Projetos de Pesquisa

 

Foto de perfil

Sergio Tulio Neuenschwander Maciel

Ciências Biológicas

Fisiologia
  • farejando com os olhos: como o movimento dos olhos determina a dinâmica neuronal em v1
  • Processos rítmicos parecem essenciais para o controle de informação nos sistemas sensoriais (Schroeder et al., 2010). No bulbo olfatório, oscilações neuronais apresentam relações-de-fase precisas com o ciclo-respiratório (4 - 12 Hz). Surpreendentemente, esses sinais sincrônicos podem coordenar a atividade neuronal de áreas do cérebro muito além das vias olfativas, como o córtex do barril, o córtex pré-frontal e o hipocampo (Moberly et al., 2018). No sistema visual, os movimentos sacádicos dos olhos parecem contribuir, da mesma forma que o ciclo-respiratório, com uma dinâmica temporal bem-estruturada, otimizada para o processamento visual (Otero-Millan, 2008). Neste sentido talvez não seja uma surpresa saber que a atenção visual também opera com um ritmo basal de 8 Hz, como sugere os estudos recentes de Landau e colaboradores (2015). É bem possível que no córtex visual, como no hipocampo, ritmos lentos na faixa de frequências teta determinam a dinâmica neuronal na faixa gama, que sabidamente tem um papel fundamental no processamento atencional (Bosman et al., 2012; Fries, 2015). Até agora, os estudos da dinâmica cortical foram limitados a paradigmas clássicos de atenção encoberta baseados em estímulos visuais artificiais simplificados, como as grades em movimento (Fries, 2015). Pouco se sabe sobre os processos de atenção durante condições naturais. No presente estudo no córtex visual do macaco, propomos atacar precisamente este problema com um paradigma que agrega a observação livre de cenas visuais e eventos capazes de gerar respostas de orientação precisas. Registros simultâneos da atividade neuronal (potenciais de ação e potencial de campo local) serão feitos nas áreas V1 (área visual primária) e V4 de capuchinhos (Macaco-Prego, Spajus libidinosus), durante diferentes estratégias visuais: (1) observação livre de objetos reais ou filmes e cenas estáticas apresentadas em uma tela de computador; (2) observação livre de sequências contendo eventos de sinalização (bottom-up attention); e (3) tarefas de busca visual (detecção de um objeto alvo embutido em um conjunto de objetos distratores exibido na tela do computador, top-down attention). Estímulos serão apresentados durante longos períodos de tempo (100 segundos) para evitar efeitos da repetição de ensaios no comportamento exploratório. Ao longo dos ensaios, respostas de orientação aos alvos corretos serão recompensadas. Comparações serão feitas entre as respostas após sacadas dirigidas a objetos salientes (alvos, condição de atenção) e as respostas após sacadas dirigidas a objetos neutros (distratores, condição de não atenção), e ainda sacadas exploratórias. Nossa análise será centrada na obtenção de métricas de respostas oscilatórias para diferentes bandas espectrais (teta, alfa, beta e gama), e análise de coerência em função dos eventos extraídos dos dados do movimento ocular (sacadas exploratórias, sacadas de orientação). Estes resultados irão contribuir para uma melhor compreensão dos mecanismos bottom-up e top-down durante a visão natural, onde há forte engajamento da atenção.
  • Universidade Federal do Rio Grande do Norte - RN - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022
Foto de perfil

Sergio Verjovski Almeida

Ciências Biológicas

Bioquímica
  • caracterização de uma possível hemolisina iii de schistosoma mansoni
  • Schistosoma mansoni (Platyhelminthes: Digenea: Schistosomatidae) destaca-se como um dos parasitos humanos mais debilitantes no mundo, com um imenso impacto socioeconômico. Embora uma enorme quantidade de estudos tenha focado em vários aspectos da biologia deste parasito, pouco se sabe a respeito de mecanismos moleculares fundamentais envolvidos no processo de alimentação do parasito com sangue. Um agente com ação hemolítica responsável pela formação de poros na membrana dos eritrócitos já foi detectado em homogeneizados de adultos de S. mansoni, mas a identidade da(s) molécula(s) envolvida(s) no processo inicial de lise destas células não foi estabelecida. No presente projeto buscamos elucidar a evolução, estrutura e função biológica de uma nova, putativa hemolisina III (SmHly III) detectada recentemente por nosso grupo por meio da anotação bioinformática de dados de RNA-seq, e que se expressa em estágios intra-molusco e intra-mamífero de S. mansoni. Para caracterizar esta proteína, utilizaremos experimentos in silico, in vitro, in situ e in vivo. Estudos preliminares de nosso grupo indicam que o gene SmHly III codifica uma proteína com 7 domínios preditos de hélices transmembrana. No caso dos adultos de S. mansoni, a proteína poderia possivelmente ser liberada por meio de exossomas das células que revestem o esôfago posterior do parasita, local em que sabidamente são expressas enzimas digestivas do parasita. Na eventualidade de nossos resultados indicarem ausência de atividade lítica e/ou função essencial para a proteína codificada pelo gene SmHly III, a ser estudada, nós prontamente buscaremos recuperar e purificar diretamente a proteína com ação hemolítica que esteja presente no pellet de homogeneizados totais de adultos de S. mansoni, que já foi descrito há mais de duas décadas atrás por outro grupo de pesquisa, e até agora não caracterizado. Em qualquer cenário, nossos resultados contribuirão para a elucidação de uma proteína potencialmente crítica na interação trematódeo sanguíneo-hospedeiros. Se confirmada a sua função hemolítica, a SmHly III representará a primeira hemolisina a ser documentada em uma espécie de Schistosoma, uma descoberta sem precedentes que poderá pavimentar o caminho para promissoras alternativas profilático-terapêuticas para esquistossomose.
  • Instituto Butantan - SP - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022