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Acioly Luiz Tavares de Lacerda

Ciências da Saúde

Medicina
  • eficácia da escetamina no tratamento de sintomas negativos em pacientes com esquizofrenia – um estudo duplo-cego, randomizado e controlado por placebo
  • A esquizofrenia é uma doença neuropsiquiátrica heterogênea, caracterizada por uma combinação variável de sintomas positivos e negativos, desregulação emocional e déficits cognitivos. Os tratamentos atualmente disponíveis apresentam um efeito moderado na sintomatologia positiva. Os sintomas negativos, porém, não respondem satisfatoriamente a nenhum medicamento e são responsáveis pela maior parte do prejuízo funcional e social na esquizofrenia. Bioquimicamente, os sintomas negativos têm sido associados a alterações em diferentes sistemas de neurotransmissão. De acordo com a teoria dopaminérgica da esquizofrenia, um tônus dopaminérgico cortical reduzido (via mesocortical) explicaria os sintomas negativos enquanto uma atividade dopaminérgica excessiva em estruturas subcorticais explicaria os sintomas positivos. Além do sistema dopaminérgico, uma neurotransmissão disfuncional do sistema glutamatérgico tem sido implicada na etiologia da esquizofrenia, particularmente uma disfunção do receptor N-metil-daspartato-(NMDAR). Como a disfunção do NMDAR está particularmente associada aos sintomas negativos, o NMDAR tem sido considerado como um alvo promissor para a introdução de novos medicamentos. Em contraste com observações seguindo a administração de elevadas doses do antagonista NMDA cetamina, que tem efeitos psicotomiméticos reminiscentes de sintomas positivos, negativos e cognitivos da esquizofrenia em controles saudáveis e exacerba sintomas em pacientes com esquizofrenia, doses subanestésicas de cetamina têm sido associadas a uma melhora marcante da anedonia, um sintoma negativo frequentemente presente na esquizofrenia. Adicionalmente, os efeitos antianedônicos da cetamina permaneceram significativos mesmo quando controlados pela gravidade de outros sintomas depressivos, sugerindo que a cetamina desempenha um papel único na melhora da anedonia, independente de outros sintomas depressivos. Ainda, doses subanestésicas de cetamina aumentam agudamente a sinalização dopaminérgica e glutamatérgica no córtex pré-frontal de ratos. Este conjunto de evidências torna a cetamina particularmente promissora para o tratamento da sintomatologia negativa em pacientes com esquizofrenia. O presente protocolo é de um estudo clínico de Fase 2, duplo cego, randomizado (alocação 1:1), controlado por placebo, de doses paralelas e crescentes, de 3 semanas para avaliar a eficácia, tolerabilidade de doses repetidas de escetamina (0,5 a 1,0mg/kg) versus solução fisiológica como tratamento para sintomas negativos em 42 indivíduos com esquizofrenia com sintomatologia negativa proeminente (escore total > 39 na soma dos 14 itens da subescala negativa e desorganizada da PANSS) em tratamento crônico e estável com antipsicóticos. A principal medida do desfecho primário será a alteração na pontuação total na Brief Negative Symptoms Scale (BNSS) a partir do escore basal. Biomarcadores metabólicos e genéticos serão avaliados antes da randomização e após a quarta (última) infusão de escetamina.
  • Universidade Federal de São Paulo - SP - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022