Projetos de Pesquisa

 

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Suely Ferreira Deslandes

Ciências da Saúde

Saúde Coletiva
  • internet: espaço de disseminação e de enfrentamento de violências contra crianças e adolescentes.
  • A sociabilidade contemporânea foi radicalmente transformada a partir da internet, isto é, pela mediação por tecnologias de informação e de comunicação. As fronteiras online e do “mundo real” já não são claras e a socialidade digital tem grande influência na organização do cotidiano, comportamentos e práticas sociais. O uso das redes sociais digitais e suas plataformas de interação são amplamente disseminadas entre a população brasileira, especialmente entre crianças e jovens. Nesse contexto a violência se apresenta de forma significativa na sociabilidade virtual, podendo ser veiculada de forma anônima, sem fronteiras ou barreiras geográficas e muitas vezes sem possibilidade de identificar e responsabilizar seus autores. Verificam-se inúmeras formas de violências simbólicas praticadas nos espaços online, assim como práticas violentas perpetradas presencialmente a partir do incentivo e apologia veiculados pela internet. As consequências e danos à cidadania e à saúde física e mental de crianças e adolescentes que sofrem violências na internet são reais, duradouras e ultrapassam as fronteiras da tela. Contudo, a internet é também espaço de defesa de direitos e ativismo contra a violência e violação de direitos de crianças e adolescentes. Tanto organizações transnacionais, organizações governamentais e da sociedade civil usam as redes sociais para sensibilização, mobilização, advocacy e defesa dos direitos de crianças e adolescentes, bem como se dedicam à denúncia e à prevenção de violências e violações. O objetivo de nosso estudo é analisar como se configuram os argumentos discursivos disseminadas na internet, visando obter a adesão a práticas de violências contra crianças e adolescentes a serem perpetradas por pais ou responsáveis (educação através de castigos físicos e suspensão de seus direitos), autoperpetradas (“desafios” e/ou games com “desafios”) ou entre pares (violência digital no namoro). Buscaremos também analisar as experiências de ciberativismo que visam ao enfrentamento dessas formas de violências. Propomos ainda a produção de três vídeos, voltados para prevenção e debate sobre tais formas de violências a serem disseminados na internet. Trata-se de um estudo qualitativo em ambiência digital. A perspectiva de triangulação de métodos e técnicas orienta a metodologia. Adotaremos como métodos centrais para o exame dos conteúdos, argumentos e estratégias discursivas de promoção da violência online e das formas de ativismo para seu enfrentamento a Análise de Discurso Crítico (ADC) preconizada por Norman Fairclough (2001), complementada pela Análise de Argumentos proposta por Toulmin (2006).
  • Fundação Oswaldo Cruz - RJ - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022
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Suely Meireles Rezende

Ciências da Saúde

Medicina
  • identificação de variantes genéticas associadas ao desenvolvimento de aloanticorpos em hemofilia a
  • A hemofilia A (HA) é uma doença hemorrágica ligada ao cromossomo X, decorrente de mutações no gene codificador do fator VIII (FVIII, F8). Pacientes com HA, principalmente em suas formas moderada e grave, são dependentes da infusão de FVIII para o seu tratamento. A principal complicação da HA é o desenvolvimento de anticorpos neutralizantes (inibidores) contra o FVIII exógeno (infundido), que ocorre em até 30% dos pacientes. O desenvolvimento de inibidores associa-se a ocorrencia de hemorragias de difícil controle e pior resposta ao tratamento com o concentrado de fator VIII. Isso exige o uso de concentrados de fator do tipo bypassing que são mais onerosos e menos efetivos que os concentrados de FVIII. Fatores ambientais e genéticos (mutações em F8, etnia e história familiar) são fatores de risco já conhecidos para o desenvolvimento de inibidores. Entretanto, poucos estudos exploraram o papel da arquitetura genômica, adicionalmente ao gene F8, na produção de inibidores na HA. Nós hipotetizamos que variações em genes do sistema imune, assim como em outras regiões genômicas, influenciam a suscetibilidade individual ao desenvolvimento de inibidores em pacientes com HA. Para responder a essa questão, nosso grupo desenvolveu um painel de sequenciamento de alto desempenho (NGS) enriquecido com variantes genéticas potencialmente envolvidas nos fenótipos diferenciais dos pacientes graves com HA e ao risco/proteção no desenvolvimento de inibidores. Atualmente, este painel está sendo testado em pacientes provenientes do Estudo HEMFIL, cuja geração de dados genéticos encontra-se em fase final de execução subsidiado com financiamentos do CNPq, CAPES e FAPEMIG. O Estudo HEMFIL é um estudo de coorte prospectivo multicêntrico, iniciado em 2013, cujo objetivo é investigar os fatores de risco genéticos, imunológicos e clínicos associados ao desenvolvimento de inibidores em pacientes com HA. Para este estudo, já foram incluídos 78 de 100 pacientes com HA grave recém-diagnosticada, com e sem desenvolvimento de inibidores. O produto imediato do desenvolvimento deste painel de genes, adequados à nossa população miscigenada e investigados no Estudo HEMFIL como uma coorte exploratória, permitirá o direcionamento nas futuras investigações genômicas de HA no Brasil. Nesse sentido, visando uma perspectiva metodológica mais robusta, nós propomos a replicação das análises genômicas em pacientes provenientes do Estudo HEMFIL no Estudo BrazIT, que se encontra paralelamente em execução pelo nosso grupo. O Estudo BrazIT, em andamento, tem como objetivo avaliar a eficiência e os fatores associados à resposta ao tratamento de imunotolerância (IT) em pacientes com HA que desenvolveram inibidores. Aproximadamente 360 pacientes brasileiros foram incluídos neste tratamento até o presente, seguindo protocolo padronizado preconizado pelo Ministério da Saúde. Destes, 67 pacientes já foram incluídos no Estudo BrazIT de um total estimado de 200 pacientes, que pretendemos incluir até o início de 2019. No estudo BrazIT estão sendo coletadas variáveis relacionadas aos dados demográficos, clínicos e laboratoriais (imunológicas e moleculares) dos pacientes com HA em tratamento em diversos momentos da imunotolerância: antes da inclusão, durante e ao final da IT (mediante sucesso ou falha da IT). Nossa proposta é relevante por vários motivos: 1) o Estudo BrazIT representará a maior coorte de pacientes com HA e inibidores do Brasil e uma das maiores mundialmente estudadas. É constituído por um grupo bem caracterizado de pacientes com informações fenotípicas detalhadas, dados clínicos e laboratoriais e desfecho da IT. Ainda, contamos com os dados genéticos, clínicos e laboratoriais do Projeto HEMFIL, que representa a nossa coorte exploratória com experimentos em fase final de execução, e cujos achados poderão ser validados no Estudo BrazIT; 2) A metodologia proposta utiliza um painel de enriquecimento que permite a concentração em alta profundidade de regiões de interesse, diminuindo drasticamente o tempo de execução, custos e desafios de análises bioinformáticas complexas. Adicionalmente aos dados das regiões exônicas, são acrescidas as regiões 5’ e 3’ UTRs e promotoras (2 kb àmontante e 2kb à justante) dos genes selecionados, além de abranger polimorfismos de genes previamente relacionados ao desenvolvimento de inibidores (como o rs3754689 do LCT, CTLA4, IL10 e TNF), o que representará uma preeminência à limitação encontrada na abordagem de Whole Exome Sequencing (WES) recentemente publicada; 3) como parte desta metodologia, foi desenvolvido um painel de genes customizados à nossa população, que incorpora SNPs informativos de ancestralidade cujo objetivo é avaliar a relação entre ancestralidade genômica e desenvolvimento de inibidores em HA; e 4) a maioria dos estudos visando a análise genômica em HA tem sido focada em indivíduos de ascendência europeia, com uma distinta sub-representação de populações miscigenadas, como as latino-americanas. No Brasil existem aproximadamente 10.000 indivíduos com HA, cujo tratamento é garantido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de acordo com protocolos estabelecidos. De acordo com dados da Federação Mundial de Hemofilia, esta é a quarta maior população de pacientes com HA no mundo, seguido pelos EUA, Índia e China. O tratamento da HA representa, para o Brasil, um custo aproximado de 1.3 bilhões de reais/ano com a aquisição dos concentrados de fator de coagulação, que são importados em sua totalidade. Deste total, cerca de 250 milhões de reais são gastos anualmente com aproximadamente 700 pacientes com HA e inibidores para o tratamento das hemorragias e para o programa de IT. Assim, é premente a necessidade de mais pesquisas nesta área que enfoque uma maior compreensão dos fatores de risco associados a resposta a IT, assim como ao desenvolvimento de inibidores e sua prevenção.
  • Universidade Federal de Minas Gerais - MG - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022