Projetos de Pesquisa

 

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Simone Vasconcelos Ribeiro Galina

Ciências Sociais Aplicadas

Administração
  • capacidade de absorção através de alianças para inovação: comparativo brasil e europa
  • A literatura tem apontado que as empresas que se internacionalizaram tardiamente, geralmente provenientes de países em desenvolvimento (PED), procuram mecanismos distintos das empresas tradicionais por estarem num ambiente diferente do das empresas de países desenvolvidos (PD) quando essas começaram a se internacionalizar. Uma das principais diferenças é que ao contrário das multinacionais consolidadas, que exploram seus recursos domésticos para internacionalização (geralmente estão em países desenvolvidos e, portanto, contam com recursos igualmente desenvolvidos), as empresas de PED se internacionalizam (também) para buscar recursos, que estão inacessíveis no país de origem, para então desenvolver um posicionamento competitivo global. A visão de que a busca por conhecimento deve ocorrer fora do país de origem, especialmente para empresas de PED, é semelhante à de Doz, Santos, Williamson (2001) em sua abordagem de companhia metanacional, que defende que as empresas, especialmente as que atuam em mercados dinâmicos e globais, devem mobilizar conhecimento disperso para criar inovações de alcance mundial. No entanto é importante considerar que a heteregoneidade obtida na internacionalização também tem pontos negativos, como altos custos de coordenação. Assim observa-se firmas obtendo vantagem da diversidade e novidade do conhecimento disperso e distante geograficamente, enquanto desenvolvem capacidade para compreender, interiorizar e utilizar o conhecimento de parceiros distantes. Observamos assim um efeito compensatório de distância geográfica e cultural por meio da utilização de recursos estratégicos e do desenvolvimento de capacidades que possibilitem à firma absorver conhecimento obtido internacionalmente. A capacidade dinâmica (DC), que é a habilidade da empresa em integrar, construir e reconfigurar competências internas e externas em resposta aos ambientes de rápidas mudanças (Teece et al., 1997), tem sido observada como relevante para tirar proveito da internacionalização (Teece, 2014). Uma dessas CD é a capacidade de absorção (CA), que segundo Cohen e Levinthal (1990, p. 128) é a “habilidade de reconhecer informações externas, assimilá-las e aplicá-las com fins comerciais”. Embora amplamente estudado, o constructo de capacidade de absorção é insuficientemente validado empiricamente devido a dificuldade de operacionalização e tem sido tratado como uma ‘caixa-preta’. É relevante mencionar que os trabalhos sobre CA têm focado majoritariamente empresas de países desenvolvidos, sendo que comparações entre PD e PED são praticamente inexistentes. Ainda, espera-se que a CA tenha um papel mediador na relação entre diversidade da aliança e performance inovadora, no entanto isso tem sido pouco estudado (vide detalhes no detalhamento do projeto). Considerando o exposto, é possível afirmar que, especialmente em setores dinâmicos e globais e em empresas provenientes de PED – ou seja, com condições minimizadas de desenvolvimento tecnológico – é relevante que as empresas desenvolvam e mantenham capacidades dinâmicas para permanecerem competitivas na sua adaptação ao mercado a partir das habilidades de absorção e de inovação. Assim, buscando preencher as lacunas teóricas existentes, esta pesquisa tem o intuito de responder a seguinte pergunta: Qual a contribuição das alianças para o desenvolvimento dos componentes da capacidade de absorção e consequente inovação nas empresas de setores inovadores? Este projeto de pesquisa surgiu como continuidade de um projeto anterior, cujo intuito foi investigar o impacto das parcerias de empresas de TIC (Tecnologia de Informação e Comunicação) no desenvolvimento de suas capacidades e consequentemente no seu desempenho inovador. O projeto anterior (2014 a 2015) foi realizado com análise de microdados da PINTEC/IBGE. Seus resultados (Galina, 2018; Galina, et al. 2016; Alves e Galina, 2016; Alves et al., 2016) mostram que as alianças afetam positivamente o desenvolvimento da capacidade de absorção e esta, por sua vez, impacta no desempenho inovador. E essa relação é influenciada pelas alianças realizadas no Brasil, no entanto não há significância para as alianças feitas com parceiros no exterior. Além disso, observa-se que essa influência é diferente dependendo do tipo de parceiro (acadêmico ou comercial), e também levanta-se uma série de questões interessantes a partir da observação das variáveis mediadoras e de controle utilizadas (existência de P&D interna, capacitação dos pesquisadores internos, tamanho da empresa). Assim sendo, esta proposta de pesquisa pretende ampliar o estudo empírico para além do Brasil e do setor de TIC, avaliar estatisticamente algumas hipóteses que não obtivemos significância (como a de alianças no exterior, conforme citado acima), e aprofundar análise das questões levantadas como resultantes da pesquisa anterior. Isso será realizado com a incorporação de dados de outras indústrias inovadoras e a comparação entre os dados brasileiros e os dados de países europeus, o que possibilita uma análise cross-country, bastante valorizada academicamente. Finalmente essa comparação permitirá avaliar as diferenças existentes entre países em desenvolvimento (Brasil) e desenvolvidos (europeus) no que se refere ao modelo conceitual deste estudo que é o impacto das alianças (feitas no país de origem ou no exterior) no desenvolvimento de capacidades de absorção e consequentemente no desempenho inovador.
  • Universidade de São Paulo - SP - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022