Projetos de Pesquisa

 

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Sura Wanessa Nogueira Santos Rocha

Ciências Biológicas

Imunologia
  • avaliação dos mecanismos imunorregulatórios da dietilcarbamazina (dec) na hepatite autoimune e associação com doenças neurodegenerativas em estudo experimental e clínico.
  • Hepatite autoimune (HAI) é uma doença inflamatória crônica do fígado, caracterizada pela presença de autoanticorpos circulantes, elevação nos níveis das transaminases séricas, hiperglobulinemia (principalmente IgG) e um quadro histológico de hepatite de interface. Mesmo com o tratamento convencional, monoterapia com predinisona ou em combinação com azatioprina, a cirrose costuma ocorrer em 40% dos pacientes tratados e é tida como um fator de risco para o desenvolvimento do carcinoma hepatocelular (CHC). A inabilidade de suprimir totalmente a atividade inflamatória em até 12 meses de tratamento está relacionada com sua evolução para cirrose em 54% dos casos e morte ou transplante hepático em 15% dos casos. Desse modo, devido os relatos de falha terapêutica, toxicidade aos fármacos utilizados e o desenvolvimento de complicações secundárias associadas à HAI, opções terapêuticas que suplementem o tratamento convencional e que utilizam mecanismos de tolerância hepática estão começando a surgir, tais como a geração de células T regulatórias e de citocinas imunossupressoras para tratamento de doenças autoimunes. Atualmente, têm-se realizado alguns estudos sobre o mecanismo de ação da Dietilcarbamazina (DEC), que apesar de mais de 60 anos de uso, teve o seu potencial farmacológico pouco explorado. A DEC é conhecida como um anti-inflamatório, devido ao seu sucesso em reduzir o efeito induzido experimentalmente de inflamação pulmonar e hepática. Estas respostas inflamatórias reduzidas estão atribuídas à inativação do NF-κB, suprimindo assim a indução de NF-κB genes dependente. A DEC também é conhecida como inibidor da ciclooxigenase e vias lipoxigenase. Essa droga foi evidenciada por reduzir a inflamação hepática e lesão por redução de mediadores inflamatórios e elevação da IL-10. Dentre poucos estudos realizados com a DEC, cabe uma avaliação definitiva e abrangente desta droga para avaliar seu potencial efeito imunomodulador frente à hepatite autoimune. Estudos em humanos e animais têm demonstrado que a N-acetil-L-cisteína (NAC) é um potente agente antioxidante e terapêutico, mostrando-se uma droga segura, bem tolerada e com amplo espectro clínico. Suas aplicações estão sendo avaliadas no tratamento do câncer, transtornos neuropsiquiátricos, síndromes de isquemia-reperfusão, doenças cardíacas, infecções pelo HIV, bronquite, SARA, toxicidade induzida por quimioterápicos e outras doenças caracterizadas pela produção de radicais livres. Seus efeitos também estão sendo avaliados em doenças fibrogênicas e granulomatosas. A expressão de moléculas pró-inflamatórias é regulada por vários fatores de transcrição e vias de sinalização, e dentre estas vias, proteínas quinase ativadas por mitógenos (MAPKs) são moléculas sinalizadoras que possuem importante papel na regulação do crescimento, diferenciação, sobrevivência e apoptose celular, na resposta celular a citocinas e estresse. A via das MAPKs inclui p38 MAPK, c-Jun N-terminal kinase (JNK) e quinase regulada por sinal extracelular (ERK) que estão envolvidos na expressão de COX2 e iNOS em macrófagos ativados por LPS. MAPKs têm importante papel na ativação do fator de transcrição nuclear NF-κB, o qual por sua vez regula a expressão de genes envolvidos nas respostas imune e inflamatória. Diante do exposto, o presente trabalho tem como objetivo investigar a ativação da via de sinalização p38 MAPK bem como o fator nuclear-kB no fígado em um modelo experimental murino de hepatite autoimune induzida pela Concanavalina A, identificar quais outros órgão essa patologia pode influenciar negativamente, e assim, verificar o efeito imunomodulador da DEC, e também da sua associação com a N-acetil-cisteína através de avaliações moleculares, bioquímicas e morfológicas (histopatológicas e ultraestruturais). Ademais, um outro objetivo relevante deste projeto é de relacionar a HAI com doenças neurodegenerativas, sendo abordadas nesse trabalho: encefalopatia diabética, mal de Parkinson e Alzheimer. Investigar uma correlação entre essas enfermidades deve ser posta em prioridade, uma vez que as doenças envolvem mecanismos desreguladores da imunidade do indivíduo, incluindo os autoimunes. Adicionalmente, existe uma escassa literatura capaz de levantar dados epidemiológicos acerca dessa conexão, bem como de explicar a ocorrência dessas patologias correlacionadas. Além disso, compreender essa relação tem o potencial de propor o melhor manejo do usuário do sistema de saúde, atendendo melhor suas demandas e estruturando apoio do ponto de vista da saúde, do âmbito social, econômico e político. Outrossim, em parceria com o IFP, o presente projeto pretende caracterizar a hepatite autoimune em amostras de biópsias de fígado de pacientes do estado de Pernambuco, a fim de elucidar os mecanismos e as vias de sinalização do desenvolvimento dessa patologia e assim integrar aos cuidados específicos à saúde dessa população. Este projeto será desenvolvido na Universidade de Pernambuco em colaboração com o Instituto Aggeu Magalhães – IAM/FIOCRUZ, Instituto do Fígado de Pernambuco – IFP, Universidade do Vale de São Francisco – UNIVASF e Universidade Federal de Pernambuco – UFPE.
  • Universidade de Pernambuco - PE - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022