Projetos de Pesquisa

 

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Samuel Vandresen Filho

Ciências Biológicas

Fisiologia
  • avaliação da participação do processo neuroinflamatório na depressão associada à abstinência ao etanol
  • O alcoolismo é considerado um problema de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde e está entre os cincos principais fatores de risco para doenças, deficiências e mortes no mundo. Segundo dados do Relatório Brasileiro Sobre Drogas, dentre os diagnósticos de transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de drogas, o álcool foi o que mais esteve associado a afastamentos do trabalho, 56,7%, seguido pela cocaína 20,1%. Já com relação a mortes associadas ao uso de drogas, lícitas e ilícitas, o álcool correspondeu a 90%. A Fundação Oswaldo Cruz estima um impacto financeiro de US$ 8,2 milhões por ano para tratar as doenças associadas ao alcoolismo pelo Sistema Único de Saúde. O tratamento do alcoolismo tem como objetivo final estabilizar a abstinência pela prevenção da recaída após o período de destoxificação. Um dos fatores que dificultam a manutenção da abstinência é a alta incidência de comorbidades psiquiátricas, como a depressão, durante esse período. Evidências clínicas indicam que a manifestação de sintomas depressivos durante a abstinência ao etanol aumenta a probabilidade de recaída e indica um prognóstico ruim em termos do resultado do tratamento. A utilização de drogas antidepressivas apresentam efeitos positivos no tratamento do alcoolismo, reduzindo os sintomas depressivos e diminuindo a vulnerabilidade às recaídas. No entanto, a eficácia das medicações para dependência ao etanol e da depressão ainda é modesta. Nesse sentido, a compreensão dos mecanismos envolvidos na depressão durante a abstinência ao etanol é de fundamental importância para a descoberta de novos alvos moleculares e, assim, o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas. Assim, apesar da depressão ser uma doença de etiologia heterogênea, a hipótese inflamatória da depressão tem despertado grande interesse. Nesta hipótese inflamatória, as citocinas pró-inflamatórias representam um fator chave na mediação central das características comportamentais, neuroendócrinas e neuroquímicas dos transtornos depressivos. A depressão associada à ativação do sistema imunológico é caracterizada pelo aumento das concentrações de citocinas pró-inflamatórias. Em estudos em pacientes com depressão foi demonstrado o aumento de citocinas pró-inflamatórias: as interleucinas IL-1β e IL-6, o Fator de Necrose Tumoral Alfa (TNF-α) e a ativação do Fator Nuclear kappa B (NF-κB). O TNF-α é um dos indutores fisiológicos mais eficazes da transcrição do NF-κB. Eles se influenciam mutuamente, e a indução de alguns genes responsivos ao TNF-α de relevância imunológica e inflamatória é mediada, pelo menos em parte, pela ativação do NF-κB. Essas mediações do NF-κB se fazem, através da regulação da óxido nítrico sintase (NOS) e da ciclo-oxigenase-2 (COX-2). A COX-2 também está associada a doenças relacionadas à depressão e resultados semelhantes foram demonstrados em modelos animais que exibiram comportamento depressivo, com alta expressão de mediadores inflamatórios e aumento da iNOS no córtex pré-frontal e hipocampo. Foi demonstrado que drogas antidepressivas podem inibir a produção de citocinas pró-inflamatórias e estimular a produção de citocinas anti-inflamatórias levando a normalização nas concentrações ao longo do tratamento. As citocinas anti-inflamatórias regulam a intensidade e a duração do comportamento tipo depressivo, provavelmente pela inibição da produção e pela atenuação da sinalização de citocinas pró-inflamatórias. Em particular, administração central de IL-10 ou do fator de crescimento semelhante à insulina tipo I (IGF-I), um fator de crescimento que se comporta como uma citocina anti-inflamatória no cérebro, atenua o comportamento tipo depressivo induzido por Lipopolissacarídeo (LPS), um ativador do sistema imune. Os antidepressivos também são conhecidos por aumentar a IL-10 sérica em camundongos tratados com LPS, sugerindo que a inibição da inflamação nesses estudos pré-clínicos estaria envolvida com a regulação positiva desta interleucina. Ademais, o comportamento do tipo depressivo induzido por LPS foi relacionado ao aumento do nível de TNF-α e diminuição do nível do Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF) no hipocampo de camundongos. Os fatores neurotróficos desempenham um papel importante na regulação de um amplo espectro de processos cerebrais, e o equilíbrio entre neuroregeneração e neurodegeneração é amplamente dependente da disponibilidade e atividade de fatores de crescimento específicos como o BDNF e o IGF-I. O BDNF desempenha um papel central na neurogênese e plasticidade sináptica, e o comprometimento na sinalização desta neurotrofina tem sido associado à depressão. Estudos sugerem que o BDNF está diminuído em pacientes com depressão e que o tratamento com antidepressivos restaura as suas concentrações. O IGF-1 aumenta a síntese e a atividade do BDNF, e ambos os fatores são necessários para melhorar a sobrevivência neuronal e a plasticidade no cérebro. Além disso, em estudo realizado com humanos em abstinência ao álcool as concentrações plasmáticas de BDNF e IGF-1 estavam diminuídas. Isso indica que a normalização dos níveis de BDNF e IGF-1 pode ser importante alvo terapêutico na terapia da depressão associada à abstinência ao etanol. Assim, evidências clínicas e pré-clínicas indicam forte relação entre níveis elevados de marcadores inflamatórios e os sintomas da depressão. No entanto, não há estudos sobre o papel do processo inflamatório no SNC e a sua associação com a depressão em indivíduos abstinentes ao etanol. Nesse sentido, o presente projeto visa avaliar o envolvimento do processo neuroinflamatório na depressão induzida pela abstinência ao etanol em camundongos.
  • Universidade Federal de Mato Grosso - MT - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022
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Samuellson Lopes Cabral

Engenharias

Engenharia Civil
  • sistema de alerta hidrológico em tempo real para gerenciamento de bacias hidrográficas
  • As aplicações da tecnologia computacional para análise do processo chuva-vazão e do processo hidrológico expandiu-se grandemente nos últimos anos. O Centro de Engenharia Hidrológica do exército norte americano (Hydrologic Engineering Center - HEC) desenvolveu uma gama de software amplamente utilizada por engenheiros e pesquisadores internacionais de centros de previsão de risco hidrológico. O programa Real Time Simulation (HEC-RTS) é um produto recentemente disponibilizado para gerar informações de apoio à decisão por meio de previsões hidrológicas derivadas da integração e execução em cascata de modelos hidrológicos, hidráulicos e de análise de impacto com assimilação de dados e simulação em tempo real. Este estudo propõe o uso desta ferramenta na bacia hidrográfica do rio Mundaú no nordeste brasileiro. Serão utilizadas técnicas de previsão por conjuntos do WRF para alimentar o modelo hidrológico e hidráulico. Para analise da eficiência das vazões simuladas será usado o coeficiente de Nash-Sutcliffe e para a calibração das manchas de inundação será utilizadas as marcas de cheias dos eventos ocorridos nas áreas urbanas dos municípios afetados. Sendo assim esse projeto tem o objetivo de avaliar um sistema de suporte a decisão de alerta de risco de inundações em uma bacia do nordeste brasileiro. Essa informação torna-se necessária, para que os órgãos gestores disponham de tempo de antecedência para agir em caso de eminente inundação, com planos preventivos sobre a população residente nas áreas de risco.
  • Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais - SP - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022