Projetos de Pesquisa

 

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Adriana Roseli Wunsch Takahashi

Ciências Sociais Aplicadas

Administração
  • processos organizacionais, história e memória organizacional: novas perspectivas para o estudo das capacidades dinâmicas nas organizações brasileiras
  • Embora as capacidades dinâmicas sejam reconhecidas como oriundas da história organizacional (Teece, 2014), esta relação ainda não é explorada na literatura. Da mesma forma, a abordagem processual, relevante para compreender fenômenos que envolvem o desenvolvimento ao longo do tempo (temporalidade), está ausente dos estudos teórico e empíricos de capacidades dinâmicas, ainda vistas predominantemente como estáticas. Com base nesta lacuna, este projeto de pesquisa tem como objetivo articular a visão processual e a visão da história e memória organizacional (pós virada histórica) para que se possa compreender com mais profundidade o desenvolvimento e o funcionamento das capacidades dinâmicas nas organizações brasileiras. A ênfase nos estudos processuais na chamada ‘Filosofia de Processos’ deve recair em considerar novidade e estabilidade como partes de uma mesma ação (Hussenot & Missonier, 2016). Assim, os estudos de processos, centrais para o campo de estratégia e organizações, permitem considerar aspectos relacionados à continuidade e mudança, à origem e ao desenrolar de fenômenos organizacionais complexos, à estabilidade e novidade. A noção de processos para estudos da área de estratégia e análise organizacional tem sido defendida a fim de que se possa obter maior profundidade na compreensão dos fenômenos que envolvem a administração. Assim, para obter maior densidade conceitual, é preciso um alinhamento entre teoria, metodologia, epistemologia e ontologia na noção de processos (Van de Vem, 2007; Langley, Smallman, Tsoukas & Van de Ven, 2013). Adotar uma visão processual nas pesquisas de estratégia e organizações, seja em uma ou outra abordagem, implica que o pesquisador veja o mundo em sua multiplicidade, que compreenda os fenômenos estudados com fluidez, fluxos, interconexões espaçotemporais (Langley & Tsoukas, 2017). A questão da temporalidade é também central nos estudos da história e da memória organizacional, que converge com o enfoque processual em estudos de fenômenos organizacionais. A partir da chamada virada histórica nos estudos de gestão e organização (Clark & Rowlinson, 2004; Mills, Suddaby, Foster & Durepos, 2016), uma nova abordagem surgiu envolvendo os estudos de memória organizacional, que passou da visão de ‘caixa de armazenamento’ à visão dinâmica da memória coletiva (mnemônica organizacional). Essa nova visão rejeita paradigmas objetivistas e adota uma visão de construção social da memória ao longo do tempo, por meio de um processo, onde o contexto norteia o que é relevante lembrar e esquecer. É com base na articulação destas duas perspectivas, de processos e da história e memória organizacional, que se pretende avançar no estado de conhecimento sobre as capacidades dinâmicas, pois há o reconhecimento na literatura de que elas proveem da história organizacional, são desenvolvidas ao longo do tempo, mas não há a evidenciação de como isso ocorre. Por meio de pesquisas qualitativas, com estudos de casos em organizações brasileiras, pretende-se neste projeto prover respostas à questão: Como as capacidades dinâmicas podem ser compreendidas e explicadas a partir de um novo olhar fundamentado na abordagem processual e a partir do entendimento da história e memória organizacional? Esta questão torna-se mais relevante se considerada à luz da situação econômica, produtiva e social brasileira, marcada por uma crise generalizada que tem comprometido o desempenho e até mesmo a sobrevivência das organizações. Como justificativa teórica deste projeto, há a contribuição para a compreensão de um fenômeno que é pesquisado predominantemente na vertente econômica e normativa e com uma visão estática. Como justificativa técnico-científica, há a contribuição para a produção de conhecimento acadêmico, a formação de pesquisadores, a consolidação do grupo de pesquisa no tema de renovação estratégica e a divulgação nacional e internacional das pesquisas. Como justificativa prática, há a contribuição para as organizações sobre como elas podem se renovar estrategicamente ao monitorar o ambiente, ao aproveitar as oportunidades e ao conduzir mudanças nas práticas e rotinas que não sejam inviáveis devido a aspectos como a própria história e a memória organizacional. Estas contribuições têm impactos socioeconômicos porque tratam diretamente da sobrevivência e crescimento das organizações, e também nas políticas públicas para as empresas brasileiras.
  • Universidade Federal do Paraná - PR - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022