Projetos de Pesquisa

 

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Alexandre Christofaro Silva

Ciências Agrárias

Recursos Florestais e Engenharia Florestal
  • turfeiras da serra do espinhaço meridional: serviços ecossistêmicos e biodiversidade – turf
  • A proposta de criação do Sítio PELD “Turfeiras da Serra do Espinhaço Meridional: serviços ecossistêmicos e biodiversidade -TURF” foi pautada na importância destes ecossistemas de turfeiras tropicais de montanha para a bacia do Rio Araçuaí, para o Estado de Minas Gerais, para o Brasil e para o Planeta Terra e no histórico de trabalho da equipe que elaborou a proposta. A Serra do Espinhaço Meridional - SdEM faz parte da cabeceira das grandes bacias do leste brasileiro, pois abriga, além das nascentes do Rio Jequitinhonha e de seu principal afluente, o Rio Araçuaí, as nascentes de importantes afluentes do Rio São Francisco, como o Rio Jequitaí e do Rio Doce, como o Rio Santo Antônio. O Rio Araçuaí e o seu maior tributário, o Rio Preto, tem suas cabeceiras na área do sítio PELD TURF. A população da bacia do Rio Araçuaí é de cerca de 320 mil habitantes e depende diretamente de suas águas para abastecimento urbano, atividades agropecuárias (principal atividade econômica) e lazer. Os Rios Jequitinhonha e Araçuaí são os únicos rios perenes do semi-árido do nordeste de Minas Gerais. A equipe do PELD TURF identificou ecossistemas de turfeiras tropicais de montanha na SdEM, formados pela acumulação no tempo e no espaço de matéria orgânica devido a excessiva umidade, poucos nutrientes, baixo pH, e escassez de O2. São ainda pouco conhecidos no Brasil, mas prestam serviços ecossistêmicos (armazenamento de água e sequestro de C, dentre outros) e apresentam biodiversidade peculiar, sendo de extrema importância local, regional e global. Apenas na porção norte da SdEM (cerca de 11.800 km2) foram mapeados 142 km2 destes ecossistemas, que estocam 2,6 milhões t de C e armazenam 1,42 x 108 m3 de água, que daria para abastecer a cidade de São Paulo por 70 dias. A capacidade de armazenar água é conhecida como “efeito esponja”: o excedente hídrico do período chuvoso é armazenado e liberado lentamente no período seco, regulando a vazão dos cursos d’água. Devido à anaerobiose, as turfeiras preservam por milênios materiais orgânicos como polens e micro fósseis. A análise conjunta do material preservado com isótopos de C e N (14C, 13C, 15N), fitólitos e geoquímica permitem inferir mudanças paleoclimáticas locais e regionais desde o Pleistoceno. A SdEM é uma das mais importantes regiões biogeográficas do Brasil, pois é um divisor de dois dos principais biomas brasileiros (Mata Atlântica e Cerrado) e também um dos maiores centros de endemismo de espécies de animais e plantas da América do Sul. Estudos sobre a composição florística das fitofisionomias que colonizam as turfeiras e sua área de recarga, o campo limpo e a floresta tropical tem sido conduzidos pela equipe deste estudo. Entretanto, a região de transição Cerrado/Mata Atlântica abriga grande riqueza e abundância de espécies, suportando comunidades sobrepostas que estariam restritas a ecossistemas isolados. Estima-se que a vegetação nestas áreas represente cerca de 15% da flora vascular do Brasil em menos de 1% do seu território. A fauna da SdEM ainda é pouco conhecida. Após décadas de estudo foram descobertas 11 espécies de anfíbios, 4 de aves, 2 de cobras e uma de mamíferos. Todas estas espécies são raras e estão associadas a estes habitats abertos montanhosos, apresentando algum nível de ameaça. No âmbito de Minas Gerais e do Vale do Jequitinhonha a importância de conhecer o funcionamento destes ecossistemas é, além de estratégica, imprescindível para a qualidade de vida das populações tradicionais. Em 2019, a coleta de sempre-vivas, atividade milenar realizada por populações tradicionais em áreas que abrangem as turfeiras, ganhou reconhecimento da FAO e passou a integrar o grupo dos "Sistemas Importantes do Patrimônio Agrícola Mundial" (Sipam), relevando para o Brasil e o mundo o papel desses ecossistemas para o desenvolvimento sustentável regional. Mas estes ecossistemas têm sido periodicamente atingidos por queimadas para estimular o pastoreio. Tanto as queimadas como o assoreamento reduzem significativamente a biodiversidade local, além causar perda de C via combustão ou dissolvido na água, diminuindo gradativamente o volume das turfeiras, influenciando diretamente na sua capacidade de estocar C e na perenidade e vazão dos cursos d’água. Dados obtidos pela equipe deste estudo durante dois anos mostraram que a vazão específica de uma turfeira protegida por uma unidade de conservação foi superior à vazão especifica de uma turfeira antropizada em área limítrofe. O nível do lençol freático também oscilou muito mais na turfeira antropizada as perdas de C na água foram maiores. Portanto, o monitoramento de longo prazo deve permitir uma melhor caracterização das alterações sazonais e espaciais associadas a vazão, à oscilação do lençol e a saída de C do sistema, proporcionando a criação de modelos matemáticos de previsão de fenômenos relacionados à dinâmica da água e C nestes ecossistemas. Bancos de dados de longo prazo sobre plantas e animais também contribuem para o entendimento de como a antropização e as mudanças climáticas afetam a biodiversidade e o funcionamento dos ecossistemas de turfeiras, subsidiando o desenvolvimento de políticas de conservação. O concomitante monitoramento de ecossistema de turfeira protegida por Unidade de Conservação, o Parque Estadual do Rio Preto (PERP) e de ecossistema de turfeira antropizada, situada no limite do PERP, ambas nas mesmas altitudes, embasadas pelo mesmo substrato rochoso, com relevo semelhante, mesmas condições edafoclimáticas e colonizadas com as mesmas fitofisionomias, torna esta proposta inovadora. A inovação está na quantificação dos efeitos da antropização nos serviços ecossistêmicos (armazenamento de água, sequestro de C, preservação de marcos de mudanças paleoclimáticas) e na biodiversidade, fundamentais para definição de políticas públicas e de estratégias de conservação destes ecossistemas, de extrema importância para as populações regionais, para Minas Gerais, Brasil e Planeta Terra.
  • Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - Campus JK - MG - Brasil
  • 04/02/2021-28/02/2025
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Alexandre Cunha Costa

Outra

Ciências Ambientais
  • impacto das mudanças climáticas nas doenças sensíveis ao clima no semiárido brasileiro
  • Muitas doenças respiratórias, de veiculação hídrica e arboviroses são mais incidentes com variações do clima, por sua distribuição geográfica, sazonalidade e variabilidade interanual, ou seja, são doenças sensíveis ao clima (DSCs). Além disso, o aumento da temperatura e da frequência e magnitude das secas, ocasionadas pelas mudanças climáticas, pode favorecer a propagação de DSCs. Medidas de adaptação ao semiárido vêm sendo aplicadas no Brasil para superar a escassez hídrica, como a construção de reservatórios em rios, a instalação de tanques de captação da chuva e a escavação de poços em comunidades. Uma melhor compreensão do impacto das mudanças climáticas e das medidas de adaptação nas DSCs é essencial para aperfeiçoar o planejamento integrado de recursos hídricos, os planos contra secas e as políticas em saúde pública. A questão central deste projeto é: quais os impactos das mudanças climáticas nas DSCs em populações do semiárido brasileiro? Os objetivos são estudar as associações entre o clima e DSCs, e, em seguida, utilizar projeções climáticas para avaliar o impacto das mudanças climáticas nas DSCs. Um foco especial será dado à seca meteorológica (déficit de chuva, alta temperatura) e hidrológica (baixo volume, baixa qualidade da água dos reservatórios) e os seus efeitos nas DSCs. Os municípios a serem estudados são do Estado do Ceará, que possui 90% do seu território no semiárido. O modelo Soil and Water Assessment Tool (SWAT) será aplicado para a simulação do volume e da qualidade da água dos reservatórios de abastecimento das populações dos municípios. Depois, índices de seca meteorológica e hidrológica serão calculados. A análise das DSCs indicará a associação das mesmas com o clima e o seu potencial preditivo. Serão avaliados os efeitos das secas nas DSCs. Projeções climáticas corrigidas serão utilizadas para avaliar o impacto das mudanças climáticas nas DSCs, considerando os modelos ajustados na análise histórica (eco-hidrológicos e regressivos).
  • Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira - CE - Brasil
  • 04/02/2022-28/02/2025
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Alexandre da Silva Simões

Ciências Humanas

Filosofia
  • mostra nacional de robótica (mnr)
  • A robótica tornou-se nos últimos anos uma importante ferramenta pedagógica interdisciplinar. Sua enorme capacidade de estimular o jovem – naturalmente próximo das novas tecnologias – aliada a sua capacidade de adaptação a diferentes disciplinas dos ciclos fundamental, médio e técnico levaram à proposição nos últimos anos de grande número de trabalhos multidisciplinares em áreas como: matemática, ciências, geografia, artes, línguas, literatura e dança, dentre outras, levando a robótica a se destacar como importante plataforma para a construção do conhecimento por parte do aluno, estimulando novas relações de ensino-aprendizagem e proporcionando aos jovens a oportunidade de experimentar a engenharia e a inovação. A Mostra Nacional de Robótica (MNR), que comemora seus 10 anos de existência, tornou-se o mais importante fórum no país para a apresentação, discussão e divulgação desses trabalhos. O crescimento dessas atividades levou o grupo de pesquisadores responsável pela MNR, OBR, CBR e outros eventos a constituir formalmente no último ano uma entidade sem fins lucrativos, a RoboCup Brasil, que passa a ter a missão de gerir, de forma coordenada e otimizada, esses eventos. Antes dos sucessivos cortes de recursos, a MNR 2017 registrou o recorde anual de 366 trabalhos, com participação de 2.042 pessoas de 390 instituições, de 24 estados no país. A ausência de apoio financeiro no edital 2017 (retomada em 2018) trouxe consequências expressivas para a MNR, que ainda assim vinha mantendo sua média anual de trabalhos. No ano de 2020, contudo, com a interrupção das atividades presenciais nas escolas de todo o país em função da pandemia, a MNR sofreu novo impacto. Foram submetidos à MNR 2020 205 trabalhos por cerca de 500 participantes, e o evento foi realizado no formato virtual. Para 2021, ao mesmo tempo em que paira uma grande insegurança em todo o país no que diz respeito à capacidade de retorno às atividades presenciais, os eventos buscam também novas estratégias para se reinventar, incorporando novos elementos tecnológicos que permitam nova oxigenação em suas atividades. Para 2021, a MNR se propõe a realizar além de sua fase final presencial, mostras regionais virtuais em todo o país, bem como atuar na formação complementar de docentes, vinculada, é claro, à existência de recursos financeiros para tal.
  • Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - SP - Brasil
  • 18/02/2021-28/02/2023