Projetos de Pesquisa

 

Foto de perfil

Vanilton Camilo de Souza

Ciências Humanas

Geografia
  • os erros conceituais e didáticos nos livros de geografia do ensino médio e nas práticas docentes: processos de retificação e mediação didática
  • A proposição desse projeto é desdobramento, por um lado, da Tese de Doutorado defendida em 2009 ocasião em que se postulou sobre a importância da mediação didática e da retificação do erro como conceitos capazes de promover significativa e qualitativamente a formação inicial do professor de Geografia. E, por outro lado, da investigação realizada em pós-doutoramento em 2014 quando analisou-se a primazia de erros conceituais próprios da Geografia e os erros didáticos presentes nas atividades de Estágio Curricular dos Licenciandos de Geografia e Pedagogia. Os argumentos dessas investigações fundamentaram-se nos postulados de Vigotski e Bachelard apontando que tanto o conceito de mediação didática quanto o conceito de retificação dos erros teóricos e conceituais da Geografia Escolar são dimensões capazes de permitir ações didáticas ao processo de construção do conhecimento por parte dos alunos da licenciatura, por se referirem às dimensões epistemológicas dessa construção. O conceito de mediação didática é uma tarefa que se tem debruçado desde 2007 quando iniciou-se, isoladamente, os estudos de Vigotski e, a partir de 2008, esses estudos ocorrem no Grupo de Estudos sobre Vigotski para o Ensino de Geografia. Diferentemente, os estudos sobre Gaston Bachelard no Ensino de Geografia, especificamente os relativos à retificação do erro como dimensão capaz de superar os obstáculos epistemológicos presentes na formação do professor de Geografia tem ocorrido isoladamente. Um curto diálogo ocorreu com um grupo de Didática das Ciências da Universidade de Sevilla, por ocasião do doutorado sanduiche desenvolvido nessa universidade e que tinham em Bachelard e, especificamente, a categoria erro, como rica dimensão didática para essa área do ensino. Através desse grupo, acessou-se as produções do francês Pierre Astolf, quem primeiro sistematizou as contribuições do erro no Ensino de Ciências. No Brasil, esses fundamentos didáticos são bastante incorporados no ensino dessa disciplina. Sob as inspirações de Bachelard (1968, 1996, 2004) e Astolf (2003, 1994, 1988) foi desenvolvido o pós-doutoramento na USP, momento em que, juntamente com a supervisora do programa da Faculdade de Educação dessa universidade, desenvolvemos uma metodologia de retificar os erros teóricos e didáticos da Geografia Escolar, detectados durantes os Estágios desenvolvidos nas escolas pelos licenciandos de Geografia e Pedagogia. Naquele momento, compreendíamos que os caminhos para retificar os erros detectados nesses estágios era, promover a mediação didática na construção do conhecimento profissional desses professores (SOUZA & CASTELAR, 2016). Os resultados dessa investigação apontaram, por um lado, que durante o desenvolvimento do estágio, os licenciando conseguiam perceber os erros (tanto os teóricos quanto os didáticos) sobre a Geografia Escolar durante o processo de planejamento. Nesse ato de planejar, era perceptivo algumas capacidades de retificar os erros e, com isso, definir outros encaminhamentos de aulas mais adequados. A pesquisa apontou, por outro lado, uma maior dificuldade de perceber os erros didáticos e conceituais da Geografia Escolar nas práticas de ensino. Naquele momento, nosso foco era essencialmente nas atividades de planejamento pois não tínhamos logística para acompanhar os estagiários na sua prática durante o estágio. No entanto, nas discussões com os licenciando eles apontavam para a dificuldade tanto de perceber tais erros como de retificá-los, a saber: dificuldade de superar o modelo de aula baseada na transmissão do conhecimento e dificuldade de exercer maior autonomia sobre os textos de livros didáticos. Em decorrência dessas investigações sobre a relevância de se tomar os erros relativos às nossas práticas profissionais no ensino de Geografia e a necessidade de retificá-los, temos dois desdobramento que jugamos importantes: o primeiro é o de reforçar o papel da mediação didática nos processos de aprendizagem dos alunos; o segundo diz respeito os desenvolvimento da Didática da Geografia a qual consideramos um campo epistêmico muito importante na formação do professor e nas práticas de ensino dessa disciplina. Em função dessa relevância por um lado e a necessidade de ampliarmos a investigação nas práticas de ensino, é que propomos esse projeto. O problema dessa proposta assenta-se no seguinte entendimento: as dificuldades de percepção e retificação de erros conceituais e didáticos de Geografia vivenciados pelos licenciandos em sua formação inicial estão presentes nas práticas de ensino de docentes de Geografia que já possui experiências na sala de aula? Que concepções de ensino e aprendizagem de Geografia estão presentes na prática do professor de Geografia? Quais os obstáculos conceituais e didáticos oriundos dos livros didáticos usados pelo professor de Geografia nas escolas? Que erros teóricos, conceituais e didáticos estão presentes ou são induzidos pelo livro didático? Que elementos da prática do professor de Geografia apontam para metodologias mediadoras na construção do conhecimento capazes de retificar os erros conceituais e didáticos? Que relação se estabelece entre as teorias educacionais, as teorias geográficas e os fundamentos da Didática da Geografia no processo de construção de uma metodologia de ensino coerente com o que se pensa e com o que se ensina, tendo em vista as atividades didáticas desenvolvidas pelos professores nas suas práticas de ensino tendo como referência o livro didático? Qual a conexão possível entre tais fundamentos no contexto dessas práticas docentes? As conexões retificam os erros e mobilizam a construção do pensamento geográfico por parte do aluno?
  • Universidade Federal de Goiás - GO - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022