Projetos de Pesquisa

 

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Adair Roberto Soares dos Santos

Ciências Biológicas

Fisiologia
  • estudo pré-clínico e clínico do efeito da acupuntura e terapia manual no manejo da dor: pesquisa translacional
  • A dor é um importante problema clínico, social e econômico, no mundo inteiro. A estimativa é que 20% dos adultos sofrem de dor, sendo que esse dado pode variar entre países, podendo atingir índices que chegam a 25% da população diagnosticada com dor crônica. Sendo assim, existem importantes razões para considerar seu tratamento como uma prioridade na saúde pública, não só por sua alta prevalência, mas também como sendo um fenômeno multifatorial, dinâmico e difícil de quantificar, o que dificulta seus dados epidemiológicos em todo mundo. A dor é uma queixa clínica importante, com reflexos negativos na vida social das pessoas, trazendo prejuízo na produtividade e na economia. Além disso, o manejo inadequado da dor é desumano e pode resultar no aumento da morbidade ou mortalidade. Tanto na dor somática, quanto na visceral, o alívio da dor, com o mínimo de efeitos secundários é o principal foco independente da doença que acompanha. A eficácia do tratamento bem como as considerações de ordem econômica é priorizada apesar de que esses objetivos não são alcançados com os fármacos comumente prescritos. No Brasil ainda não possuímos dados concretos, porém acredita-se que os custos com o tratamento da dor também sejam altos e pouco efetivos. Todos os analgésicos comumente usados têm limitações importantes quando usados no controle da dor crônica. Por exemplo, o uso prolongado de paracetamol (acetaminofeno) pode causar alterações na função hepática que são exacerbadas pelo consumo concomitante de álcool e antiinflamatórios não esteroidais estão associados a efeitos colaterais renais, gastrointestinais e cardiovasculares potencialmente graves. Os efeitos colaterais dos analgésicos opiáceos são constipação e sedação (particularmente em idosos) e o tratamento em longo prazo também pode levar à tolerância, hiperalgesia, dependência e uso indevido. Todavia, pacientes com dor crônica frequentemente não respondem bem a uma única abordagem de tratamento, bem como necessitam de cuidados de longa duração com reavaliações frequentes e ajuste da terapia. Tal fato ocorre devido a multiplicidade de fatores que contribuem para a dor crônica. O Laboratório de Neurobiologia da Dor e Inflamação (LANDI), o qual sou coordenador, gradativamente vem procurando formar um grupo de pesquisa multi- e transdisciplinar no manejo da dor. O LANDI desenvolve pesquisa com abordagem farmacológica, em que estuda as propriedades antinociceptivas (analgésicas) e anti-inflamatórias de produtos de origem sintética ou natural, em especial os derivados de plantas medicinais por meio da Etnofarmacologia. Todavia, nos últimos anos o LANDI vem trabalhando em projetos que visam estudar, por meio do uso de ferramentas farmacológicas, o efeito analgésico e anti-inflamatório, bem como o mecanismo de ação da acupuntura, terapia manual, exercício físico e fototerapia (emprego do LASER e LED). Neste sentido, a presente proposta visa estender os dados do nosso grupo acerca do efeito da acupuntura e da terapia manual no controle da dor aguda e crônica de origem pós-operatória, neuropática e muscular (DA SILVA et al., 2011, 2015; CIDRAL-FILHO et al., 2011; MORÉ et al., 2013; MARTINS et al., 2011, 2012, 2013, 2013a). Considerando que de maneira geral a dor crônica é de difícil tratamento e que as drogas disponíveis apresentam baixa eficácia e muitos efeitos colaterais, a realização de pesquisas pré-clínicas e clínicas que possam fornecer subsídios neurofisiológicos do efeito terapêutico da acupuntura e terapia manual são relevantes. Entre as dores crônicas de relevância e impacto na sociedade destaco a fibromialgia (FM) e a dor lombar (DL). A FM é uma síndrome bastante comum, caracterizada por dores articulares e musculares generalizadas, onde também se pode observar a presença de fadiga, alterações do humor, do sono e da cognição. Estima-se que sua prevalência chegue próxima a 5% da população, ocorrendo principalmente em mulheres, com idade que varia de 35 a 60 anos. A etiologia da FM não foi completamente elucidada, contudo, evidências recaem sobre a sensibilização do sistema nervoso central (SNC), o que leva ao quadro de hiperalgesia, alodínia e distúrbios autonômicos. Por outro lado, a DL é uma condição clínica que afeta 90% da população em algum momento da vida, sendo que nos últimos 10 anos esse quadro clínico aumentou em 162%. Muito disso se deve a vida agitada do dia-a-dia. Estudos nos mostram que fatores biopsicossociais como catastrofização, cinesiofobia, ansiedade, depressão, estresse e insatisfação no trabalho, e preocupação financeira podem ser problemas associados com a DL. Ademais, acreditamos fortemente que os dados gerados a partir deste projeto podem fornecer subsídio científicos que reafirmaram a importância da utilização destas práticas no controle da dor crônica no Sistema Único de Saúde (SUS), tendo em vista as políticas relacionadas as Práticas Integrativas e Complementares (PICs). Com isso, podemos contribuir fornecendo dados científicos para a utilização da acupuntura e terapia manual na atenção básica como forma de reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida das pessoas com dor crônica. Assim, a presente proposta pretende dar continuidade aos estudos desenvolvidos no LANDI visando avaliar os efeitos da acupuntura e terapia manual no controle da dor e inflamação associado a fibromialgia e lombalgia por meio de uma abordagem da pesquisa translacional, utilizando estudos pré-clínicos e clínicos. Além disso, no decorrer do desenvolvimento do presente projeto pretende-se dar continuidade à formação de pessoal em nível de graduação (iniciação cientifica) e pós-graduação (mestrado e doutorado).
  • Universidade Federal de Santa Catarina - SC - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022
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Adaíses Simone Maciel da Silva

Ciências Biológicas

Botânica
  • briófitas em habitats com elevadas concentrações de elementos tóxicos: diversidade taxonômica, fenotípica e epigenômica
  • Apesar dos esforços recentes para gerar produtos de uma forma limpa e sustentável, o nível de resíduos tóxicos produzidos por indústrias e pela agricultura, que contaminam os solos e as bacias hídricas, continuam aumentando no Brasil e no mundo. Por outro lado, estes mesmos solos contaminados podem ser colonizados por crostas biológicas (biocrusts) que reúnem diferentes organismos, tais como, briófitas, líquens, fungos, algas e cianobactérias, constituindo um verdadeiro microcosmo extremamente importante para retenção da umidade e ciclagem de nutrientes. Neste contexto, as briófitas, plantas antigas com ciclo de vida curto e adaptações surpreendentes para dessecação, surgem como excelentes modelos para estudos de tolerância, plasticidade e adaptação a condições de estresses abióticos. Visto que o desenvolvimento vegetal é amplamente governado por mecanismos genéticos e epigenéticos, os quais ativam programas fisiológicos e alteram o fenótipo em resposta a sinais ambientais, nossos principais objetivos neste projeto são: 1) Identificar espécies de briófitas estabelecidas em ambientes com alta concentração de metais e metaloides; 2) avaliar o potencial de tolerância dessas espécies a metais e metalóides em condições controladas e seu potencial para modificar características físico-químicas de solos contaminados; 3) caracterizar a plasticidade fenotípica de algumas dessas espécies em resposta a metais; 4) determinar a variabilidade epigenética possivelmente associada a mecanismos de tolerância. Importante ressaltar que este projeto pretende abordar três aspectos de inovação relevantes e correlacionados, ou seja, um inventário taxonômico e florístico de briófitas associadas a áreas com contaminação de metais (metais/metalóides), um estudo da tolerância e plasticidade de briófitas em resposta a diferentes níveis de contaminantes, e a investigação dos mecanismos moleculares associados a adaptação a esses estresses abióticos. Assim, as perspectivas envolvem a descoberta de novas espécies com potencial fitorremediador bem como a compreensão de mecanismos de plasticidade e adaptação em resposta a estresses em plantas.
  • Universidade Federal de Minas Gerais - MG - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022
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Adalberto Koiti Miura

Ciências Agrárias

Recursos Florestais e Engenharia Florestal
  • nexo pampa: valorização, manejo e restauração da vegetação nativa como estratégia para as seguranças alimentar, hídrica e energética
  • Localizado no extremo Sul do Brasil, o Bioma Pampa ocupa aproximadamente 63% da área do estado do Rio Grande do Sul. O avanço de diferentes culturas agrícolas (e.g. soja, arroz, etc.) representam potenciais perigos para a segurança alimentar, hídrica e energética de agricultores familiares. Além da pressão da grande mudança do uso do solo nos últimos anos, grande parte dos remanescentes de vegetação nativa, florestal ou campestre, estão localizados em unidades de produção agrícola familiar, o que ressalta a importância do modelo de produção familiar na conservação de biodiversidade. Partindo-se da premissa de que só é protegido e valorizado aquilo que se conhece e compreende, a presente proposta tem como principal objetivo construir e articular com técnicos de assistência técnica e extensão rural, professores, estudantes e agricultores familiares, um conjunto de estratégias de pesquisa e transferência de tecnologias, comunicação e intercâmbio de conhecimentos voltados ao manejo e restauração da vegetação nativa como forma de geração de renda, segurança alimentar, hídrica e energétca. O projeto está dividio em três grandes eixos denominados: i) Comunicação Social Para o Nexo Pampa (segurança alimentar, segurança energética, segurança hídrica e geração de renda); ii) Boas Práticas em Manejo e Restauração da Vegetação Nativa, voltadas ao Nexo Pampa; e iii) Capacitação e Educação ambiental para o Nexo Pampa, sendo seu objetivo geral construir e articular com atores sociais da agricultura familiar do Bioma Pampa, em especial do Território Zona Sul do Rio Grande do Sul, um conjunto de estratégias de transferência de tecnologias, comunicação e intercâmbio de conhecimentos voltados à valorização, manejo e restauração da vegetação nativa como forma de se propiciar o nexo das seguranças alimentar, hídrica e energética, além de geração de renda e regularização ambiental das unidades de produção agrícola, em acordo com a Lei de Proteção da Vegetação Nativa (n° 12.651, de maio de 2012). O grande eixo Articulação e Comunicação Social, visa articular, por meio dos recursos de comunicação e de interação, as diferentes atividades do projeto e criar plataformas de interação que permitam dar visibilidade aos mesmos. Além disso, pretende apoiar a articulação interinstitucional e a gestão do projeto, proporcionando um ambiente de diálogo e participação na construção de estratégias conjuntas entre os diferentes parceiros. O grande eixo Boas Práticas em Manejo e Restauração da Vegetação Nativa tem como objetivo gerar medidas capazes de fomentar a produção agrícola, conciliada à proteção dos ecossistemas naturais, garantindo a segurança alimentar, hídrica e energética por meio da criação de uma rede de Unidades de Referência Tecnlógicas (URTs), que visam gerar e/ou aprimorar informações sobre manejo e restauração da vegetação nativa de forma vínculada a produção de alimentos seguros (sistemas agroflorestais, quintais orgânicos), energia de biomassa (tradicional e biogás) e proteção de recursos hídricos (restauração ecológica de APPs hídricas, indicadores de monitoramento, saneamento báscio rural). As URTs servirão de dispositivos de pesquisa de médio e de longo prazo, e ainda, como ferramenta para ações de capacitação e educação ambiental visando oportunizar aos agricultores, técnicos, professores, estudantes e pesquisadores, a troca de experiências e aprendizados. Por último, o grande eixo Capacitação e Educação ambiental terá como público-alvo adultos e, sobretudo, estudantes do meio rural focando em diferentes ações voltadas para a extensão e repartição dos benefícios da segurança alimentar, energética e hídrica e em estratégias de geração de renda e inclusão social. Grande parte da biodiversidade natural é manejada diretamente pelos agricultores familiares nos diferentes agroecossistemas, por meio de suas práticas ecológicas, sociais e econômicas. Nesse contexto, a capacitação e educação ambiental visa articular estratégias de transferência de tecnologias, de comunicação e de intercâmbio de conhecimentos, visando qualificar as experiências dos agricultores familiares e das redes sociotécnicas dirigidas à conservação, manejo sustentável e restauração ecológica da vegetação nativa em nível local e territorial com vistas às seguranças alimentar, energética e hídrica. Todas as atividades serão discutidas, definidas e organizadas no ambiente do Fórum da Agricultura Familiar do Territitório Zona Sul do Rio Grande do Sul.
  • Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - RS - Brasil
  • 05/12/2017-30/04/2021