Projetos de Pesquisa

 

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Suênia Cibeli Ramos de Almeida

Ciências Agrárias

Agronomia
  • laboratórios de inovação social para o fortalecimento e sustentabilidade dos arranjos produtivos locais da agricultura familiar no noroeste de minas gerais
  • A Embrapa, desde 2001, vem participando do processo que instituiu o movimento pela Tecnologia Social visibilizado por meio do concurso coordenado pela Fundação Banco do Brasil (FBB), com 31 tecnologias sociais, entre produtos e processos sociais, certificadas e registradas, contribuindo efetivamente para o fortalecimento de comunidades e organizações da agricultura familiar e camponesa, em diferentes regiões do país (BANCO DE TECNOLOGIAS SOCIAS-FBB, 2018). A Região Noroeste de Minas Gerais é subdividida em duas microrregiões e reúne 19 municípios, considerada uma extensão da fronteira de ocupação do Cerrado e destaca-se por sua importância na agropecuária mineira. Concentram-se no Noroeste 23,4% da produção agrícola, 17% do rebanho bovino e 21,8% da produção leiteira estadual. A região é uma das que mais modernizaram sua agricultura nos últimos 20 anos (IPEA, 2001). Existe um total de 18.859 estabelecimentos rurais no território, sendo que, destes (72,55%) são familiares (IBGE, 2014). No território concentra-se o maior número de Projetos de Assentamentos da Reforma Agrária de Minas Gerais: são 59 projetos com 4.012 famílias, 15 projetos Bancos da Terra e Paraterra com 249 famílias e 18 acampamentos com 814 famílias, num total de 5.257 famílias (COLEGIADO TERRITORIAL/APTA/SDT/MDA, 2010). Entre as principais atividades exploradas pelos agricultores familiares da região destacam-se as aves, as lavouras temporárias, com destaque para o milho; a produção de leite e a horticultura. Respectivamente, 73%, 68%, 55% e 38% dos estabelecimentos familiares da região exploram essas atividades. Em virtude da importância da agricultura familiar e da reforma agrária na região, a Embrapa e diversos parceiros vêm desenvolvendo ações, com o objetivo de gerar informações técnicas, sociais e econômicas para apoiar o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar (XAVIER et al., 2009a). Apesar da importância do leite como fonte de renda, sua comercialização é concentrada entre poucos agricultores (GASTAL et al., 2014). Aproximadamente 24% dos agricultores comercializam 70% do leite proveniente da agricultura familiar de Unaí. Há esforços dos agricultores para diversificar suas relações com os mercados, sobretudo por meio da venda de frutas, aves e ovos, olericultura e mandioca (SOUZA et al., 2014; XAVIER et al. 2016). Esses esforços, contudo, apresentam grandes desafios para a sua consolidação, principalmente, relacionados ao baixo nível de organização social (SABOURIN et al., 2007), que compromete essas iniciativas, assim como dificulta a potencialidade de políticas públicas, tais como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), entre outras. Outro problema identificado é a concentração da produção leiteira, que é a mais estruturada, assim como a baixa inserção em outras cadeias, que necessitam de estruturação. Aos problemas anteriores, acrescenta-se a baixa disponibilidade de serviços de assistência técnica, sobretudo, para apoiar iniciativas de grupos de agricultores, articulando o apoio técnico para produção às questões de organização e de comercialização dos produtos (OLIVEIRA et al., 2009). Neste cenário, identifica-se como principais problemas: a baixa inserção produtiva dos agricultores familiares para configurar seus Arranjos Produtivos Locais (APL) e a baixa sustentabilidade (viabilidade econômica, prudência ecológica, promoção social) dos estabelecimentos da agricultura familiar da região. Nesse contexto, o presente projeto tem como objetivo a ampliação e desenvolvimento dos Laboratórios de Inovação Social para a co-criação de tecnologias adaptadas como soluções integradas para o fortalecimento dos arranjos produtivos locais da agricultura familiar no território do Noroeste de Minas Gerais. Os laboratórios de inovação são espaços voltados para a construção coletiva de experimentações envolvendo agricultores familiares, pesquisadores e agentes de desenvolvimento. Tais laboratórios são ancorados em uma Rede Sociotécnica Local que articula um conjunto de instituições e funcionam através de um processo definido e integrado baseado nas seguintes ações: a) Realização de diagnósticos dos arranjos produtivos (identificação e demarcação dos desafios); b) Construção coletiva dos planos de inovação (avaliação e priorização dos desafios e identificação de possíveis soluções); c) Realização de Oficinas de Co-criação de tecnologias sociais (co-criação de soluções); d) Implantação e dinamização das Unidades de Aprendizagens (implantação das soluções nos diferentes estágios dos APL); e) Acompanhamento e avaliação do impacto das Unidades de Aprendizagem nas diferentes etapas dos Arranjos Produtivos (monitoramento do impacto das soluções nas diferentes etapas dos APL). As tecnologias/soluções devem estabelecer diálogo com diversos temas que envolvam a ampliação da sustentabilidade dos sistemas produtivos e de gestão dos APL considerando suas diferentes etapas. Espera-se com esse processo alcançar os seguintes resultados: 1) Diagnóstico e Planos de Inovação de 4 APL elaborados; 2) Processos e tecnologias adaptados e agentes capacitados por meio de Unidades de Aprendizagem para resolução dos problemas identificados nos diagnósticos; 3) Impactos do processo de construção social da inovação na sustentabilidade avaliados em três níveis: a) dos estabelecimentos que compõem a rede de referência onde serão instaladas Unidades de Aprendizagem; b) dos estabelecimentos de agricultores que comporão os grupos de acompanhamento das U.A. e c) no nível das comunicadas/APL envolvidos no projeto e iv) Laboratórios de Inovação sistematizados.
  • Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - DF - Brasil
  • 01/12/2018-30/05/2021