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Simone Simionatto

Ciências da Saúde

Saúde Coletiva
  • epidemiologia e evolução da infecção pelo sars-cov-2 na população indígena do mato grosso do sul
  • As ações de controle da COVID-19, por se tratar de uma doença infecciosa de alta transmissibilidade, requerem estudos epidemiológicos e sistemas de vigilância populacionais que permitam a geração de estratégias efetivas de intervenções, principalmente nas populações mais vulneráveis. Dentre estas populações, está a população indígena, considerada vulnerável às epidemias. Dentre os desafios para reduzir a transmissão da doença, estão as questões culturais associadas a esta população, dificultando a aplicação de práticas como as de isolamento social e de higiene pessoal. Soma-se a esses fatores: a localização geográfica das aldeias próximas a centros urbanos (como é o caso das do município de Dourados/MS); o limitado acesso aos itens de saneamento básico; a indisponibilidade de água potável para muitas famílias; e o acesso limitado de informações relacionadas a doença. Tudo isso, evidencia a necessidade de ações estratégicas que evitem a entrada e disseminação do SARS-CoV-2 nas comunidades indígenas. Uma vigilância ativa e participativa, através da realização de testagem ampla dos indígenas, dos profissionais de saúde e dos trabalhadores do subsistema de saúde indígena, buscando detectar indivíduos sintomáticas e assintomáticos, promovendo o isolamento de doentes e seus contatos em tempo oportuno, são necessárias. O objetivo deste estudo visa avaliar a porcentagem de infectados pelo SARS-CoV-2 na população indígena do município de Dourados, bem como determinar a sua velocidade de expansão, taxa de letalidade e características imunológicas relacionadas ao seu desfecho, promovendo ações conjuntas com subsistema de saúde indígena para minimizar o impacto da doença nessa população. Paralelo a estas ações estamos propondo um estudo de epidemiologia molecular através do sequenciamento de cepas do SARS-CoV-2 circulantes na população, associando os dados genômicos do vírus com o desfecho clínico dos casos. Estudos sorológicos e moleculares serão utilizados para o diagnóstico da doença. Para isto, serão selecionados randomicamente 487 pacientes para testagem sorológica para detecção de anticorpos IgM/IgG contra SARS-CoV-2, através de teste rápido. Na existência de pacientes sintomáticos, serão coletados swabs nasais para o diagnóstico pela técnica de RT-PCR para detecção do SARS-CoV-2. Dos pacientes testados positivamente, serão coletados 4.5 ml de sangue para os ensaios sorológicos e imunofenotípicos. Os pacientes positivos, serão divididos em três grupos definidos de acordo com as condições clínicas leve, moderada e grave, além de um grupo controle de indivíduos soronegativos. Condições clínicas, imunológicas e de desfecho dos casos serão acompanhadas. Os casos identificados serão prontamente notificados para que as medidas cabíveis sejam tomadas. As medidas adotadas serão incluídas em questionário próprio com o objetivo de descrever a epidemia nesta população. Diante do que está sendo proposto e dos resultados esperados, este estudo impactará significativamente para o controle da infecção por SARS-CoV-2 na população indígena. Salientamos que estes resultados serão compartilhados com os gestores do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SASISUS), para planejamento de ações e intervenções pactuadas com a nação indígena.
  • Universidade Federal da Grande Dourados - MS - Brasil
  • 24/07/2020-23/08/2022