Projetos de Pesquisa

 

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Suzana Braga Rodrigues

Ciências Sociais Aplicadas

Administração
  • ambidestria e internacionalização de empresas no setor de software: um estudo comparativo entre o brasil e a holanda
  • Esta proposta faz parte de uma linha de pesquisa sobre internacionalização de pequenas e médias empresas (PMEs) coordenada pela autora deste projeto. Tem por objetivo o estudo do processo e grau de internacionalização de PMEs do setor de software e sua relação com fatores internos - formação de capacidades relacionadas com inovação tecnológica e sua comercialização, e fatores externos - relacionados à indústria e ao ambiente institucional. No que se refere ao modelo de negócios pretende-se investigar se a estratégia das empresas contempla a inovação e a exportação com a mesma prioridade. Denominamos esta qualidade de ambidestria – capacidade de balancear inovação e comercialização de produtos/serviços e processos (Jansen, Bosch e Volberda, 2006; Tushman e O’Reilly, 1996). Pretende-se também analisar como a indústria de software se caracteriza em dois países, Brasil e Holanda no que se refere ao ambiente institucional, em particular, quanto ao apoio institucional que o setor de software recebe nestes dois países. Mais especificamente, os mecanismos de apoio e os obstáculos ao desenvolvimento de setores de alta tecnologia. Devido às características desta investigação, o projeto utilizará o estudo de múltiplos casos como meio de obtenção de informações a respeito dos aspectos mencionados acima. A metodologia compreende o estudo de empresas no setor de software no Brasil e Holanda, sendo 20 entrevistas em cada país, totalizando 40 empresas. Os dados serão coletados por meio de entrevistas semiestruturadas. O roteiro de entrevista aborda questões que visam investigar principalmente os seguintes fatores: capacidade de inovação da empresa e de colocação de produtos no mercado doméstico e internacional, além da capacidade de estabelecer e integrar redes de cooperação. A análise macro-institucional deverá ser feita utilizando-se dados secundários como: informações sobre o desempenho do setor, sobre a estrutura regulatória, mercado e mecanismos de apoio ao desenvolvimento das empresas de software no país. Justificativa teórica Várias pequenas e médias empresas estão sendo denominadas de micro multinacionais (Dimitratos, Johnson, Slow e Young, 2003) devido a sua capacidade e à rapidez de expansão global; padrões estes que não são comuns para o tamanho dessas empresas (Dimitratos, Amorós, Etchebarne e Felzensztein, 2014). Tal comportamento é notadamente presente nos setores de alta tecnologia e tem sido atribuído às características internas destas empresas e ao ambiente institucional em sua capacidade de oferecer suporte a estas empresas (Gaur, Kumar e Singh, 2014). Estas explicações sobre o desempenho internacional da empresa têm como base a posse e a busca de recursos estratégicos (Resource-based View) (Barney 1991) e a capacidade absortiva e de aprendizagem (Coehn e Levinthal, 1990) como determinantes da internacionalização de PMEs. Em geral, os estudos sobre este assunto investigam a internacionalização sob a ótica das deficiências impostas pela estrutura da empresa, ou seja, as razões subjacentes à internacionalização são consistentes com os obstáculos relacionados ao tamanho da empresa (liability of smallness) (Abatecola, Cafferata e Poggesi, 2006; Partanen, Chetty, & Rajala, 2011) e a falta de informações e experiência com mercados estrangeiros (liability of foreigness) (Zaheer e Mosakowski, 1997).Embora a perspectiva acima tenha adquirido proeminência nos estudos anteriores, (Jones, Coviello e Tang, 2011), considera-se o seu poder explicativo limitado, uma vez que desconsidera a importância do contexto institucional na qual estas empresas se inserem (Kumar, Mudandi e Gray, 2013). Em geral poucos estudos sobre PMEs consideram a relevância do contexto institucional – incentivos e limitações relacionadas às instituições existentes no país de origem dos investidores. Sabe-se, no entanto, que as características do ambiente institucional têm um papel fundamental no desenvolvimento e estagnação de setores industriais (Vadudeva, Zaheer e Heranndez, 2013). Indústrias de alta tecnologia são mais fortes onde as instituições se juntam às forças de mercado, oferecendo incentivos financeiros, treinamento de mão de obra, profissionalização e mecanismos facilitadores da formação de redes profissionais (Casper & Whitely 2004). Por exemplo, em sua pesquisa sobre a influência das instituições nacionais no desenvolvimento de determinadas indústrias, Casper e Whitley (2004) concluíram que inovações radicais encontram um terreno fértil em países onde existem instituições cuja missão é desenvolver habilidades e competências essenciais ao fortalecimento de setores de alta tecnologia. Outras pesquisas sugerem que empresas de alta tecnologia tendem a florescer nos países onde há proteção à propriedade intelectual e incentivo ao registro de patentes (Awate, Larsen e Mudambi, 2014; Khanna and Palepu (1999). A literatura em estratégia e em gestão internacional aponta que os países que se caracterizam por um alto desenvolvimento institucional, contam com instituições especializadas em facilitar a profissionalização técnica, com um sistema financeiro que oferece facilidades de crédito e financiamento às empresas de alta tecnologia, além de instituições que facilitam o acesso a mercados internacionais (Humphery-Jones e Suchard, 2013; Kiss e Danis, 2008).
  • Universidade FUMEC - MG - Brasil
  • 01/06/2017-31/05/2021