Projetos de Pesquisa

 

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Tainá Raiol Alencar

Ciências da Saúde

Saúde Coletiva
  • impacto no acesso e custo-efetividade das estratégias de rastreamento de câncer de colo uterino na atenção primária no distrito federal: atendimento nas ubs vs. unidade móvel
  • O câncer do colo do útero, apesar de prevenível, é um dos cânceres mais frequentes em mulheres no Brasil e no mundo, com altas taxas de incidência e de mortalidade. A realização periódica do exame citopatológico continua sendo a estratégia mais amplamente adotada para o rastreamento do câncer do colo do útero. Atingir alta cobertura da população definida como alvo é o componente mais importante no âmbito da atenção primária, para que se obtenha significativa redução da incidência e da mortalidade por câncer do colo do útero. Países com cobertura superior a 50\% do exame citopatológico realizado a cada três a cinco anos apresentam taxas inferiores a três mortes por 100 mil mulheres por ano e, para aqueles com cobertura superior a 70\%, essa taxa é igual ou menor a duas mortes por 100 mil mulheres por ano. As unidades móveis são uma alternativa inovadora para exames de rastreamento em centros de saúde, clínicas ou hospitais e podem incluir vans, veículos de recreio, ou outras clínicas itinerantes que são equipadas com trabalhadores de saúde e com equipamentos para detecção precoce. Unidades móveis de rastreamento (UMRs) permitem que provedores de assistência aumentem sua capacidade de atendimento fora de clínicas fixas, o que é particularmente importante em áreas sem infraestrutura para serviços de rastreamento do câncer. No entanto, mais pesquisas sobre a implementação de UMRs em locais com poucos recursos e pesquisas econômicas em saúde em termos de custo-efetividade das UMRs em comparação com clínicas fixas para informar os formuladores de políticas são necessárias. Este estudo se propõe a avaliar a cobertura atual do rastreamento do câncer de útero e a qualidade dos dados disponíveis no SISCAN. Além disso, proporcionar aos tomadores de decisão no Brasil e em outros contextos informações sobre o impacto econômico e o valor econômico a longo prazo comparáveis (ou seja, custo-efetividade), bem como o impacto na acessibilidade das estratégias de teste relativas ao teste de Papanicolaou convencional nas unidades fixas de atenção primária comparadas ao atendimento em unidades móveis. Uma análise de custo-efetividade e análise de impacto no acesso ao rastreamento serão conduzidas, incluindo análise qualitativa da percepção do atendimento e do conhecimento sobre prevenção, diagnóstico e tratamento de câncer de colo do útero por mulheres atendidas nas UBS e unidade móvel do SESC no Distrito Federal. Interessa subsidiar ações integradas da atenção básica e vigilância, que demonstrem efetividade e eficiência em termos de custos e reais benefícios para a população atendida.
  • Fundação Oswaldo Cruz - DF - Brasil
  • 04/07/2019-28/02/2022
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Taina Veras de Sandes Freitas

Ciências da Saúde

Medicina
  • identificação de biomarcadores urinários de transcrição exossômica: uma potencial nova classe de biomarcadores preditores para a disfunção inicial do enxerto renal
  • O cenário ideal após um transplante renal é a ocorrência de diurese imediata e abundante, com rápido declínio da creatinina sérica. No entanto, alguns pacientes podem desenvolver oligoanúria e necessidade de diálise. A esta situação chamamos função tardia do enxerto ou delayed graft function (DGF) (MALLON et al., 2013; SCHRÖPPEL; LEGENDRE, 2014). 
A função tardia do enxerto é a representação clínica da injuria da lesão de isquemia e reperfusão (KLIONSKY et al.), cujo substrato histológico é a necrose tubular aguda isquêmica (SANDES FREITAS TV, 2016; SIEDLECKI; IRISH; BRENNAN, 2011). Evidencias robustas apontam que DGF está associada a maior risco de rejeição aguda e crônica, pior função renal, pior sobrevida do paciente e do enxerto, além dos custos associados à internação prolongada e suas complicações (BUTALA et al., 2013; DE SANDES-FREITAS et al., 2015; WU et al., 2015). Quanto mais severa a DGF, ou seja, quanto maior o tempo até o reestabelecimento da função renal, piores estes desfechos (DE SANDES-FREITAS et al., 2015). Algumas fórmulas e nomogramas utilizando variáveis clínicas foram desenvolvidas com o intuito de predizer a ocorrência de DGF (CHAPAL et al., 2014; IRISH et al., 2010). No entanto, nenhuma parece ser ideal, especialmente quando aplicada à população brasileira, onde a incidência de DGF é de 50-80%, 2 a 3 vezes superior à observada em países americanos e europeus (COSTA S, 2017; SANDES FREITAS TV, 2016). Além das características clínicas da combinação doador-receptor, alguns biomarcadores têm sido utilizados como ferramentas de predição de DGF. Classicamente, o biomarcador mais utilizado é a creatinina sérica do doador no momento da cirurgia de extração dos órgãos (creatinina final). De fato, a presença da lesão renal aguda no doador é fator de risco conhecido para DGF. Apesar disto, a creatinina final do doador não tem bom valor preditor para desfechos tardios, como sobrevida do enxerto (KLEIN et al., 2013). Além disso, a creatinina sérica é um marcador tardio de lesão renal. Mais recentemente, biomarcadores de lesão tubular, inflamação e lesão endotelial (lipocalina associada a gelatinase neutrófilos - NGAL, Molécula de Injúria Renal -1 - KIM-1, interleucina 18 - IL-18, proteína ligadora de ácidos graxos tipo-hepática - L-FABP, Sindecam-1, dentre outros) foram avaliados para diagnóstico e predição de DGF. No entanto, até o momento, os resultados não são uniformes e nenhum deles se transpôs da bancada para a prática clínica (MALYSZKO et al., 2015). Recentemente a presença de exossomas e substâncias de liberação exossômica têm sido exploradas nas lesões renais, como rejeição ao enxerto renal e a lesão de isquemia-reperfusão (COOPER; LI; ADAMS, 2018) (MORELLI, 2017). Os exossomos são nanovesículas extracelulares (70-120 nm de diâmetro) produzidas por todas as células vivas, podendo ser detectados em diversos fluidos biológicos, como sangue, saliva, líquido amniótico, leite materno, liquido sinovial, fluido de lavado broncoalveolar, liquido ascítico e urina. Estas vesículas podem conter em seu interior substancias diversas, como microRNA, RNA não codificante, DNA, lipídeos, proteínas e enzimas, produzidas sob estímulo fisiológico ou patológico (MORELLI, 2017). Há evidências de que os exossomos estão envolvidos em muitos processos biológicos, incluindo coagulação, sinalização intercelular e gerenciamento de resíduos celulares. Nos modelos de transplante, os exossomos desempenham um papel fundamental na apresentação dos antígenos (MORELLI; BRACAMONTE-BARAN; BURLINGHAM, 2017). Além disso, estudo prévio demonstrou o papel da detecção de fatores de transcrição em exossomos isolados na urina de modelos experimentais de injuria renal aguda e lesão podocitária (ZHOU et al., 2008). Até o momento, um único estudo clínico explorou os exossomos como biomarcadores de DGF. No entanto, este estudo limitou-se a avaliar NGAL em exossomos urinários (ALVAREZ et al., 2013). O presente estudo terá como objetivo avaliar os biomarcadores urinários de transcrição exossômica de doadores falecidos de rim os quais evoluíram com DGF, comparando-os aos de pacientes com função imediata do enxerto. Metodologia: estudo de coorte prospectiva avaliando 12 amostras de urina de doador falecido cujo transplante renal seja realizado entre junho a outubro de 2019. Dentre as amostras de urina do doador colhidas, serão selecionadas para análise 6 amostras cujo desfecho do receptor foi DGF prolongada e 6 amostras cujo desfecho do receptor foi função imediata do enxerto. O RNA total exossomal será isolado e, em seguida, enriquecido do isolamento de miRNA. O mesmo será transcrito em DNA complementar (cDNA) e amplificado por reação de PCR em tempo real.
  • Universidade Federal do Ceará - CE - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022