Projetos de Pesquisa

 

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Achilea Candida Lisboa Bittencourt

Ciências da Saúde

Medicina
  • estudo clínico e molecular da dermatite infecciosa associada ao htlv-1 e de sua evolução para mielopatia associada ao htlv- 1/paraparesia espástica tropical e leucemia/linfoma de células t do adulto, na faixa infanto-juvenil
  • O vírus linfotrópico de células T humanas tipo 1 (HTLV-1) é endêmico em algumas regiões do Brasil, com maior prevalência no Estado do Maranhão e no Estado da Bahia. Este vírus está associado ao desenvolvimento de diversas doenças graves, entre elas a leucemia/linfoma das células T do adulto (ATL), a paraparesia espástica tropical/mielopatia associada ao HTLV-1 (HAM/TSP) e a dermatite infecciosa associada ao HTLV-1 (DIH). A ATL é uma forma muito agressiva de células T maduras, CD4+ e CD25+, resistente à quimioterapia e frequentemente fatal, porém há formas pouco agressivas, como a forma smoldering, com melhor prognóstico. Ocorre, predominantemente, na idade adulta e em indivíduos afrodescendentes. A HAM/TSP aparece, geralmente, a partir da quarta década de vida e representa uma forma grave de mielopatia incapacitante com paraparesia espástica progressiva, associada a distúrbios vesicais. A DIH é uma forma grave e recidivante de eczema cutâneo que incide em crianças que adquirem a infecção por via vertical. Ainda que a HAM/TSP seja considerada uma doença do adulto, nosso grupo de estudo já observou que 40% dos casos de DIH, na Bahia, evoluem para HAM/TSP ainda na infância e adolescência. Este achado é muito relevante se se considerar que a frequência de manifestação de HAM/TSP em portadores adultos está estimada em menos de 5%. Nosso grupo também têm observado casos de HAM/TSP infanto-juvenil não associados à DIH e adicionalmente já comprovamos agrupamento familiar na DIH e HAM/TSP infanto-juvenil. Adicionalmente, na Bahia já reportamos casos de ATL precoce diagnosticados em pacientes com DIH. Adicionalmente, já publicamos o achado de células em flor, patognomônicas de ATL em pacientes de DIH na infância e adolescência. Estes dados mostram que a manifestação de DIH poderia favorecer o desenvolvimento precoce de doenças associadas ao HTLV-1 consideradas como da vida adulta. Até o momento, não foram identificados os determinantes que levam ao desenvolvimento da HAM/TSP na infância e na adolescência. Também não existe um tratamento eficaz para esta mielopatia grave e incapacitante ou estratégias terapêuticas que consigam prevenir a manifestação da HAM/TSP em pacientes com DIH. Não são conhecidos os fatores que determinam o desenvolvimento precoce da ATL. Este projeto visa avaliar uma coorte de pacientes com DIH e ou HAM/TSP iniciados na infância e ou adolescência, assim como seus familiares soropositivos assintomáticos, incluídos num total de 35 famílias. Destes indivíduos, já temos banco de dados clínicos, laboratoriais e material biológico crio-preservado coletado em diferentes fases evolutivas dos pacientes durante 10 anos de acompanhamento. Os estudos aqui propostos têm abordagem clínica, laboratorial e molecular. Serão estudados os aspectos clínicos e evolutivos das manifestações da DIH e da HAM/TSP e serão avaliadas possíveis manifestações neurológicas nos irmãos assintomáticos desses pacientes. Serão também avaliados parâmetros hematológicos e parasitológicos no sentido de estudar uma possível evolução para ATL tendo-se em conta principalmente a presença de linfocitose e de células atípicas em sangue periférico, e a clonalidade de linfocitos. Será também quantificada a carga proviral (CPV), investigada a clonalidade das células infectadas e a expressão gênica viral em diferentes fases evolutivas desses portadores do HTLV-1 assim como possíveis alterações destes parâmetros antes e depois do surgimento de HAM/TSP e antes e depois do desaparecimento das lesões de pele da DIH. Adicionalmente, pretendemos mostrar se existe predisposição genética relacionada com os alelos do HLA e os genótipos do gene KIR. Nosso intuito é determinar se há variações de carga proviral ou clonalidade de células infectadas nas diferentes fases evolutivas dessas doenças e se existem marcadores hematológicos, genéticos ou virais para a manifestação e/ou evolução das condições clinicas associadas ao HTLV-1. Este projeto será desenvolvido em colaboração com o Laboratório de Patologia Experimental (LAPEX) do Centro de Pesquisa Gonçalo Muniz – FIOCRUZ –Bahia e com a Clínica Dermatológica da UFBA. Espera-se fazer duas publicações científicas em revistas indexadas e internacionais e várias apresentações em congressos de Dermatologia, de Hematologia e de Neurologia. Neste projeto, serão realizadas técnicas moleculares para detecção da integração viral (Southern blot, PCR invertido e PCR invertido e longo) implantadas apenas no LAPEX, na Bahia, em relação à América do Sul.
  • Universidade Federal da Bahia - BA - Brasil
  • 01/06/2017-31/05/2021