Projetos de Pesquisa

 

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Tatiana Emanuelli

Ciências Agrárias

Ciência e Tecnologia de Alimentos
  • micronização do bagaço de oliva fracionado granulometricamente: aumentando a solubilidade de compostos bioativos para potencializar seu uso na nutrição humana e no arraçoamento animal
  • Vide projeto anexo
  • Universidade Federal de Santa Maria - RS - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022
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Tatiana Helena Rech

Ciências da Saúde

Medicina
  • valor prognóstico do gap glicêmico em pacientes criticamente doentes
  • Alterações endocrinológicas têm mostrado associação com prognóstico de pacientes criticamente doentes (1). A hiperglicemia é uma resposta metabólica compensatória ao estresse agudo e sua presença reflete o desenvolvimento de resistência à ação da insulina, sendo um sinal de prognóstico desfavorável em pacientes críticos (2, 3). Muito tem se estudado sobre o manejo dos níveis glicêmicos de pacientes internados em unidade de terapia intensiva (UTI), porém estudos com resultados controversos impedem que haja um consenso sobre o controle glicêmico ideal (4-11). Nesse sentido, a pergunta que se impõe não é se o controle glicêmico deve ser feito, mas sim quais alvos glicêmicos devam ser buscados, para assegurar benefício com baixas taxas de efeitos adversos, como a hipoglicemia por exemplo (8). Um grupo particular de pacientes em UTI são os pacientes com diabetes melito (DM). Estudos sugerem que um controle glicêmico moderado (90-140 mg/dl), associa-se a um maior risco de morte em pacientes não diabéticos quando comparado ao controle glicêmico intensivo (80-110 mg/dl), mas a um menor risco de morte em pacientes com DM (12). A hiperglicemia crônica do paciente com DM parece gerar um acondicionamento celular protetor contra o dano mediado pela hiperglicemia aguda durante a doença crítica. Esse mecanismo de acondicionamento celular consistiria na redução da expressão do transportador de glicose-1 (GLUT-1) e do transportador de glicose-4 (GLUT-4) devido à exposição crônica à hiperglicemia, o que protegeria contra a toxicidade mediada pela sobrecarga celular de glicose (13). Assim, os níveis de glicemia seguros e desejáveis para alguns grupos de pacientes podem não ser os mesmos para pacientes com DM com controle metabólico inadequado expostos à hiperglicemia crônica. A hiperglicemia é sabidamente deletéria e está associada à fraqueza muscular adquirida na UTI, uma grave sequela da doença crítica, de forma independente e pouco estudada (14). A maneira como a glicose lesa os tecidos neuromusculares não é clara, mas a glicotoxicidade está associada à inflamação, extresse oxidativo, disfunção mitocondrial com redução da capacidade de síntese aeróbica de ATP, ativação de caspases e apoptose (15). A despeito disso, não há consenso sobre o controle glicêmico adequado em pacientes criticamente doentes. Evidências sugerem que a implementação de protocolos para controle glicêmico deva ser individualizada, principalmente levando-se em consideração se o paciente é previamente diabético ou não (16, 17). Desta forma, a medida da hemoglobina glicada (HbA1c) pode ter papel importante na admissão de pacientes na UTI, individualizando as metas glicêmicas e permitindo calcular o gap glicêmico, já sugerido como fator prognóstico em alguns cenários de doença não crítica (18, 19). Gap glicêmico é a diferença entre a glicemia na admissão na UTI e a glicemia média estimada a partir do valor de HbA1c. Sendo assim, o objetivo principal deste projeto é investigar o valor prognóstico do gap glicêmico como preditor de desfechos desfavoráveis em pacientes internados em UTI (como mortalidade, tempo de internação, tempo de ventilação mecânica e desenvolvimento de fraqueza muscular adquirida na UTI) e a sua relação com a expressão de citocinas plasmáticas e com a expressão dos genes do receptor da insulina (INSR), GLUT-1 e GLUT-4, potencialmente envolvidos no desenvolvimento de fraqueza muscular adquirida na UTI. Para tanto, serão feitas dosagens séricas de glicemia e HbA1c e dosagens plasmáticas das citocinas, como tumor fator de necrose tumoral (TNF), interleucina-1β (IL-1β), interleucina-6 (IL-6), interleucina-8 (IL-8), interleucina-10 (IL-10), interleucina-17 (IL-17) e interferon-γ (INF-γ) em todos os pacientes admitidos na UTI durante o período do estudo, além da dosagem da expressão dos genes INSR, GLUT-1 e GLUT-4, por meio de técnica de PCR em tempo real em material de biopsias de tecido muscular em 50 pacientes. Ainda, será realizada uma revisão sistemática com metanálise de estudos de gap glicêmico em paciente criticamente doentes para investigar sua associação com desfechos desfavoráveis. Além disso, serão empregadas técnicas inovadoras de análise de dados em Medicina, como o aprendizado de máquina (do inglês, machine learning) para a construção de algoritmos que possam predizer desfechos de pacientes criticamente doentes com maior precisão. Dentro da perspectiva da medicina de precisão e de análises de Data Science e aprendizado de máquina, a identificação de um valor de gap glicêmico que se associe com maior incidência de desfechos desfavoráveis poderia ser uma ferramenta para auxiliar na escolha de alvos de controle glicêmico personalizados para cada paciente, reduzindo assim o risco de potenciais eventos adversos iatrogênicos, principalmente episódios de hipoglicemia. Além disso, a relação entre hiperglicemia de estresse (medida pelo gap glicêmico), inflamação e a expressão de genes INSR, GLUT-1 e GLUT-4, potencialmente implicados no desenvolvimento de fraqueza muscular adquirida na UTI, nunca foi estudada.
  • Hospital de Clínicas de Porto Alegre - RS - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022