Projetos de Pesquisa

 

Foto de perfil

Sorahia Domenice

Ciências da Saúde

Medicina
  • pesquisa de variações do número de cópias genômicas patogênicas em uma coorte de pacientes com insuficiência ovariana primária
  • A falência ovariana é uma condição frequente e ocorre em cerca de 1% das mulheres antes dos 40 anos e 0,1% antes dos 30 anos. A falência ovariana primária (FOP) se caracteriza por ausência de ciclos menstruais por um intervalo maior do que 6 meses acompanhada por níveis elevados de gonadotropinas (FSH>30 U/L) e hipoestrogenismo. Esta condição pode ter um amplo espectro de apresentação, que varia de amenorreia primária acompanhada ou não da falta de desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários femininos à presença de amenorreia secundária após o desenvolvimento puberal completo e menarca. Nas pacientes portadoras de FOP o hipoestrogenismo prematuro leva ao aumento do risco de osteoporose, de doenças cardiovasculares e doenças neurodegenerativas, além de infertilidade. A alta frequência desta condição na população feminina e as graves repercussões na saúde física e mental destas mulheres tornam o estudo etiológico da FOP de alta relevância. As causas etiológicas da FOP envolvem mecanismos heterogêneos e podem ser secundárias a processos infecciosos, a doenças metabólicas e autoimunes, a fatores ambientais e iatrogênicos além das causas cromossômicas e genéticas. Porém, na maior parte das pacientes a causa da FOP ainda não é estabelecida. As técnicas citogenéticas convencionais contribuem para a identificação da causa etiológica em apenas 10-15% dos casos. Deleções, inversões e translocações no cromossomo X são as causas genéticas mais frequentemente identificadas nas pacientes com FOP. Os genes FMR1 (pré-mutação, Síndrome de X frágil) e o BMP15, localizados no cromossomo X, tem seu papel comprovado na etiologia da FOP. Anormalidades em vários genes autossômicos como GDF9, FIGLA, FOXL2, NOBOX, NR5A1 (SF1), FSHR, ESR1, LHR, SOHLH1/2, INHA, NANOS3, STAG3, SYCE estão também associados a FOP. Entretanto, cerca de 80% dos pacientes com FOP permanecem sem diagnóstico etiológico estabelecido, apesar da investigação laboratorial e genética realizada. Na busca por um diagnóstico molecular para esse grande número de pacientes portadores de FOP de etiologia não conhecida, várias técnicas de citogenética, citogenômica e biologia molecular têm sido utilizadas. Com o objetivo de melhorar a resolução das técnicas de citogenética convencional novas metodologias foram desenvolvidas, como as técnicas de arrays, Comparative Genomic Hybridization Array (CGH-array) e Single Nucleotide Polymorphism Array (SNP-array), também conhecidas como “cariotipagem molecular”. O CGH-array e SNP-array são técnicas de citogenômica, que permitem avaliar através de pequenas amostras de DNA, todo o genoma, ou parte dele; representando uma revolução na análise cromossômica, com uma maior resolução na detecção de variação no número de cópias (copy number variants-CNVs) além de detectar baixos níveis de mosaicismos (10-30%) e perda de heterozigose de uma maneira mais rápida e acurada. O objetivo deste estudo é pesquisar a presença de deleções ou duplicações submicroscópicas e investigar uma possível relação da presença de CNVs raras com a etiologia da doença, em um grupo selecionado de pacientes com FOP sem causa definida. Quarenta e seis pacientes portadoras de falência ovariana primária serão estudadas, todas com cariótipo 46,XX; o grupo se constitui por 11 casos familiares (23 pacientes) e 23 casos esporádicos. Análises de DNA dos pacientes serão submetidas a avaliação pela técnica de Comparative Genomic Hybridization Array (CGH-array). Os achados serão comparados com CNVs descritas em bancos de dados de controles normais compilados pelo Database of Genomic Variants (http://projects.tcag.ca/variation/), e também pelos estudos de CNV em indivíduos com fenótipos alterados, depositado no banco de dados do DECIPHER Consortium (http://decipher.sanger.ac.uk). Os possíveis genes candidatos serão pesquisados nos bancos de dados disponíveis para consulta pública e na literatura científica quanto à sua possível associação com o fenótipo em estudo. Os resultados deste estudo poderão além de estabelecer o diagnóstico genético da paciente com FOP, permitir o rastreamento e o aconselhamento de outras mulheres da família, portadoras da mesma alteração gênica porém assintomáticas ou em fases precoces da doença e com a possibilidade de orientação sobre medidas para preservação de fertilidade.
  • Universidade de São Paulo - SP - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022
Foto de perfil

Soraia Macari

Ciências da Saúde

Odontologia
  • o papel da leptina na remodelação óssea maxilar em doenças crônicas
  • Introdução: O osso é um tecido dinâmico que sofre remodelação fisiológica constante para manutenção da sua integridade estrutural e homeostase mineral. Essa característica permite sua adaptação frente a alterações de carga mecânica, necessidades minerais, crescimento e reparo de fraturas, por meio da remodelação óssea. O processo de remodelação óssea, por sua vez, é controlado por fatores sistêmicos e locais, tais como alguns hormônios, dentre eles a leptina, hormônio produzido principalmente pelas células adiposas, que atua via sistema nervoso central na regulação do peso corporal e indiretamente na regulação do metabolismo ósseo. Alterações sistêmicas crônicas como colite (doença inflamatória intestinal) e osteoporose induzem a perda óssea. Entretanto, não há estudos que mostrem a relação da leptina no processo de remodelação óssea nestes modelos crônicos. Objetivo: Avaliar o efeito da leptina na microarquitetura óssea da maxila e fêmur em modelos crônicos induzidos por osteoporose e colite em camundongos. Materiais e Métodos: Camundongos selvagens fêmeas C57/BL6 (Wild Type - WT) e deficientes para o receptor de leptina (db/db) serão divididos em três grupos experimentais: (i) intacto (grupo controle); (ii) ovariectomizados (osteoporose induzida pela falta de estrogênio, OVX) e (iii) colite induzida por sulfato de sódio dextrano (Dextran Sulfate Sodium - DSS). Os animais serão tratados de acordo com a Comissão de Ética em Pesquisa Animal da Universidade Federal de Minas Gerais (protocolo 145/2017 e 296/2012). Após a eutanásia, as maxilas e fêmures serão analisados por micro tomografia computadorizada (microCT), análise hitomorfométrica e análise molecular por qPCR. O soro será coletado e avaliado por ELISA para verifiacar se a perda óssea está correlacionada com a expressão sistêmica de citocinas (TNF-α and IL-1), quimiocinas e receptores de quimiocinas (CCL2, CCL3, CCL5, CCR1, CCR2 e CCR5) e marcadores de remodelação óssea (RANK, RANKL; OPG; RUNX2, CTx). Resultados preliminares: A deficiência de estrogênio causado pela OVX e a colite induziram perda óssea maxilar nos animais WT representado pela redução da densidade óssea (BMD), volume ósseo (BV/TV), espessura (Tb.Th) e aumento da separação das trabéculas (Tb.Sp). Este fenótipo foi prevenido nos animais deficientes para o receptor de leptina, não havendo diferença estatística entre os tratamentos nos animais db/db. Adicionalmente, exceto os animais intactos, maiores valores de BMD, BV/TV e redução de Tb.Sp foi observado nos animais db/db OVX e colite quando comparados aos animais WT dos mesmos grupos experimentais, demonstrando melhora na qualidade óssea maxilar. Resultados semelhantes foram encontrados nos fêmures. Os dados obtidos poderão ser úteis para conduzir futuras estratégias terapêuticas na modulação da perda óssea associada à doenças crônicas.
  • Universidade Federal de Minas Gerais - MG - Brasil
  • 18/02/2019-28/02/2022