formação e docência como campo de experimentação e não de regulação pedagógica. Em termos metodológicos, as ações deste projeto desenvolvem-se de forma rizomática, ou seja, conectam-se todas umas as outras em diferentes pontos, acolhem a multiplicidade e a heterogeneidade compondo assim um plano em que o mergulho autobiográfico como invenção de si transita pelas diversas linguagens artísticas, num processo de desestabilização de fronteiras e normatividades estéticas, uma poética do devir que deseja libertar as subjetividades para a criação da vida na arte e da arte na vida como ação cultural. Assim, propomos nossas ações distribuídas num Ateliê Rizomático de Autobiografia Poética cujos platôs são o teatro, a música, a escrita criativa, o áudio-visual e as linguagens digitais. Serão oferecidas 30 vagas para participação no ateliê rizomático. Tais vagas serão distribuídas em 3 escolas, duas nas capitais (Belém e Florianópolis) e 1 em Bragança, no interior do Estado do Pará, desdobrando-se por todas em todos os platôs acima enumerados, de forma que os encontros se distribuam num fluxo que propicie conexões interdimensionais, interpessoais e interinstitucionais. A ideia é que os grupos que desenvolverão os diferentes platôs conheçam-se uns aos outros e tenham momentos de partilha de processos criativos ao longo do calendário deste projeto. Os profissionais que compõem a rede de pesquisa são oriundos e atuam em múltiplas áreas de formação tais como: biologia, matemática, pedagogia, letras, tecnologias da comunicação, filosofia, artes... e se conectam por operarem com perspectivas teóricas de autores ligados à filosofia da diferença para os quais a arte é um produção “ativa, inventiva que arrasta o corpo, o pensamento, a vida, para mundos desconhecidos, mundos capazes de serem gestadores de possíveis (...) produzindo e criando sensações que podem inventar mundos fora da pobreza da experiência e dos padrões de racionalidades instrumentais” (CHAVES e BRITO, 2014: 378). Além disso, tais pesquisadores têm em comum práticas profissionais e de pesquisa de fronteira, nas quais há borramento dos limites disciplinares do saber. São pesquisadores que transitam e lidam de forma integrada com seus múltiplos campos de formação e atuação profissional. Essas características são essenciais para o desenvolvimento da proposta, uma vez que seu caráter multidisciplinar atravessa a formação sem se limitar a pensá-la como promotora de competências cognitiva, técnica, mas como processo ético-estético, que se produz na relação consigo e com ou outros.
  • Universidade Federal do Pará - PA - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022
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Silvia Pereira de Castro Casa Nova

Ciências Sociais Aplicadas

Administração
  • empreendedorismo promovendo mudança social, cultura e desenvolvimento econômico
  • Apesar de sua importância, relativamente poucos trabalhos de pesquisa têm se dedicado a examinar a realidade das micro e pequenas empresas (MPE) e propor soluções para seus problemas. Seus problemas são específicos e diferentes dos problemas e desafios das empresas de grande porte (Bortoli Neto, 1980) e a deficiência gerencial administrativa pode ser um fator relevante na continuidade e sucesso desses empreendimentos (Casa Nova, 1996). Adicionalmente, o processo de gestão das MPEs poderia ser “apoiado e facilitado pelas informações geradas pela contabilidade” apesar de que “comumente, as informações fornecidas pelos escritórios [de contabilidade] distanciam-se daquelas demandadas pelos usuários” e que poderiam efetivamente apoiar as decisões relativas ao negócio (Silva, 2015). Esse quadro se acentua se considerarmos o caso de empreendedores não tradicionais (Aylward, 2007) e de mulheres empreendedoras que ocupam um importante papel no crescimento de suas economias, especialmente em casos em que um alto potencial esteja presente, ou seja, de mulheres que liderem negócios que sejam inovadores, atendam um mercado em expansão e seja orientados à exportação (Terjesen e Amorós, 2010). Empreendedores são influenciados pelas condições de negócios do ambiente em que se encontram, sendo o ecossistema de suporte ao empreendedorismo essencial para o incentivo à criação e o apoio à evolução de micro e pequenas empresas. Diferentes países contam com ecossistemas diferenciados (Global Entrepreneurship Monitor). Os empreendedores são influenciados por um ambiente de negócios instável, que é altamente regulado e burocrático nas etapas críticas de gestão de um negócio, desde o estágio inicial até o final. Ahl (2006) descreveu que algumas das instituições formais e condições culturais adicionam barreiras para mulheres quando iniciam ou expandem seus negócios. Portanto, em sociedades que não prevaleçam incentivos para mulheres como modelos de liderança, o desenvolvimento de mulheres de alto potencial é limitado. A proposta de pesquisa é estudar como empreendedores identificam e desenvolvem oportunidades que se tornam negócios nascentes, com base no modelo teórico proposto por Ardichvili et al. (2003) e, para explorarmos na continuidade do projeto, se há e quais são as diferenças entre empreendedores homens e mulheres em negócios tradicionais e não tradicionais. E por fim, como a contabilidade pode apoiar a criação, a implementação e a gestão de empreendimentos. Buscaremos entender como os fatores propostos nesse modelo teórico se aplicam à realidade por meio do estudo de casos exemplares. Aylward (2007) define o termo tradicional levando em consideração setores em que as mulheres têm presença preponderante no início dos negócios, como por exemplo, serviços, varejo e relacionados ao cuidado (caring). Por outro lado, mulheres empreendedoras não têm sido encontradas por exemplo em setores como o de alta tecnologia. Esse seria, portanto, exemplo de um negócio não tradicional para mulheres (p. 3-4). Aplicamos a lógica reversa para empreendedores homens, ou seja, setores com prevalência feminina são considerados não tradicionais para eles. Desse modo, a definição de negócio não tradicional nessa pesquisa, leva em consideração um recorte de gênero. Acrescentaremos à definição de negócios não tradicionais os negócios sociais e culturais que, por fazerem parte de uma realidade recente, ainda não apresentam evidências que permitam afirmar se são tradicionalmente masculinos ou femininos. Assim, foram incluídos na pesquisa como não-tradicionais independentemente de gênero. Por fim, tendo em vista que o ecossistema de apoio ao empreendedorismo pode ter um peso essencial no sucesso do negócio, propôs-se um estudo comparativo entre Brasil, Portugal e Estados Unidos, países que estão em estágios bastantes distintos em relação a esse ecossistema.
  • Universidade de São Paulo - SP - Brasil
  • 01/06/2017-31/05/2021