Projetos de Pesquisa

 

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Stephan Paul

Ciências da Saúde

Fonoaudiologia
  • desenvolvimento de um sistema e protocolo para avaliação da percepção de fala na presença de ruído considerando fontes sonoras distribuídas
  • Déficits na compreensão da fala a partir de perdas auditivas podem originar problemas sociais e emocionais, como o isolamento, a baixa autoestima, depressão, irritabilidade, entre outros. Assim a perda auditiva pode ser um fator limitante para o pleno desenvolvimento pessoal e convívio social. Para tratar perdas auditivas de grau severa e profundos existem atualmente vários dispositivos auditivos, sendo que os Aparelhos de Amplificação Sonora Individual (AASI) os mais comuns e o Implante Coclear o mais avançado. Apesar da tecnologia de AASI ser uma tecnologia muito madura e o IC ser atualmente a prótese neural mais avançada comercialmente disponível, ainda não é possível restaurar plenamente a audição. Assim, usuários de próteses auditivas têm grandes dificuldades em situações com várias fontes sonoras de fala (multi-talker situations) ou ambientes reverberantes. As limitações tem várias causas, sendo que no caso dos AASI o motivo normalmente é a adaptação insuficiente do AASI ao paciente, pois os procedimentos atuais de adaptação do AASI ao paciente são feitos de forma simplificada em consultórios fonoaudiológicos, desconsiderando-se a inserção do paciente em ambientes acústicos desafiadores. O mesmo vale para a adaptação do IC, sendo que no caso do IC há de considerar ainda as limitações inerentes à tecnologia de estimulação direta do sistema auditivo e a escolha dos pacientes aptos a receber um implante coclear. Tanto para melhor adaptação da prótese auditiva (AASI ou IC) ao paciente, como para verificar se o paciente de fato terá um benefício ao receber um implante coclear é preciso realizar testes de reconhecimento da fala simulando-se situações reais com fontes sonoras distribuídas e características dos estímulos sonoros mais parecidos com a realidade. Diante dessa necessidade o presente projeto pretende desenvolver um sistema e protocolo para avaliação da percepção de fala na presença de ruído considerando fontes sonoras distribuídas. Para tanto serão analisados inicialmente os protocolos e condições técnicas existentes nos centros de Implante Coclear do Sistema Único de Saúde, os protocolos descritos na literatura e aqueles utilizados e recomendados no exterior. Serão elaborados sinais de teste compostos por sinais de fala (sentenças) e ruído, como diferentes características fonéticas e razões sinal-ruído, para serem apresentados nos testes de reconhecimento da fala. Deve ser aperfeiçoado um sistema de virtualização de fontes sonoras já existente no Laboratório de Vibrações e Acústica, para operar com diferentes números de fontes sonoras e por meio de uma interface gráfica para facilitar a operação. O sistema aperfeiçoado será implementado em um ambiente de audição crítica a ser construído em um espaço reservado no Laboratório de Vibrações e Acústica da UFSC. Após implementação do sistema no ambiente de audição crítica o mesmo será validado por meio de ensaios objetivos e subjetivos, para então proceder com o desenvolvimento do protocolo de avaliação de reconhecimento da fala no ruído com fontes sonoras distribuidas. Espera-se ter como produto final um protocolo e sistema para ser implementado nos serviços de Implante Coclear no Brasil para melhorar a escolha dos candidatos à implantação coclear e assim um melhor direcionamento dos esforços do SUS.
  • Universidade Federal de Santa Catarina - SC - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022
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Stephânia Fleury Taveira

Ciências da Saúde

Farmácia
  • desenvolvimento de géis supramoleculares para aplicação tópica da eugenia uniflora l visando o tratamento de fungos na pele e na unha
  • A unha humana, bem como a pele, são barreiras difíceis de serem transpostas, o que torna o tratamento de infecções fúngicas um desafio. O tratamento tópico é altamente desejável e o óleo essencial da planta Eugenia uniflora L. é um bom candidato, visto que apresenta ação em fungos do tipo Candida albicans. Além disso, esta espécie está presente no RENISUS (Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse para o SUS), sendo de extrema relevância para a saúde pública brasileira. Porém, muitas vezes, o tratamento tópico é insatisfatório, devido a impermeabilidade destas membranas, principalmente da unha. Já é bem sabido na literatura que a administração de antifúngicos em sistemas nanoestruturados pode reduzir a dose administrada, a frequência de administração e efeitos colaterais. Porém, a produção de nanopartículas pode ser laboriosa e dispendiosa. Neste sentido, o nosso grupo de pesquisa, em parceria com o grupo de Santiago de Compostela (Espanha), desenvolveu géis supramoleculares, de fácil obtenção e baixo custo (trabalho publicado na revista Carbohydrate polymers – FI 5,158 em 2018). Estes géis possuem nanoestruturas que irão encapsular principalmente substâncias lipofílicas, como o óleo da planta Eugenia uniflora L. A reologia dos sistemas pode ser alterada, bem como a liberação dos ativos, através da adição de estruturas de açúcar, denominadas ciclodextrinas. A combinação de algumas cadeias poliméricas e as ciclodextrinas formam estruturas denominadas poli(pseudo)rotaxanos. Assim, o objetivo deste projeto é obtenção e caracterização de géis supramoleculares para administração tópica do óleo essencial de Eugenia uniflora L. O material vegetal será coletado, caracterizado e os principais marcadores serão quantificados por cromatografia gasosa. O estudo de solubilidade e caracterizações das formulações contendo óleo essencial será realizado (tamanho das nanoestruturas, microscopia eletrônica, reologia e liberação e permeação in vitro). Estudos de segurança (toxicidade em embriões de zebrafish) e eficácia (atividade antifúngica) serão realizados. Um estudo completo de estabilidade (acelerada e a longo prazo) será realizado conforme RDC 24/2014 para fins de patente e registro do produto. Para tanto, o projeto será realizado em parceria com a empresa ASHLAND, que produzirá as formulações conforme as Boas Práticas de Laboratório (BPL) e Boas Práticas de Fabricação e Controle (BPFC). Sendo assim, estes estudos podem trazer informações valiosas a respeito da formação e estabilidade dos géis contendo o óleo essencial. Espera-se uma melhor compreensão dos mecanismos de permeação ungueal a partir dos sistemas desenvolvidos, bem como a obtenção de formulações farmacêuticas, de fácil obtenção e baixo custo, que sejam eficazes e possam ser utilizadas no Sistema único de saúde (SUS).
  • Universidade Federal de Goiás - GO - Brasil
  • 30/11/2018-30/11/2021
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Stevens Kastrup Rehen

Ciências Biológicas

Morfologia
  • células neurais e organoides cerebrais derivados de ips e como plataformas para o estudo dos efeitos de canabinoides na síndrome de dravet
  • A síndrome de Dravet é uma encefalopatia epiléptica incapacitante que tem início na infância, caracterizada por crises recorrentes, comprometimento cognitivo e um risco relativamente alto (10-20%) de morte súbita. Alguns pacientes de Dravet seriamente afetados têm até 50 crises diárias e não respondem a anticonvulsivantes clássicos, o que pode até mesmo agravar os sintomas. Claramente, tratamentos novos e melhorados são necessários para diminuir a frequência de crises e reduzir a carga encefalopática. Curiosamente, todas as encefalopatias epilépticas tendem a diminuir ou mesmo cessar na adolescência, mas muitas vezes o paciente permanece com sequelas neurocognitivas sérias. Portanto, seria extremamente importante tratar essa condição com medicamentos que previnam convulsões e, de preferência, protejam o cérebro em desenvolvimento contra danos. Relatórios médicos recentes sugerem que o tratamento com medicamentos à base de Cannabis, particularmente aqueles contendo alto teor de canabidiol (CBD), pode ajudar a reduzir a frequência de convulsões, bem como a sua gravidade. Isso está sendo testado atualmente com ensaios clínicos de Fase 3 e é apoiado por estudos experimentais anteriores. Uma das principais propriedades do CBD é a neuroproteção, como evidenciado em vários modelos, como isquemia adulta e neonatal, trauma cerebral, doença de Alzheimer, doença de Parkinson, coreia de Huntington e esclerose lateral amiotrófica. Estes efeitos protetores são alcançados através de múltiplos mecanismos, incluindo o controle da homeostase do glutamato para prevenir excitotoxicidade, respostas inflamatórias diminuídas via células da glia e captura de espécies reativas de oxigênio (ROS), promovendo a liberação de fatores neurogênicos e neurotróficos. O problema a ser abordado por este projeto é determinar se o CBD é neuroprotetor para células neurais derivadas de pacientes com Dravet, além de ser anticonvulsivante. Usaremos um método alternativo não invasivo para estudar neurônios de pacientes Dravet, que são cultivados a partir de células epiteliais obtidas da urina e expandidos em laboratório antes de serem reprogramados para células-tronco de pluripotência induzida (iPS). Essas células carregam o fundo genético específico da doença. Além disso, como a complexidade do cérebro humano não pode ser reduzida a um único tipo de célula separado de seu ambiente, empregaremos uma técnica que possibilitará o estudo do neurodesenvolvimento humano em toda a sua complexidade in vitro. Neste método, neuroesferas e organoides cerebrais produzidos a partir de iPS são obtidos em spinners celulares. Fenótipos estruturais e funcionais relacionados à epilepsia também serão investigados nas mesmas células. Os efeitos dos agonistas canabinoides e tratamentos anticonvulsivantes padrão serão testados em células neurais diferenciadas, com o objetivo de mimetizar o perfil farmacológico observado em pacientes.
  • Universidade Federal do Rio de Janeiro - RJ - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022