Projetos de Pesquisa

 

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Sonia Maria da Silva Araujo

Ciências Humanas

Educação
  • ideias e práticas de mulheres intectuais: a educação em marta alonso alvarez de castro abranches, do brasil, e em eluned morgan, da argentina.
  • Este projeto tem como objeto de pesquisa o pensamento educacional de duas autoras do século XIX, envolvidas com o Brasil e com a Argentina. São elas: Marta Alonso Alvarez de Castro Abranches e Eluned Morgan. A primeira viveu de 1800 a 1855, entre a Espanha e o Brasil, Estado do Maranhão. A segunda viveu de 1870 a 1938, entre o País de Gales e a Argentina, Patagônia. As questões que levantamos são: como e porque duas autoras vinculadas ao ideário colonizador acabam se tornando personalidades importantes na luta em defesa da educação no Brasil e na Argentina? Que relações há entre o pensamento educacional de ambas? Como as ideias das autoras se articulam à história da educação na América Latina? Em que medida tais ideias se aproximam e se distanciam do pensamento educacional em circulação no continente no século XIX? Como tais ideias se vinculam às condições históricas do continente? Em que medida as histórias de vida dessas autoras ajudam na compreensão de suas lutas em defesa da educação? Em direção a respostas para estas questões, definimos como objetivo geral do estudo: analisar, por meio do estudo biográfico e do estudo comparado do pensamento social, as ideias de educação de Marta Alonso Alvarez de Castro Abranches e de Eluned Morgan, produzidas na zona de contato de imagens e representações do mundo colonizador e imperialista do qual são familiarmente originárias, com a vida das realidades colonizadas do Brasil e da Argentina para, assim, compreender o sentido que assumiram no contexto de formação dos projetos nacionais de educação destes países. Metodologicamente, trabalharemos com a biografia e o estudo comparado do pensamento social, em articulação com a história cultural, que tem seus desdobramentos na história intelectual e na história das ideias. A hipótese que levantamos é de que as ideias produzidas pelas autoras no campo da educação, por partirem de mulheres de famílias deslocadas da Europa imperialista, contraditoriamente vinculadas ao ideário colonizador, resultam do confronto de suas condições favoráveis de existência com as condições altamente desfavoráveis de grupos humanos localizados nos países colonizados para os quais suas famílias migraram. Tais confrontos causam um profundo desconforto nas autoras que acabam usando o humanismo e o liberalismo que as constituíram intelectualmente no século XIX em confronto com as práticas de exploração e de subjugação impostas pelo imperialismo dos países de origem de seus familiares em relação às colônias americanas, fundadas especialmente no patriarcado e no racismo. A condição de mulher dessas autoras as faz investir no projeto educacional como força modelar de enfrentamento à subalternização histórica de domínio político, econômico e intelectual e a efetivamente assumirem suas mudanças.
  • Universidade Federal do Pará - PA - Brasil
  • 01/06/2017-31/05/2021