Projetos de Pesquisa

 

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Sílvia Altmann

Ciências Humanas

Filosofia
  • representação sensível e funções do entendimento em kant
  • A Dedução transcendental apresenta-se como uma justificação da validade objetiva dos conceitos puros do entendimento, ou categorias, parte essencial da investigação da possibilidade do conhecimento a priori (donde seu caráter “transcendental”). A fim de demonstrar a necessária aplicação das categorias a objetos, o argumento pretende estabelecer que “apenas mediante elas é a experiência possível” (A93/B126), o que, se provaria o uso legítimo de tais conceitos, fixaria, em contrapartida, os seus limites. O problema mesmo ao qual essa prova visa dar uma solução possui, incontroversamente, alguns pressupostos. Todavia, há maneiras de conceber tais pressupostos que se mostram em aparente tensão com a conclusão da Dedução (dada certa compreensão razoável dela). A inteligibilidade mesma da questão que a Dedução pretende responder – têm as categorias uso legítimo, ou validade objetiva? – depende da distinção fundamental entre sensibilidade e entendimento, “os dois troncos do conhecimento humano” (A29/B45). O primeiro capítulo da Analítica Transcendental teria mostrado que possuímos certos conceitos originados no entendimento puro, mais exatamente nas funções lógicas de unificação de conceitos em juízos – no pensamento –, consideradas como regras de unificação de múltiplos pelos quais objetos são dados na intuição. Tal seria, em poucas palavras, o resultado do que Kant chama de “dedução metafísica” (B159). Ora, toda intuição de que somos capazes, como seres finitos, é sensível. Assim, se sua origem no entendimento puro garante que estamos, de fato, de posse desses conceitos a priori de objetos – das categorias –, a irredutibilidade de nossa sensibilidade importaria na possibilidade de desacordo entre eles, de um lado, e o que nos aparece segundo as formas dela, de outro. Como escreve Kant no §13 da Crítica, logo antes de iniciar o argumento da Dedução Transcendental, trata-se de “uma dificuldade (...) que não encontrávamos no campo da sensibilidade, a saber, como as condições subjetivas do pensamento haveriam de ter validade objetiva, (...) pois fenômenos certamente podem ser dados na intuição sem as funções do entendimento” (A89-90/B122). Ou como ele acrescenta em seguida: “os fenômenos poderiam afinal ser de tal modo constituídos que o entendimento não os encontrasse em conformidade com as condições de sua unidade” (A90/B123), embora ainda assim “oferecessem objetos à nossa intuição, pois a intuição de maneira alguma requer as funções do pensamento” (A90-91/B123). Ora, se o ponto de partida da Dedução parece depender de que seja possível um desacordo entre o que é dado aos sentidos e as regras de unificação de representações que são as categorias, o ponto de chegada da Dedução parece ir de encontro a essa possibilidade. Com efeito, a conclusão do argumento corresponde à tese da necessária conformidade do sensivelmente dado a tais conceitos: “todas as percepções possíveis, por conseguinte tudo o que possa porventura chegar à consciência empírica, i. e., todos os fenômenos da natureza, no que concerne à sua ligação, encontram-se sob as categorias” (B164-5). O tratamento e a eventual resolução dessa tensão é essencial a qualquer compreensão sistemática da Dedução Transcendental – e, com isso, da relação entre representações sensíveis e funções do entendimento em Kant. Não deve surpreender que se trate, historicamente, de um polo de controvérsia na literatura. Nas duas últimas décadas, em particular, sua interpretação tem recebido renovada atenção no contexto do debate entre leitores “conceitualistas” e “não-conceitualistas” da teoria kantiana da intuição e da percepção (enquanto algo distinto da mera intuição, mas mais básico do que a experiência ou cognição empírica). De acordo com conceitualistas, a Dedução concebe a intuição ou percepção de objetos como pressupondo uma síntese do múltiplo da sensibilidade governada por conceitos a priori. Nessa medida, eles tendem a abordar as passagens do §13 citadas acima como envolvendo uma hipótese ou suposição que a Dedução Transcendental viria a demonstrar posteriormente como falsa (ainda que uma possibilidade lógica). Em contrapartida, não-conceitualistas interpretam aquelas passagens – ao lado de outras passagens da Crítica e do corpus kantiano – atribuindo a Kant a tese da independência da percepção ou da intuição com respeito a qualquer atualização de capacidades conceituais. Reputando às representações sensíveis uma unidade anterior a operações do entendimento, não-conceitualistas interpretam a síntese categorial de que se ocupa a Dedução Transcendental como relativa ao conhecimento de objetos mediante tais representações, por conseguinte como algo que opera sobre elas. Tanto conceitualistas quanto não-conceitualistas exploram passagens da Crítica e de outras obras do corpus kantiano cuja consideração é essencial a uma visão abrangente da filosofia teórica de Kant. O debate entre esses dois campos interpretativos favorece, ao menos em seus melhores momentos, uma compreensão enriquecida de noções fundamentais da epistemologia transcendental, como sensação, intuição, percepção, experiência, funções, síntese, conhecimento, objeto e consciência, colocando em relevo suas nuances e múltiplos vínculos. Todavia, uma compreensão adequada da relação entre representações sensíveis e funções do entendimento em Kant não pode dispensar, para além do confronto entre diferentes passagens, a reconstrução sistemática do argumento kantiano em um texto central como a Dedução B. Nossa pesquisa pretende dedicar-se a essa tarefa, tendo em vista a compreensão dessa relação e atendendo ao debate em tela, para o qual almeja dar uma contribuição.
  • Universidade Federal do Rio Grande do Sul - RS - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022
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Silvia Azucena Nebra de Pérez

Engenharias

Engenharia Mecânica
  • produção de biocombustíveis de primeira e segunda geração a partir de cana-de-açúcar - avaliação energética, exergética, ambiental e dos possíveis impactos do programa renovabio no setor de biocombustíveis
  • Na década de 70 a produção de etanol a partir da cana-de-açúcar no Brasil foi alavancada através de políticas públicas como o Pro-Álcool. Com isso, o país apresenta-se hoje como o segundo maior produtor de biocombustíveis no mundo sendo uma referência tecnológica e política para outros países nesse setor. Contudo, nos últimos anos o setor sucroalcooleiro no Brasil vem passando por um período de estagnação. Visando a maior participação dos biocombustíveis na matriz energética e a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE), o Brasil, em 2017 lançou o programa RenovaBio na COP 23 que tem como objetivo aumentar a competividade econômica dos biocombustíveis em relação a seus concorrentes fosseis através do melhor desempenho ambiental. Introduzindo monetariamente os benefícios ambientais, a produção de biocombustíveis de segunda geração poderá ser favorecida por esta política. A produção de biocombustíveis de segunda geração a partir dos resíduos lignocelulósicos (bagaço e palha) e dos resíduos líquidos da usina (vinhaça) se apresenta como uma alternativa desejável uma vez que permitiria aumentar a produção de biocombustíveis sem a necessidade de aumentar área plantada de cana, diversificar a matriz energética brasileira e contribuir com a redução de emissões de gases de efeito estufa (GHG). Assim, o objetivo principal desta proposta é a modelagem e avaliação energética e ambiental dos processos de produção de biocombustíveis de primeira e segunda geração a partir da cana-de-açúcar e a verificação dos possíveis impactos do programa RenovaBio no setor de biocombustíveis. Dentre as rotas tecnológicas preliminarmente selecionadas podem-se citar: i) Hidrólise enzimática dos resíduos lignocelulósicos: bagaço e palha para produção de etanol; ii) Biodigestão anaeróbia da vinhaça e outros resíduos da indústria seguida do beneficiamento do biogás para produção de biometano e outros biocombustíveis e iii) Pirólise do bagaço e da palha de cana-de-açúcar para produção de biodiesel. A metodologia adotada para o desenvolvimento inclui o levantamento bibliográfico, modelagem e simulação dos processos através de balanços de massa e energia, integração térmica dos casos selecionados incluindo a determinação das metas de energia, avaliação exergética e de custo exergético e ambiental através da Avaliação do Ciclo de Vida. Além disso, serão realizadas análises laboratoriais de caracterização físico-química e termofísica de amostras de vinhaça (in natura e concentrada) e de água residuária obtida em sistemas industriais de concentração de vinhaça. Espera-se obter resultados experimentais primordiais para alavancar tecnologias de recuperação energética de vinhaça, bem como destinação final ambientalmente adequada de água residuária de sistemas evaporativos.
  • Universidade Federal do ABC - SP - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022
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Sílvia Carla da Silva André Uehara

Ciências da Saúde

Saúde Coletiva
  • avaliação da atenção primária à saúde no enfrentamento da covid-19: comparação entre os municípios brasileiros
  • Esta pesquisa tem como objetivo geral avaliar e comparar a organização e assistência oferecida pelos serviços da Atenção Primária à Saúde (APS) no enfrentamento da Covid-19 no Brasil; e, como objetivo específicos: avaliar a organização e assistência da APS para o enfrentamento da Covid-19 no Brasil; avaliar os Protocolos e/ou Planos de ação estaduais para o enfrentamento da Covid-19; comparar a organização e a assistência oferecida pela APS às pessoas com suspeita e/ou diagnóstico de Covid-19 entre as capitais; comparar a organização e a assistência oferecida pela APS às pessoas com suspeita e/ou diagnóstico de Covid-19 entre os estados e regiões; comparar a organização e a assistência oferecida pela APS às pessoas com suspeita e/ou diagnóstico de Covid-19 entre os municípios, considerando a classificação do IBGE quanto ao porte populacional; e, comparar e avaliar a organização e a assistência oferecida pela APS às pessoas com suspeita e/ou diagnóstico de Covid-19 entre os municípios, considerando os diferentes serviços inseridos na APS. Trata-se de um estudo de corte transversal analítico a ser realizado na APS do Brasil. A população-alvo será composta por gestores e gerentes responsáveis pelos serviços de APS. Para o cálculo amostral dos gestores da APS será considerado o número de municípios (com exceção das capitais) que tenha confirmado pelo menos um caso de Covid-12 no período de 26 de fevereiro de 2020 a 30 de junho de 2020. Ressalta-se que cada município deve possuir um gestor responsável pela APS; e, para o cálculo amostral dos gerentes será considerado o número de serviços de APS registrados no Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde. Em relação a definição da amostra dos gestores da APS, será calculada com base na técnica de amostragem por estratificação que consiste na divisão da “população” de municípios em grupos que são chamados de estratos. Assim, os estratos serão os municípios, regiões e estados do Brasil, sendo sorteado aleatoriamente os municípios que irão responder a um questionário, caso esse município não responda, será sorteado um novo município dentro desse estrato. Com isso, neste estudo serão incluídos municípios com características semelhantes dentro dos estratos e diferentes entre os estratos, o que garante uma maior precisão nos estimadores. Ressalta-se que o mesmo cálculo amostral será utilizado para definir a amostra dos gerentes da APS; porém, a “população“ será composta pelos serviços da APS. Dessa forma, este estudo permitirá a realização de comparações dentro das regiões brasileiras e entre as regiões. Para participar da pesquisa foram definidos os seguintes critérios de inclusão: gestor da APS de um município por pelo menos 3 meses durante a pandemia de Covid-19, e, como critérios de exclusão: responsáveis que durante o período da pandemia estava de licença e/ou férias; e, após três tentativas de contato sem sucesso. Esses mesmos critérios serão utilizados para a inclusão e exclusão de gerentes dos serviços da APS. Os dados serão coletados por meio da avaliação dos protocolos e/ou planos estaduais de enfrentamento à Covid-19 na APS e questionários autorrespondidos pelos gestores e gerentes dos serviços da APS. Para a coleta de dados serão construídos dois questionários (um questionário para gestores e outro para gerentes) e um check-list com base no Protocolo de Manejo Clínico do Coronavírus (Covid-19) na Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde e serão avaliados por especialistas. Pretende-se adotar pesos diferentes para as respostas, a fim de garantir o cálculo dos escores por meio da média aritmética simples dos valores obtidos. Tais valores serão transformados em escala de 0 a 10, para facilitar a comparação dos resultados. O escore geral será calculado a partir da média aritmética de todos os atributos (identificação de caso suspeito de Síndrome Gripal e de Covid-19; medidas para evitar contágio nas unidades de saúde; estratificação da gravidade da Síndrome Gripal; manejo terapêutico e isolamento domiciliar de casos leves; diagnóstico precoce e encaminhamento a serviços de urgência/emergência ou hospitalares de casos graves; notificação imediata; monitoramento clínico; medidas de prevenção comunitária e apoio à vigilância ativa). Os questionários serão encaminhados pelo Google Forms e as respostas armazenadas em uma planilha Excel e a análise estatística será realizada no Software Livre R. Os dados serão apresentados em frequência relativa e absoluta, média e desvio padrão. A comparação dos escores será realizada com o teste de Análise de Variância (ANOVA) que irá medir a variação total dentro dos grupos e entre os grupos. Para todos os testes estatísticos, será utilizado o nível de significância de 5%. H0: Não há diferenças estatisticamente significantes entre as regiões quanto à organização e assistência da APS no enfrentamento da Covid-19; H0: Não há diferenças estatisticamente significantes entre os estados quanto à organização e assistência da APS no enfrentamento da Covid-19; H0: Não há diferenças estatisticamente significantes entre as capitais quanto à organização e assistência da APS no enfrentamento da Covid-19; H0: Não há diferenças estatisticamente significantes entre os municípios quanto à organização e assistência da APS no enfrentamento da Covid-19. Se H0 for rejeitada, os testes como Bonferroni ou T poderão ser utilizadas para identificar qual das regiões, estados, capitais e municípios apresentam melhor organização e assistência da APS. Ressalta-se que ainda serão realizadas análises considerando os indicadores socioeconômicos e sanitários dos municípios (agrupados de acordo com o porte populacional definido pelo IBGE), além de análises relacionando com os indicadores do PMaq. Seguindo os preceitos éticos, a pesquisa será apreciada pelo CEP/UFSCar.
  • Universidade Federal de São Carlos - SP - Brasil
  • 16/07/2020-15/09/2022