Projetos de Pesquisa

 

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Yanna Karla de Medeiros Nóbrega

Ciências Biológicas

Microbiologia
  • importância do cd71 e do microbioma intestinal na doença celíaca
  • A doença celíaca (DC) é uma enteropatia autoimune crônica, associada à ingestão de glúten, cuja prevalência mundial é de 1% (FASANO et al., 2003; LOHI et al., 2007; RUBIO-TAPIA et al., 2009). A DC depende de fatores genéticos, ambientais e do glúten. Os genes predisponentes na DC são o HLA-DQ2 e HLA-DQ8 (SOLLID et al., 2005). Acredita-se que outros genes não-HLA contribuem em até 40% para o desenvolvimento da DC; no entanto, os HLA estão presentes em todos os celíacos (SCHUPPAN et al., 2009; SOLLID et al., 2005). Em indivíduos não celíacos, o glúten é clivado, pelas enzimas digestivas, em fragmentos que não desencadearem resposta imunogênica. Em celíacos, a digestão do glúten é incompleta e gera fragmentos de gliadina que iniciam uma resposta imune, levando ao desenvolvimento de alterações morfológicas nos enterócitos, com perda funcional e inflamação com infiltrado de células imunitárias na lâmina própria, além de produção de anticorpos (FERRANTI et al., 2007), iniciando o aparecimento dos sinais e sintomas da DC (ABADIE et al., 2011; HUSBy et al., 2012). Os fragmentos de gliadina passam através da barreira epitelial do intestino para a lâmina própria por vários mecanismos: por via transcelular, onde são endocitados em lisossomos e degradados em pequenos peptídeos não imunogênicos (FASANO et al., 2011); por via paracelular, através da regulação das tight junctions (TJ) que alteram a permeabilidade celular (Heyman e Menard 2009); e por transporte transepitelial através do CD71 (receptor de transferrina e IgA), que é superexpresso nas células intestinais dos celíacos (MATYSIAK-BUDNIK et al., 2008). O CD71 reconhece IgA complexada com gliadina ou seus peptídeos. A IgA é reconhecida na sua porção Fc pelo CD71, que libera essa associação sem processamento na lâmina própria (MATYSIAK-BUDNIK et al., 2008), onde o peptídeo é modificado pela transglutaminase tecidual (tTG) e adquire carga negativa, que aumenta a afinidade com o HLA-DQ2/DQ8 (CAPUTO et al., 2012; SIMON-VECSEI et al., 2012; RAUHAVIRTa et al., 2011). Ainda na lâmina própria, os peptídeos da gliadina são reconhecidos e processados pelas APCs via MHC II, e apresentados às células TCD4 que, ativadas, passam a produzir IFN-γ e IL-15 e diferenciam-se em linfócitos intraepiteliais (IELTs), que infiltram-se entre as células epiteliais da mucosa do intestino. IELTs exibem receptores para células NK, iniciando seu recrutamento, e promovendo destruição do epitélio intestinal, hiperplasia de criptas e atrofia das vilosidades (ABADIE E JABRI, 2014; SOLLID E JABRI, 2013; BARONE et al., 2011). Os genes predisponentes são fundamentais para o desenvolvimento da DC, bem como a ingestão de glúten, e embora 1% da população mundial tenha a doença, os genes HLA-DQ2/DQ8 estão presentes em cerca de 30% da população saudável, que também apresenta risco de desenvolvimento de DC. Além disso, quase a totalidade da população mundial consome glúten. Desta forma, embora existam outros fatores envolvidos na DC, é de extrema relevância identificar em pacientes saudáveis e expostos ao glúten a existência dos genes da DC. Dentre os fatores relevantes no estudo da DC destaca-se a importância da microbiota intestinal, que desempenha um papel na manutenção da inflamação intestinal em doenças crônicas, promovendo a presença de disbiose intestinal em pacientes com DC (CENIT et al, 2015). O intestino humano é colonizado por microbiota complexa, composta de micro-organismos que desempenham múltiplos papéis na saúde humana, e em funções fisiológicas, como motilidade gastrintestinal, metabolismo, nutrição, imunidade e regulação do sistema neuroendócrino (FUKUI et al., 2018). Embora a microbiota apresente variações entre os indivíduos, alguns micro-organismos estão presentes no trato gastrointestinal da maioria dos humanos, como Escherichia coli, Candida albicans e espécies de Lactobacillus (CASTRO et al., 2015). Recentemente, aventou-se a possibilidade de que C. albicans pode desempenhar um papel na persistência ou agravamento das doenças inflamatórias intestinais crônicas (LIMON et al., 2017) via Th17 (ILIEV et al., 2012). C. albicans pode estar também implicada na DC, em sua fase patogênica, expressa Hwp1, uma proteína que induz biofilmes e possui sequência análoga à gliadina e, sendo digerida pela tTG. Pacientes de DC possuem títulos elevados de IgA anti-Hwp1, sugerindo que essa proteína pode estar envolvida na DC (COROUGE et al., 2015). O glúten induz a superexpressão de CD71 e tTG (PAPISTA et al., 2012), e não se sabe se Hwp1 é capaz de induzir o mesmo. Papista et al. (2012) em modelo murino de DC viu que as alterações patológicas do glúten foram reduzidas por Saccharomyces boulardii, capaz de digerir gliadina. Os efeitos anti-Candida de Lactobacillus foram investigados em vários estudos, utilizando diferentes espécies (FALAGAS et al., 2006; SMITH et al., 2012; KANG et al., 2018). Todas inibiram o crescimento de C. albicans, sendo capazes de prevenir (FALAGAS et al., 2006) ou eliminar candidíases vulvovaginais (KANG et al., 2018). Vilela et al (2015) demonstraram que L. acidophilus é capaz de inibir biofilme por C. albicans in vitro, regulando negativamente a expressão de genes de virulência, incluindo Hwp1 (ROSSONI et al., 2018). E Sarno et al (2014) mostraram que Lactobacillus paracasei, são capazes de reduzir a entrada de peptídeos de gliadina em Caco-2, células de adenocarcinoma de cólon humano (LINDFORS et al., 2012) empregadas como modelo para investigações in vitro de DC. Neste trabalho para investigar o papel da microbiota intestinal na DC empregamos Caco-2 e os micro-organismos C. albicans e Lactobacillus. O primeiro por seu possível papel no desencadeamento da doença, a partir da indução da superexpressão de CD71 via Hwp1; o segundo, por sua capacidade de reverter as ações do primeiro, seja pela inibição do crescimento e da formação de biofilmes, ou pela sua capacidade de digerir gliadina.
  • Universidade de Brasília - DF - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022
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Yanne Katiussy Pereira Gurgel Aum

Ciências Humanas

Educação
  • seguir carreira na engenharia: meninas da amazônia, vocês podem!
  • A presença masculina na área de Engenharia, no Brasil e no Mundo, é majoritária. Contudo, a contínua necessidade de evolução nessa área, com desenvolvimento de projetos inovadores para demandas cada vez mais complexas, leva esse fato de encontro ao entendimento de que a diversidade move a inovação. Nesse contexto, a ainda pouca presença de mulheres na Engenharia leva a um falso entendimento de pouca importância que a mulher teve e tem no desenvolvimento de ciência e tecnologia. O contexto social de polarização de habilidades vinculadas ao gênero, masculino e feminino, muito presente ainda na sociedade dificulta a mudança desta realidade. Nesse contexto, o objetivo desta proposta é desenvolver habilidades da área de Engenharia em meninas de escolas públicas de Manaus, por meio de projetos científicos desenvolvidos com parceria Universidade-Escola. Espera-se com esse projeto entender o efeito de treinamentos com meninas de escolas publicas no seu desempenho em matérias de ciências exatas, desenvolver estratégias de incentivo às meninas e mulheres a seguirem carreira na Engenharia e desenvolver produtos para o ensino de ciências exatas no Ensino Básico.
  • Universidade Federal do Amazonas - AM - Brasil
  • 30/12/2020-30/06/2022
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Yara Galvão Gobato

Ciências Exatas e da Terra

Física
  • heteroestruturas e dispositivos semicondutores baseados em materiais bidimensionais (2d)
  • Neste projeto, pretendemos investigar as propriedades ópticas, magneto-óticas e de magneto-transporte de heteroestruturas/dispositivos baseados em materiais semicondutores bidimensionais (2D) tais como metais de transição do grupo VI dicalcogenados (TMDs) do tipo MX2 (M = Mo,W, Re e X= S,Se ou Te). Em particular, pretendemos investigar de forma sistemática propriedades de Física Fundamental usando as técnicas de transporte com luz circularmente polarizada, espectroscopia Raman, fotoluminescência (PL) e magneto-fotoluminescência resolvida em polarização em altos campos magnéticos e com aplicação de gate elétrico. Estamos interessados em estudar efeitos de quebra de degenerescência de “valleys” devido ao campo magnético, efeitos excitônicos, efeitos de orientações de planos cristalinos nas heteroestruturas e de anisotropia nesses sistemas.
  • Universidade Federal de São Carlos - SP - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022
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Yeda Swirski de Souza

Ciências Sociais Aplicadas

Administração
  • avaliação e desenvolvimento de micro fundamentos para o empreendedorismo internacional
  • A economia do conhecimento e criativa têm sido consideradas como contextos favoráveis para novos empreendimentos potencialmente capazes de atender a necessidades locais e, também, a um mercado global. A peculiaridade desses setores está no alcance mundial de suas atividades, favorecida pelas tecnologias de informação e comunicação (Nieto e Fernandez, 2006), pela mobilidade de seus talentos e intangibilidade de seus recursos (Saxenian, 2005) e pela possibilidade da atuação em cadeias globais (Lewin, Massini e Peeters, 2009). A combinação de pessoas talentosas e o acesso a tecnologias de informação e comunicação parecem ser os recursos essenciais necessários para empresas baseadas em conhecimento e inovação se desenvolverem e conquistarem mercados internacionais. No entanto, o que não está claro é, até que ponto, aquelas empresas que iniciam suas atividades em um hub de conhecimento e criação local, tornam-se capazes de operar internacionalmente, mesmo contando com as capacidades técnicas e gerenciais requeridas para lançar produtos e serviços inovadores e potencialmente competitivos. Os estudos sobre internacionalização já apontaram que modelos explicativos para empresas que operam em indústrias tradicionais não se aplicam a empresas baseadas no conhecimento e inovação que se internacionalizam rapidamente (Oviatt; McDougall, 1994, 2005), bem como a necessidade de desenvolvimento teórico e estudos empíricos para o entendimento desse fenômeno no campo dos estudos da internacionalização, do empreendedorismo e da gestão estratégica (Zahra, 2005). Empresas designadas como born global firms, novos empreendimentos internacionais ou startups globais internacionalizam-se com base na inovação, no conhecimento e nas capacidades, buscando posicionar-se no mercado externo no início de sua evolução, apesar de possuírem escassos recursos tangíveis, financeiros e humanos, o que caracterizam a maioria dos novos negócios (Knight & Cavusgil, 2004). Esta proposta toma como fundamento teórico os desenvolvimentos do conceito de capacidades dinâmicas e de seus micro fundamentos. Alinha-se na intenção de preencher lacuna na explicação sobre a combinação de capacidades e as relações entre tipos particulares de conhecimento organizacional, rotinas organizacionais e desempenho em empreendimentos internacionais. Pretende-se, assim, tornar mais claro como elementos em nível de micro fundamentos influem na orientação internacional de empresas baseadas em conhecimento e inovação. Micro fundamentos correspondem a dimensões cognitivas e comportamentais da ação organizacional. São subjacentes às ações em nível individual e em grupo que moldam a estratégia, a organização e, de forma mais ampla, as capacidades dinâmicas (Gavetti, 2005; Eisenhardt, Furr & Bingham, 2010) Assume-se como pressuposto que operar internacionalmente depende de mentalidade gerencial e direcionamento estratégico que fundamentam a apreensão de oportunidades internacionais e o consequente desenvolvimento de estratégia, rotinas e processos. Nessa perspectiva, capacidades dinâmicas (Teece, Pisano & Shuen, 1997; Zollo & Winter, 2002) e uma mentalidade de empreendedorismo internacional (Ireland et. al. , 2001) são necessárias para uma empresa apreender oportunidades, mobilizar recursos e explorar essas oportunidades, mesmo sob condições altamente incertas. Assume-se também que é preciso investigar micro fundamentos para uma análise de capacidades dinâmicas relacionadas com a mentalidade gerencial. A questão central nesse estudo é: Como micro fundamentos subjacentes a ações em nível individual e de grupo favorecem ou limitam o empreendedorismo internacional de empresas baseadas em conhecimento e inovação? Nessa perspectiva, este estudo tem como objetivo geral analisar como os micro fundamentos subjacentes a ações em nível individual e de grupo, atinentes a processos e rotinas organizacionais influem no empreendedorismo internacional. Na perspectiva da contribuição para a teoria, esta pesquisa pretende preencher lacuna no entendimento no processo decisório de atores chave no processo de internacionalização de empresas baseadas em conhecimento e inovação. A investigação sobre micro fundamentos tem sido já explicativa para fundamentar o desenvolvimento de capacidades dinâmicas no escopo dos estudos sobre estratégia. Este estudo pretende estender evidências sobre micro fundamentos para os estudos sobre empreendedorismo internacional. Em uma perspectiva de suas aplicações, o interesse por essa linha de investigação justifica-se pelo crescimento e relevância de empresas baseadas em conhecimento e inovação internacionalmente e, em particular, no Brasil. Diferentes abordagens metodológicas e procedimentos estão previstos para o desenvolvimento desta proposta de pesquisa em suas diferentes etapas. A abordagem de pesquisa nesta etapa será qualitativa e inspirada em estudos da cognição. Em uma segunda etapa, os resultados alcançados na primeira etapa subsidiarão a construção de um questionário para a coletas de dados sobre atitudes e representações sociais sobre capacidades para o empreendedorismo internacional em startups brasileiras. Já, a terceira etapa, em uma abordagem de pesquisa-ação prevê o estabelecimento de metodologia para o desenvolvimento de gestores de startups com foco em aspectos cognitivo-comportamentais favoráveis a internacionalização.
  • Universidade do Vale do Rio dos Sinos - RS - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022
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Ygor Jacques Agra Bezerra da Silva

Ciências Agrárias

Agronomia
  • biogeoquímica de elementos terras raras em solos originados de diferentes materiais de origem ao longo de uma climosequência do semiárido ao clima tropical úmido
  • Elementos terras raras (ETR) são essenciais para a vida moderna. A demanda global por ETR está aumentando anualmente e, consequentemente, o acúmulo desses elementos no solo e no ambiente tem provocado impactos adversos na saúde humana e ambiental, causando preocupação crescente não apenas na comunidade científica, mas em toda sociedade. Os processos biogeoquímicos que influenciam nas concentrações de ETR em solos são complexos e permanecem pouco compreendidos, principalmente em ambientes tropicais. Mecanismos que controlam a absorção de ETR pelas plantas nessas regiões merecem atenção especial, considerando que essas áreas são grandes produtoras de alimentos em todo o mundo. Neste contexto, este projeto objetiva avaliar a biogeoquímica de ETR em solos originados de diferentes materiais de origem ao longo de uma climosequência do semiárido ao clima tropical úmido. Também será estudada a influência dos minerais de argila, estoque de carbono e substâncias húmicas na biogeoquímica de ETR em solos. Serão selecionados quatro perfis de solos originados de diferentes materiais de origem, em cada zona climática de Pernambuco: úmida (Zona da Mata), subúmida (Agreste) e seca (Sertão), totalizando 12 perfis de solos. As rochas serão analisadas em microscópio petrográfico, por microscopia eletrônica de varredura e espectroscopia por energia dispersiva de raios X (MEV/EDS). A composição química total de rochas e solos será determinada por espectrometria de fluorescência de raios X (FRX). As leituras de ETR em amostras de rocha, solo e planta serão realizadas por espectrometria de emissão óptica (ICP-OES), após a digestão total das amostras de acordo com a metodologia da Sociedade Americana de Ciência do Solo. Um difratômetro de raios X (DRX) será usado para identificar os minerais nas diferentes frações do solo. As taxas de intemperismo serão quantificadas por meio do cálculo do balanço geoquímico de massa e da aplicação de índices de intemperismo. Para avaliar o potencial de acumulação de ETR em plantas será calculado o coeficiente de acumulação biológica. A atual proposta se consolidará como o primeiro estudo do Brasil a abordar de forma integrada e detalhada a influência da composição química e mineralógica de diversos materiais de origem, das transformações de minerais e matéria orgânica do solo e de distintas condições climáticas nos processos biogeoquímicos que afetam as concentrações de ETR em solos e a sua assimilação pelas plantas. Os resultados deste projeto serão fundamentais para compreender a dinâmica de ETR em ambientes tropicais e servirão de base para prever e evitar impactos futuros resultantes do acúmulo de ETR no ambiente, bem como para auxiliar no futuro desenvolvimento de legislações específicas no Brasil quanto aos limites de ETR em solos.
  • Universidade Federal Rural de Pernambuco - PE - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022